O Banco Central estimou a inflação acima da meta em 2022. Disse que a alta do índice de preços e as incertezas fiscais são motivos para a alta dos juros.

As informações foram divulgadas na ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Eis a íntegra (227 KB). “As projeções de inflação do Copom [Comitê de Política Monetária] situam-se em torno de 5,4% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 12% a.a. no primeiro semestre de 2022, termina o ano em 11,75% a.a”, afirmou.

O documento trata da decisão sobre subir a taxa básica, a Selic, de 9,25% para 10,75% ao ano, anunciada na 4ª feira (2.fev.2022). Os juros base chegaram ao maior nível desde abril de 2017, quando esteve em 11,25% ao ano. “O Copom avaliou que, considerado esse viés devido à assimetria de riscos, suas projeções se encontram acima da meta tanto para 2022 como para 2023”, afirmou.

As metas de inflação para 2022 e 2023 são de 3,5% e 3,25%, respectivamente. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou 2021 em 10,06%.

CENÁRIO EXTERNO

O Banco Central classificou o cenário internacional como “menos favorável”. Disse que a inflação alta persistente e o crescimento dos juros nos Estados Unidos tornam as condições financeiras mais desafiadoras para as economias emergentes, como o Brasil. O Banco Central demonstrou preocupação com a onda de alta de casos da covid-19 e o impacto na atividade econômica global.

“Desde a última reunião, a maioria das commodities reverteu a queda observada no fim do ano e, em alguns casos, atingiram recordes recentes, reforçando o ambiente global de preços mais pressionados”, disse o BC na ata.

CENÁRIO INTERNO

Os diretores do BC disseram que os setores de varejo, indústria e serviços tiveram uma ligeira melhora desde a penúltima reunião, em dezembro. Para o Copom, indicadores do mercado de trabalho mostram recuperação consistente de emprego no último trimestre de 2021.

Ponderou, porém, que os índices de confiança divulgados em janeiro seguem mostrando deterioração nas expectativas dos consumidores e empresários.

CONTAS PÚBLICAS

O Banco Central demonstrou preocupação com o cenário de contas públicas. Segundo a autoridade monetária, as incertezas em relação ao futuro do arcabouço fiscal aumentam o risco de desancoragem das expectativas de inflação. O contexto de insegurança cria possibilidade de novos cenários que considerem juros mais elevados.

“O Copom reitera que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para o crescimento sustentável da economia. Esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, disse.

ENTENDA O COPOM

O comitê é formado pelos diretores do BC (Banco Central). Reúnem-se a cada 45 dias para definir os juros. A Selic é o principal instrumento para controlar a inflação.

O mercado financeiro esperava a alta de 1,5 ponto percentual na Selic nesta 4ª feira (2.fev.2022). As estimativas das principais instituições já indicavam Selic de 10,75% ao ano. O colegiado havia sinalizado elevar o percentual para este patamar.

A Selic subiu 7,25 pontos percentuais em 2021, a maior alta da série histórica.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) terminou 2021 em 10,06%, patamar que é 6,31 pontos percentuais acima da meta de inflação. O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, precisou divulgar uma carta pública com as justificativas para o descumprimento do objetivo inflacionário.

Para 2022, a meta de inflação é de 3,5%. As projeções do mercado financeiro, segundo o Boletim Focus, indicam que a taxa será de 5,38% no fim do ano. O percentual supera o intervalo permitido, que varia de 2% a 5%. Em dezembro de 2021, a autoridade monetária afirmou que as chances de descumprimento da meta de inflação de 2022 são de 41%.



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