Por João Maria Medeiros


Agumas situações acontecidas nos últimos tempos têm despertado a atenção geral, exatamente por provocar um rebuliço enorme e com isso, conquistado uma dimensão desproporcional, inicialmente nas redes sociais e depois nos veículos da mídia maciça. Indiscutível que são fatos marcantes e que muitas vezes, merecem as manchetes. Mas a desproporcionalidade dos acontecidos está exatamente na repercussão e posicionamento tomado pelas pessoas como um quase veredito.

Interessante como as redes sociais destacadamente, se tornam palco para a exposição de pensamentos e defesa de opiniões que na verdade, não refletem exatamente o comportamento de quem as coloca. Sabe aquela coisa do faça o que digo, mas não faça o que faço? Pois é. Exatamente nessa distorção que trago para a análise e reflexão nesse momento.

O caso do mendigo flagrado transando com a esposa de um personal trainer em Brasília, por exemplo. Tão logo a notícia ganhou o ciberespaço, as redes foram inundadas com comentários e opiniões recheados de juízos de valores, antes mesmo que a história pudesse ser esclarecida. Passou-se a condenar a todos os envolvidos sem sequer ter-se o entendimento real do acontecimento.

Uma chuva de condenações para todos ganhou o mundo, e o mais grave, o desrespeito e a humilhação pública a partir apenas da versão postada na internet antes da polícia que entrou no caso, concluísse a investigação. O imediatismo midiático das redes sociais fala mais alto do que a verdade em si. De repente, o mendigo ganhou fama repentina com direito a entrevista numa rede de tv e a mulher, pelo que se apurou passa por problemas de instabilidade psíquica, se tornou a Geni da história, com direito a pedras, lama e bosta jogadas em sua reputação. É apenas um exemplo.

Outro fato interessante e que revela a hipocrisia generalizada foi o posicionamento de Pablo Vitar ao expor sua posição política num show. Não vou me ater ao tiro no pé político que foi a representação do partido do presidente e ainda mais a lambança de um ministro do TSE ao decretar a censura aos artistas. A reação imediata mostrou o quanto os pesos e as medidas continuam invertidos.

Nesse fato, o que me chamou mais atenção foi a superexposição de opiniões condenando a artista trans, exatamente vindo de pessoas do universo LGBTQIA+. Muita gente condenando não a posição política da Vitar, mas o fato de ela ser gay. Na verdade, uma salada confusa de preconceito, ideologia e intolerância travestida de opinião. Gente que vive de aparências, outros que se escondem numa falsa moralidade, que têm uma vida pública bem distinta da vida privada. Todos partindo para a condenação, esquecendo daquele velho ditado: Macaco não olha para o seu próprio rabo.

A hipocrisia reina nesse universo em que todos se sentem no direito de emitir sua opinião, apenas pelo contexto do que recebem e espalham pelos grupos de whatsapp. Sinal dos tempos? 


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