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| Foto: José Aldenir/Agora RN |
A atividade industrial do Rio Grande do Norte iniciou 2026 ainda em ritmo desaquecido. É o que mostra a Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação do Estado, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, realizado entre 2 e 12 de fevereiro, indica que janeiro marcou a quarta queda consecutiva da atividade industrial potiguar.
O indicador de evolução da produção subiu 3,8 pontos na passagem de dezembro para janeiro, de 40,6 para 44,4 pontos, mas permaneceu abaixo da linha divisória dos 50 pontos — patamar que separa retração de expansão. Na comparação com janeiro de 2025, o recuo foi de 9,4 pontos. O emprego também encolheu. O indicador de evolução do número de empregados caiu 2,7 pontos, para 45,4 pontos, registrando a terceira retração seguida. Em relação a janeiro do ano passado, a queda foi de 2,5 pontos.
Apesar do menor dinamismo da produção, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) avançou quatro pontos percentuais, passando de 70% em dezembro para 74% em janeiro. O resultado supera em dois pontos percentuais o verificado em janeiro de 2025 (72%) e fica três pontos acima da média histórica (71%).
Estoques sobem e ficam acima do planejado
O levantamento aponta ainda aumento dos estoques de produtos finais. O indicador de evolução dos estoques saltou 11,2 pontos, para 55,0 pontos, indicando expansão frente ao mês anterior. Na comparação interanual, houve avanço de 5,5 pontos.
Já o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado subiu para 53,8 pontos, sinalizando que os estoques ficaram acima do nível considerado adequado pelo conjunto da indústria. Em janeiro de 2025, esse índice estava em 45,6 pontos.
Os resultados mostram comportamentos distintos entre pequenas e médias e grandes empresas. As pequenas indústrias apontaram aumento da produção em janeiro (55,0 pontos), enquanto as médias e grandes registraram queda (40,9 pontos). No emprego, porém, ambos os segmentos indicaram retração. Em relação aos estoques, as pequenas informaram nível dentro do planejado (50,0 pontos), ao passo que médias e grandes relataram volumes acima do desejado (55,0 pontos).
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| Fonte: FIERN |
Expectativas mais otimistas
Para os próximos seis meses, as expectativas se tornaram mais positivas em fevereiro. O indicador de expectativa de demanda avançou 3,3 pontos, para 60,8 pontos, refletindo projeção de aumento das vendas. Em relação a fevereiro de 2025, a alta foi de 7,2 pontos.
Também ficaram acima da linha dos 50 pontos as expectativas para número de empregados (52,7 pontos), compras de matérias-primas (54,4 pontos) e quantidade exportada (56,3 pontos), ainda que este último indicador tenha recuado 3,6 pontos frente a janeiro. Novamente, o cenário difere conforme o porte. Pequenas empresas projetam queda na demanda (45,0 pontos), no emprego (40,0 pontos) e nas compras de insumos (40,0 pontos), além de estabilidade nas exportações (50,0 pontos). Já médias e grandes estimam crescimento em todas essas variáveis, com destaque para demanda (65,9 pontos) e compras de matérias-primas (59,1 pontos).
A intenção de investimento praticamente não se alterou entre janeiro e fevereiro, passando de 68,2 para 68,3 pontos. Ainda assim, o indicador alcançou o maior patamar para um mês de fevereiro desde 2019 (70,5 pontos) e está 14,9 pontos acima da média histórica (53,4 pontos). Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 10,2 pontos. Entre as pequenas empresas, houve recuo de 7,5 pontos, para 55,0 pontos. Nas médias e grandes, o índice subiu 2,7 pontos, para 72,7 pontos.
Comparação com o cenário nacional
Os dados do Rio Grande do Norte convergem, em linhas gerais, com os resultados divulgados pela CNI para o conjunto do País, em 24 de fevereiro. No Brasil, a UCI permaneceu estável em 66% — o menor resultado para meses de janeiro desde 2019.
Diferentemente do quadro potiguar, os estoques nacionais caíram (48,8 pontos) e ficaram abaixo do planejado (49,2 pontos). As expectativas para exportações indicam estabilidade (50,1 pontos), e a intenção de investimento recuou pelo segundo mês consecutivo.
A sondagem da Fiern segue metodologia da CNI, com indicadores de difusão que variam de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 indicam expansão ou otimismo; abaixo, retração ou pessimismo.



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