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Embora alguns membros da bancada federal do Rio Grande do Norte ainda não afirmem com todas as letras que integram a base do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso, votações importantes que ocorreram nos últimos meses mostram que alguns parlamentares, antes bolsonaristas de primeira hora, hoje fazem parte de um grupo que dá sustentação ao governo petista e ajuda a aprovar projetos de interesse do Planalto.

A mudança na conduta dos parlamentares se deu após as fortes articulações por parte do Governo Federal, que tem feito nos últimos meses uma força-tarefa para ampliar a base governista, algo necessário para a aprovação de projetos importantes para a gestão.

Com isso, dos 11 parlamentares federais do RN – oito deputados e três senadores -, o governo Lula tem contado com o apoio de pelo menos sete nas principais votações ocorridas nos últimos meses.

Foi assim com relação ao União Brasil, partido que tem dois deputados no RN: Paulinho Freire e Benes Leocádio. Ambos apoiaram, fizeram campanha e ainda hoje falam bem do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na prática, porém, eles têm votado a favor dos projetos tidos como prioritários pelo governo.

O União Brasil tem três ministérios na gestão petista (Integração Nacional, Turismo e Comunicações). Apesar do generoso espaço na Esplanada dos Ministérios, deputados da legenda não garantem a totalidade dos 59 votos da bancada em pautas do governo e dizem se manter independentes.

No caso de Paulinho e Benes, em maio passado ambos foram favoráveis ao Arcabouço Fiscal para as contas da União, que substituiu o teto de gastos.

Ainda em maio, no fim do mês, os dois parlamentares divergiram do governo e votaram a favor do marco temporal das terras indígenas, projeto que define a demarcação apenas de terras que já eram ocupadas por povos indígenas até a promulgação da Constituição Federal de 1988.

Já com relação à Reforma Tributária, um dos projetos que demandaram maior esforço do governo, os dois parlamentares do União Brasil no RN foram favoráveis, confirmando o apoio e integração à base governista.

Cabe lembrar que, conforme revelou a Coluna Opinião do AGORA RN na terça-feira 5, Benes Leocádio, coordenador da bancada federal, irá indicar a Superintendência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Esse é mais um indicativo de integração à base do presidente no Congresso.

Ainda nessa articulação, o deputado federal Paulinho Freire também terá direito a uma indicação de cargo federal. Ele será responsável pela coordenadoria estadual do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).

Um tratamento diferenciado também é dado pelo governo ao deputado João Maia, que recentemente deixou o PL bolsonarista e deverá se filiar ao PP. Ainda de acordo com a Coluna Opinião, João vai ficar com a superintendência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

A nível nacional, o PP negocia com Lula espaços no governo. O presidente deve anunciar uma minirreforma ministerial e ampliar a presença do partido na Esplanada. O petista pretende entregar o comando do Ministério do Esporte ao deputado André Fufuca (PP-MA).

João Maia deixou o comando do PL de Bolsonaro no RN por se recusar a assumir um radicalismo partidário no Estado, em oposição ao Governo Federal e à governadora Fátima Bezerra (PT). Esse papel coube ao senador Rogério Marinho, que assumiu o comando da sigla, provocando a saída de Maia.

O deputado potiguar já tem votado favorável a projetos de interesse do Planalto. Ele disse “sim” ao Arcabouço Fiscal, à Reforma Tributária, mas divergiu do governo no projeto do marco temporal.

Outro potiguar que também não tem sido radical é o deputado federal Robinson Faria (PL), embora seja do partido de Bolsonaro e pai de Fábio Faria, que foi deputado e ministro das Comunicações do antigo governo.

Assim como os colegas já mencionados, Robinson também votou favorável aos projetos da Reforma Tributária e do Arcabouço, divergindo do Planalto no que concerne ao marco temporal.

Em relação aos demais deputados, os únicos que demonstram ser contrários a tudo o que se refere ao governo são os oposicionistas General Girão e Sargento Gonçalves. Em contrapartida, Fernando Mineiro e Natália Bonavides, ambos do PT, defendem e votam favoráveis às pautas governistas.

SENADO

Já em relação ao Senado, o cenário é mais nebuloso, uma vez que as principais propostas de interesse do governo ainda estão tramitando na Casa e não foram à votação em Plenário, com exceção do Arcabouço Fiscal.

Dos três senadores do RN, um é líder da oposição, que é Rogério Marinho (PL). Esse, naturalmente, deve votar contrário às principais propostas de interesse do Planalto.

Já a senadora Zenaide Maia é vice-líder do governo Lula no Congresso. Sendo assim, compete a ela a defesa dos interesses governamentais e, obviamente, a votação a favor das pautas do governo.

A principal dúvida reside na posição do senador Styvenson Valentim (Podemos). O parlamentar já afirmou em outras ocasiões que deixaria o partido e que deveria migrar para o PP, mas depois desistiu da ideia e deixou o assunto esfriar. Ele não registrou voto na época da aprovação do arcabouço.

Embora seja crítico do presidente Lula, Styvenson não tem perfil radical e tem surpreendido Rogério Marinho quando acompanha, em silêncio, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) em votações necessárias para o governo Lula.

Em junho, por exemplo, votou a favor da medida provisória que criava 37 ministérios, sob a justificativa de que respeita a prerrogativa do presidente de manter as pastas que achar conveniente.

“Ele ganhou democraticamente a campanha eleitoral. Continuo pensando igual, mas o governo é dele. Se ele acha que deve administrar a governabilidade assim, se ele acha que deve fazer isso, então eu juntei os senadores do Podemos e todos entraram de acordo. Vamos dar o voto de confiança nele”, disse o parlamentar à época.

Apesar de ter votado a favor da medida provisória dos ministérios, Styvenson disse que não estava aderindo à base governista e que, em novas votações, poderá ser contra o governo.

Agora RN



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