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A Receita Federal consolidou, no fechamento do primeiro mês deste ano, os dados que confirmam 2025 como um ano de recordes para o fisco no Rio Grande do Norte. Seguindo a tendência de recuperação da atividade econômica e o endurecimento das regras de tributação sobre setores específicos, o Estado registrou um crescimento real de 3,65% na arrecadação de tributos federais em relação a 2024. Em termos nominais — sem o desconto da inflação —, o avanço foi de 8,83%, superando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) regional.

O desempenho potiguar foi fortemente ancorado pela retomada da exploração de petróleo em terra (onshore) e pela expansão contínua de parques eólicos, que dinamizaram a cadeia de fornecedores e elevaram o recolhimento de tributos sobre o lucro e o faturamento. No total, a soma de impostos, taxas e contribuições federais no Estado compôs uma parcela significativa dos R$ 28,5 bilhões arrecadados globalmente (incluindo esferas estadual e municipal) em território potiguar no último ano.

O ranking da arrecadação

A estrutura da arrecadação federal no Rio Grande do Norte em 2025 manteve a predominância das contribuições sociais, mas viu um avanço expressivo dos impostos sobre a renda. De acordo com o balanço da Receita Federal, o ranking por importância de valores no Estado ficou assim distribuído:

Receita Previdenciária: Lidera o montante, impulsionada pelo crescimento da massa salarial e pela reoneração escalonada da folha de pagamentos, que passou a vigorar plenamente em janeiro de 2025.

PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): Ocupa a segunda posição, refletindo o dinamismo do setor de serviços e o aumento no volume de vendas no comércio varejista e de energia.

IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido): Os impostos sobre o lucro das empresas apresentaram crescimento real robusto, especialmente entre as companhias ligadas à infraestrutura energética e ao setor de óleo e gás.

Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF): Com a atualização das faixas de isenção, o volume arrecadado estabilizou, mas a base de contribuintes no Estado cresceu, com mais de 469 mil declarações entregues.

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): Registrou o maior salto percentual nominal (acima de 20%), fruto de ajustes de alíquotas promovidos pelo governo federal para o equilíbrio das contas públicas.

O motor regional: Óleo, gás e renováveis

Diferente de outros Estados do Nordeste, onde o setor público ou o turismo detêm o protagonismo absoluto, o Rio Grande do Norte colheu em 2025 os frutos de uma matriz econômica mais diversificada. A consolidação dos polos petroleiros operados por empresas independentes após os desinvestimentos da Petrobras gerou um efeito multiplicador na arrecadação de IRPJ e CSLL.

Apesar de problemas no setor de distribuição de energia, o Estado vive um ciclo virtuoso na nesta área. Além das eólicas, o início dos projetos de hidrogênio verde e a manutenção da produção madura de petróleo garantem uma base tributária mais resiliente. Esse movimento compensou, em parte, o decréscimo de valores atípicos que haviam inflado o caixa em 2024, como depósitos judiciais e regularizações extraordinárias.

Perspectivas 2026: Desafios e reforma Tributária

Para o exercício de 2026, o cenário é de cautela otimista. O mercado financeiro projeta uma inflação (IPCA) mais controlada, na casa dos 3,99%, o que deve manter o poder de consumo das famílias e, por consequência, a arrecadação de impostos sobre o consumo (PIS/Cofins). No entanto, dois fatores aparecem como “pontos de atenção” no radar das empresas potiguares:

Transição da Reforma Tributária: 2026 marca o início dos testes do novo sistema de IVA (Imposto sobre Valor Agregado). A adaptação dos sistemas de gestão e a convivência com dois regimes tributários simultâneos podem gerar volatilidade nos fluxos de caixa e no recolhimento.

Fim de incentivos sociais: O encerramento definitivo de programas de desoneração, como o Perse (setor de eventos), deve impactar negativamente o setor de serviços e hotelaria, tradicionalmente forte em Natal e na região da Pipa, exigindo que o fisco busque novas fontes para compensar eventuais quedas.

A meta do governo federal para o Rio Grande do Norte em 2026 é manter o crescimento real acima de 2%, apostando na digitalização da fiscalização e na redução da litigiosidade entre o fisco e o contribuinte.

Análise dos dados

O aumento de 9,3% na Receita Previdenciária reflete não apenas o reajuste do salário mínimo, mas também a consolidação da formalização no setor de serviços potiguar e o fim das desonerações parciais da folha.

O avanço acima de 10% nos impostos sobre o lucro (IRPJ e CSLL) é o dado mais relevante para o Estado. Ele confirma que as empresas do setor de energia (eólica e solar) e as operadoras de campos maduros de petróleo aumentaram suas margens operacionais em solo potiguar.

PIS e Cofins mantiveram um crescimento resiliente, acompanhando a inflação e demonstrando que o consumo das famílias no RN não retraiu, apesar da política monetária restritiva observada ao longo do ano.

O salto de 20,8% no IOF é um reflexo direto de ajustes em alíquotas federais e do aumento do volume de crédito e operações de câmbio vinculadas à exportação de commodities minerais e fruticultura.

Agora RN


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