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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “histórico” o encontro que manteve nesta segunda-feira 29 com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi recebido no Palácio do Planalto com todos os trâmites de uma cerimônia oficial de visita de chefe de Estado. Durante declaração conjunta à imprensa, Lula fez fortes críticas aos EUA pelo embargo econômico ao país vizinho, afirmando que as sanções econômicas são “pior do que uma guerra”, e chamou de “narrativas” as acusações de que a Venezuela não vive sob um regime democrático.

Os elogios de Lula a Maduro vão de encontro ao que afirmam ONGs e organismos internacionais. Dados da Anistia Internacional e das Nações Unidas mostram que o governo venezuelano viola os direitos humanos e é suspeito de crimes contra a humanidade.

Segundo essas entidades, são constantes as agressões a ativistas de direitos humanos, jornalistas e líderes indígenas. Estima-se que existam pelo menos 300 presos políticos no país que, ao mesmo tempo, enfrenta elevados índice de inflação, pobreza e desemprego.

Lula afirmou que a visita de Maduro ao País é um “momento histórico” e que o Brasil recuperou o direito de fazer “política com seriedade” ao abrir um canal de diálogo com a Venezuela.

“Queria dizer aos meus amigos do Brasil, à imprensa brasileira, a alegria deste momento histórico. Depois de oito anos, o presidente Maduro volta a visitar o Brasil, e nós recuperamos o direito de fazer política de relações internacionais com a seriedade que sempre fizemos, sobretudo com os países que fazem fronteira com o Brasil”, afirmou. “A Venezuela sempre foi parceiro excepcional do Brasil, mas por conta das contingências políticas, dos equívocos, o presidente Maduro ficou oito anos sem vir ao Brasil, o Brasil ficou muito tempo sem ir à Venezuela”.

Maduro não vinha ao Brasil desde 2015, quando participou da posse do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

Durante o encontro, Lula também afirmou que era difícil “conceber” que o Brasil tenha ficado tantos anos sem diálogo com a Venezuela e que achava a coisa “mais absurda do mundo” o não reconhecimento de Maduro como presidente por aqueles que “defendem a democracia”.

“Achava a coisa mais absurda do mundo que pessoas que defendem a democracia negassem que você era presidente da Venezuela tendo sido eleito pelo povo, e o cidadão que foi eleito para ser deputado fosse reconhecido como presidente da Venezuela”, declarou o petista, em referência a Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente venezuelano.

Durante a permanência no Brasil, Nicolás Maduro afirmou nesta segunda-feira 29 que uma comissão bilateral “vai estabelecer a verdade” após ser questionado sobre a dívida venezuelana com o Brasil.

Maduro e o presidente Lula foram questionados sobre o tema por jornalistas ao fim de um almoço no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília.

Lula afirmou não saber e questionou Maduro: “Você sabe qual é o tamanho da dívida [da Venezuela com o Brasil]?”.

“Vai ser estabelecida uma comissão para estabelecer esse tamanho [da dívida] e retomar os pagamentos”, respondeu o presidente venezuelano.

Indagado novamente se não havia um valor da dívida, Maduro disse: “A comissão vai estabelecer a verdade [sobre o total da dívida]”. E complementou que analisariam a retomada dos pagamentos.

Ao retornar de uma reunião com o venezuelano no Planalto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pasta vai participar do grupo para consolidar a dívida do país com o Brasil. Segundo ele, a partir disso, será possível “reprogramar o pagamento”. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que a Venezuela totaliza dívida de 1,268 bilhão de dólares.

Uma parte desse valor (1 bilhão de dólares) foi coberto pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

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