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A abertura de pequenos negócios no Rio Grande do Norte manteve ritmo de expansão no primeiro semestre de 2026 e superou o crescimento nacional. Entre janeiro e junho, foram abertas 31.435 pequenas empresas no Estado, alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 27.901 novos empreendimentos.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelos microempreendedores individuais (MEIs) e pelas empresas de pequeno porte (EPPs), consolidando os pequenos negócios como principal força da atividade empresarial potiguar. Os dados, compilados pelo Sebrae-RN com base em registros oficiais, mostram que o segmento responde atualmente por 88,3% das empresas ativas, concentra 58,11% dos empregos formais e representa aproximadamente 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

O maior avanço proporcional ocorreu entre as empresas de pequeno porte. Foram 1.202 novas EPPs abertas no primeiro semestre, crescimento de 20,4% sobre as 998 registradas no mesmo intervalo de 2025. Entre os MEIs, o aumento foi de 11%, passando de 21.269 para 23.618 formalizações. Já as microempresas (MEs) apresentaram estabilidade, com crescimento de 0,5%, saindo de 5.634 para 5.664 registros. Ao todo, o Rio Grande do Norte contabiliza 301.460 empresas ativas, das quais 266.226 são classificadas como pequenos negócios. Segundo o Sebrae, das 32.004 empresas e organizações abertas no Estado no primeiro semestre, 31.070 pertencem ao universo dos pequenos negócios, o equivalente a 97,1% das novas formalizações.

Para a gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN, Alinne Dantas, o perfil predominante dos empreendedores potiguares é formado por trabalhadores autônomos e empreendedores individuais, com estrutura operacional reduzida, poucos empregados, faturamento menor e atuação concentrada no mercado local. “Os segmentos de logística e transporte, saúde e bem-estar, casa e construção, serviços de alimentação e educação continuam entre os que mais atraem novos empreendedores, por dependerem principalmente do conhecimento técnico e da atuação direta do proprietário. Entre as atividades econômicas com maior número de novos registros no semestre destacam-se restaurantes, bares e similares, com 1.782 empresas, mesmo número registrado pelo setor de estética e beleza, além de marketing e vendas, com 1.406, e comércio varejista de vestuário e tecidos, com 1.359 novos negócios”, detalhou.

Apesar da expansão, o levantamento revela que o ambiente empreendedor continua marcado por desafios estruturais. De acordo com dados da Junta Comercial do Estado (Jucern), 18.104 pequenos negócios encerraram as atividades entre janeiro e junho, número 14,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Para Alinne Dantas, um dos principais entraves continua sendo o acesso ao crédito, não apenas pela disponibilidade de linhas de financiamento, mas pelas dificuldades relacionadas às taxas de juros, exigência de garantias, ausência de histórico bancário, controles financeiros deficientes e baixa capacidade de comprovação da renda dos empreendedores.

A gerente ressalta ainda que muitos microempreendedores individuais misturam as finanças pessoais com as da empresa, comprometendo a gestão do negócio. Além disso, pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Banco do Nordeste aponta que a falta de recursos financeiros, o desconhecimento da atividade e a ausência de planejamento figuram entre as principais causas do encerramento dos pequenos negócios. “O desempenho do Rio Grande do Norte acompanha a tendência observada no País, que registrou 2,9 milhões de novos pequenos negócios no primeiro semestre de 2026, crescimento de quase 12% em relação ao mesmo período do ano anterior”, disse. 

O Correio de Hoje

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