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Foto: José Aldenir/Agora RN

As exportações do RN subiram 38,6% em agosto em relação ao mesmo mês de 2025, puxadas por uma troca nos produtos embarcados e pela chegada de novos compradores. No mês, o Rio Grande do Norte vendeu US$ 100,2 milhões ao exterior, aproximadamente US$ 27,9 milhões acima do registrado um ano antes, e fechou com superávit comercial — mais exportações que importações — de US$ 74,7 milhões, segundo o Comex Stat, sistema de estatísticas do comércio exterior brasileiro.

O desempenho fez o Estado subir no ranking nacional de valor exportado: saiu da 21ª posição para a 19ª.

A mudança mais forte aconteceu na lista de produtos. O fuel oil, o óleo combustível, seguiu como o principal item vendido, mas perdeu peso: respondia por 67,7% das exportações em agosto de 2025 e caiu para 31,2% em agosto deste ano. Em valores, as vendas passaram de US$ 48,96 milhões para US$ 31,26 milhões, recuo de cerca de 36%.

Quem ocupou o espaço deixado pelo combustível foi, sobretudo, o ouro, com US$ 25,01 milhões e 25% das vendas ao exterior, e o óleo diesel, com US$ 15,59 milhões, o equivalente a 15,6%. As naftas usadas pela indústria petroquímica somaram mais US$ 3,56 milhões, ou 3,6%. Juntos, ouro, diesel e naftas representaram 44,2% de tudo o que o RN exportou no mês.

Os melões frescos fecharam o grupo dos cinco produtos mais vendidos, com US$ 2,91 milhões e 2,9% do total. A participação menor da fruta tem relação com o fim da safra. Com a nova composição, o Estado conseguiu vender mais ao exterior mesmo com a queda do fuel oil, que historicamente está entre os itens de maior peso no comércio exterior potiguar.

O mapa dos compradores também mudou. Em agosto de 2025, o Panamá sozinho levou cerca de 67,7% do que o Estado exportou, um total de US$ 48,96 milhões. Doze meses depois, o país nem apareceu entre os cinco principais destinos. A liderança passou ao Peru, com 31,7%. Depois vieram o Canadá, com 21,7%, a República Dominicana, com 15,6%, os Estados Unidos, com 7,4%, e os Países Baixos, com 6%.

O Observatório da Indústria Mais RN, ligado à Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), vê avanço e limite no resultado: “Os principais destinos das exportações potiguares em agosto mostram uma maior distribuição geográfica das vendas, combinando parceiros tradicionais com mercados que ganharam relevância por operações de alto valor. No entanto, essa diversificação de destinos ainda está acompanhada de forte concentração em produtos específicos, principalmente combustíveis e ouro”.

O quadro é diferente do de 2025. No ano passado inteiro, as exportações do Estado somaram US$ 1,086 bilhão, 4,9% a menos que em 2024. Na época, petróleo e agroindústria — com destaque para a fruticultura e a indústria do açúcar — estavam entre os setores que mais vendiam ao exterior, e Panamá, Países Baixos, Canadá e Estados Unidos figuravam entre os mercados mais importantes.

A liderança do Peru em agosto se explica principalmente por uma única venda de US$ 31,2 milhões em fuel oil. Com essa operação, o país passou a responder por 3,8% das exportações do Rio Grande do Norte acumuladas em 2026 e chegou ao sétimo lugar entre os destinos do ano.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, avalia que o resultado confirma o peso dos produtos energéticos no comércio do Estado com outros países. Para ele, o crescimento de itens que praticamente não apareciam na pauta um ano atrás indica uma mudança mais ampla.

“Também é importante observar a ampliação e a mudança na composição da pauta exportadora. Produtos como gasóleo, naftas destinadas à indústria petroquímica e minérios de tungstênio, que não figuravam entre as exportações do Rio Grande do Norte em agosto de 2025, passaram a ocupar posições relevantes entre os principais produtos comercializados pelo Estado no mesmo mês de 2026”, disse o secretário.

Com o Canadá, o movimento é outro. Em vez de uma venda isolada, o mercado canadense tem comprado do Estado ao longo de todo o ano e já soma cerca de 18% das exportações potiguares de 2026. Até agosto, foram aproximadamente US$ 159 milhões, e 98,14% desse valor corresponde ao ouro extraído na região de Currais Novos.

Não é de agora que a mineração ganha espaço entre os produtos vendidos para fora. Informações divulgadas pela Fiern neste ano listavam petróleo, mineração, pescados, doces e caramelos entre os itens industriais exportados pelo RN, e a indústria tem participação importante nas vendas externas do Estado.

A República Dominicana ficou com 15,6% das exportações de agosto e está em quarto lugar no acumulado de 2026, com 6,19% do total. O país costuma comprar do Estado principalmente óleos combustíveis, sal e tecidos de algodão. Em agosto, o destaque foram cerca de US$ 15,6 milhões em vendas de óleo diesel.

Agora RN



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