Por João Maria Medeiros


Na política, a dinâmica dos processos nem sempre acompanham a lógica natural das coisas. E as ações variam de acordo com o interesse dos grupos que normalmente definem as suas prioridades; a partir dos seus interesses em detrimento do interesse coletivo, geral.

Esse é um princípio que define bem o momento atual em que vivemos no Brasil. O debate de grandes temas e de interesse comum vem sendo deixado de lado e cedendo espaços para a discussão de banalidades, temas sem a menor importância para o futuro real de todos nós.

A disputa polarizada facilita a adoção de estratagemas que desvirtuam a discussão real, trazendo para o centro dos debates, questões menores, como as teorias conspiratórias, o vitimismo dos políticos, entre outros, encobrindo assim as mazelas que emperram e em nada contribuem para a construção do país que todos almejam.

O discurso raso ganha cada vez mais espaços, principalmente na mídia onde uma legião de comunicadores passou a adotar a expressão das suas opiniões como informação jornalística. O rádio, um meio de comunicação de massa que andava adormecido, ganhou, nos últimos anos, um protagonismo que mostra que, diferente do que se pregoava com o crescimento das redes sociais, não morreu..

O atual protagonismo do rádio trouxe em seu bojo essa nova onda de programas opinativos que mais têm contribuído para desinformar a população e criar nessa, uma falsa imagem da realidade em que vivemos. O pior de tudo é que a maior parte desses comunicadores se arvoram a opinar sobre tudo e quase todos com um vazio enorme de conteúdo.

Assuntos banais e ou restritos a determinados grupos, como por exemplo, um padre que é filmado bebendo e fumando passaram a ter mais espaço e notoriedade do que os resultados de estudos da ONU que mostram o quanto a fome tem atingido mais e mais brasileiros, ou o descaso com a educação, desde o básico até os cortes de investimentos em pesquisa ou ainda o crescimento alarmante da pobreza e das desigualdades, para citar uns poucos assuntos que imagino, precisavam ser mais discutidos com a sociedade.

O vazio de conteúdo reina absoluto. Aí, a pergunta a se fazer é: a quem interessa esse desvirtuamento da realidade? Ora, fica claro que boa parte dos meios de comunicação agem a favor de interesses políticos. E quando esses interesses não convergem com os da população é ai que se faz necessário a estruturação de forças tarefas para levar mais rapidamente e ao máximo de pessoas, os temas que realmente interessam a quem não quer uma sociedade bem informada, crítica e vigilante.

Estamos a 3 meses de uma eleição geral e, ainda na fase de pré campanha, o que vemos é um festival de abobrinhas, ações que ferem a legislação eleitoral e as cortinas de fumaça ocupando cada vez mais espaços na mídia. 


*G1

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