Por Ney Lopes*

Na campanha eleitoral deste ano no Brasil, ninguém duvide que os métodos tradicionais serão intensamente substituídos pela campanha “on line”, como forma de atração de eleitores, sobretudo os indecisos. As estatísticas mostram, que somos o segundo país conectado, com uma média de 3 horas e 25 minutos por dia de interação nas mídias.

Nas eleições de 2018, 45% dos brasileiros já afirmaram ter decidido o voto na reta final, levando em consideração informações vistas nas redes sociais.

Na atualidade, até os próprios riscos de contágio na pandemia colaboram para manter as redes sociais ativas, proporcionando aos candidatos a divulgação de ideias e propostas, por meio de mensagens curtas e vídeos criativos. Na TV há necessidade de simplificar a mensagem e dizer apenas uma coisa. Na internet, mesmo sendo debate virtual, se estabelecem discussões acaloradas e ricas. Perdem importância os comícios, as passeatas e a distribuição de impressos com fotografias hollywoodianas dos candidatos.

Percebe-se o avanço vertiginoso da transformação digital, entendida como o uso da tecnologia que gera resultados significativos, superando os tradicionais. Exemplo é a união da inteligência artificial (imitação da inteligência humana para execução de tarefas) e a Internet das Coisas (rede capaz de reunir e transmitir dados), que operam na criação de sistemas eficientes, melhorando a comunicação entre a pessoa humana e a máquina.

A política sempre absorveu a modernização ocorrida na comunicação social. Veja-se a década de 40, quando Franklin Roosevelt foi o primeiro presidente americano a aparecer na televisão. Em 1960, Kennedy revolucionou as campanhas eleitorais com o debate televisado.

Coube a Obama avançar com a utilização das redes sociais na Internet. Em 2008 a sua eleição significou verdadeira revolução, pela utilização da rede mundial de computadores, que até então inexistia. A inovação mobilizou os recursos da cibernética. Obama criou uma rede de diálogo, conversando com os internautas numa via de duas mãos. Os eleitores obtinham respostas rápidas e atenciosas.

Nas primárias do Partido Democrata foi desprestigiado e humilhado. Não citavam o seu nome na mídia e ocupava o “fim da fila” nas “pesquisas”, depois denunciadas como fraudulentas. Tinha-se como certa a indicação no Partido Democrata de Hillary Clinton, que havia sido primeira-dama por oito anos e já era senadora há sete.

Espalhou-se a mentira de que ele não havia nascido nos EUA, seria muçulmano e fingia ser cristão. O principal acusador à época foi o apresentador de TV Donald Trump. No final, Obama ganhou a eleição.

A propósito da influência atual das redes sociais, um fato chama a atenção, que é a realização neste domingo, 19, do segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia. Ambos candidatos –o esquerdista Gustavo Petro e o conservador Rodolfo Hernández – abandonaram as ruas e concentraram-se em eventos “on line”.

Petro, 62, aspira em sua terceira e última tentativa chegar à Presidência. Militou no M-19, uma guerrilha nacionalista de origem urbana e teve aliança com o chavismo. Ele ainda se vê como um “revolucionário” por ter lutado contra o estado e agora busca, na democracia, “derrotar as elites e instalar pela primeira vez a esquerda no poder” na Colômbia. As suas propostas incluem reformas ambiciosas e complexas.

Hernández encampou a anticorrupção e se auto intitula “terceira via”, com ideias conservadores radicais e discurso de direita. A sua estratégia é apostar nas redes sociais. Aparece em vídeos excêntricos do TikTok. Em um deles, anda de patinete elétrico. Os seus lemas são três: “não roubar, não mentir, não trair”. A sua candidata a vice, Marelen Castillo, entrou na campanha para suavizar a imagem de Hernández, diante das mulheres. O candidato é um magnata da construção civil, com fortuna avaliada em US$ 100 milhões.

As democracias contemporâneas buscam a interatividade permanente com os atores políticos. Nesse contexto, as redes sociais agem como instrumentos de aperfeiçoamento dos processos eleitorais e governabilidade. Bismarck, o chamado chanceler de ferro, já disse, que “a política não é uma ciência exata, mas uma arte”. Através dela, a cidadania se torna coparticipante, na preservação e ampliação das liberdades coletivas.

*Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal


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