Por João Maria Medeiros

Nesses tempos de difícil entendimento da compreensão humana em que as narrativas têm tomado o lugar da verdade, fazendo com que as pessoas embarquem em situações que normalmente não seriam aceitáveis e passem a viver como se tudo ao seu redor girasse em torno de uma realidade aparente, temos sim construído uma ilusão coletiva. E isso está provocando uma doença grave na sociedade cujas consequências alcançam a todos, de maneira indiscriminada.

Há um fosso enorme e que cada vez mais se amplia entre as pessoas, tornando a convivência um exercício gigantesco de sobrevivência. O tecido social de uma maneira geral vem sendo corroído de forma proposital, a partir da construção de estratégias que visam unicamente o fortalecimento de aspectos comuns a determinados grupos. 

Não que esse problema seja algo novo. Ele sempre existiu ao longo da história humana, mas é evidente que com o advento das redes sociais e do amplo espectro de um falso entendimento de que tudo se pode e está disponível a qualquer custo, surgiu de forma organizada e mais estruturada grupos de dominação centrados em velhas e furadas teorias conspiratórias, promovendo o caos como objetivo.

Os profetas do apocalipse sempre existiram como realidade no imaginário coletivo da sociedade. Mas é com a possibilidade enxergada de que o mundo é dividido em duas partes, o bem e o mal, conceito apregoado desde tempos imemoriais, e também pelo advento de um novo tempo em que se descortina a necessidade de se tratar de todos os problemas, suas causas e consequências que afligem diretamente a toda a sociedade sem estabelecer parâmetros mais equilibrados que os protótipos de profetas, professores do absurdo e charlatães modernos, ganharam espaço e a cada dia ocupam mais e mais terreno.

Nesse contexto, surgem também os guardiões de um templo imaginário em que o mal, seja ele travestido de que forma for, está sempre ao nosso lado. O delírio insano ganha corpo em desvirtuamentos dos escritos bíblicos, quando simples mortais se arvoram no direito de falar em nome de Deus, ungidos pelas suas próprias incoerências, dizem o que se deve ou não fazer.

Mas, infelizmente, no seu mundinho próprio, criado a sua própria imagem e semelhança, cometem atrocidades que se opõem as escrituras e aos ensinamentos de Deus levado às pessoas uma falsa ilusão do que é a vida.

Talvez por isso é que com o descortinar da realidade, estamos conhecendo em maior quantidade, os detalhes verdadeiros dos homens e suas fraquezas. E entendendo o porquê de muitos dos ditos “homens e mulheres de Deus” não passam na verdade de hipócritas, que ao se revelarem em suas fraquezas humanas, corroboram o velho ditado do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. 



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