Por Josivan Barbosa*

Estamos terminando a safra de melão e melancia que se iniciou em agosto de 2021. A avaliação é que o produtor teve que enfrentar grandes desafios em função dos custos de produção e dos custos da logística de exportação. O mercado interno respondeu satisfatoriamente em termos de demanda.

Durante a semana passada estivemos percorrendo algumas áreas das regiões produtoras. Somente as grandes empresas têm melão e melancia no campo, sendo que a partir de agora prevalece o cultivo de melão amarelo, usando sementes de híbridos mais resistente aos problemas de bactérias.

As grandes empresas possuem custos fixos elevados e tentam, apesar das condições climáticas adversas, manter pequenas áreas de produção como forma de atender o mercado interno predominantemente e assim, cumprir com parte dos custos. Em geral, o cultivo de melão na época das chuvas ocorre em terrenos mais arenosos.

A partir de agora o mercado da Europa será atendido pelas empresas exportadoras da América Central (Costa Rica, Honduras e Panamá).

Os preços do melão e da melancia voltaram a subir no mercado europeu, depois de um semestre de preços relativamente baixos. O melão Galia e o Cantaloupe estão sendo comercializados na faixa de 7 – 8 euros e os melões amarelos em torno de 8 -9 euros. A melancia está alcançando o preço de 0,85 euros. O consumo do melão na Europa é favorecido pelas condições climáticas, sendo que em tempos de neve o consumo cai.

Comunidades isoladas na Estrada do Cajueiro

Durante a semana trafegamos mais uma vez pela Estrada do Cajueiro (BR 437) e, nesse período de chuvas, a situação não é nada fácil para as diversas comunidades que estão instaladas ao longo da Estrada. O isolamento já começa vizinho ao Distrito de Jucuri, onde os assentamentos Vingt Rosado, Cristais, São José I, II e III e a comunidade de Barreira Vermelha ficam completamente sem condição de acesso à BR 405 que passa no Distrito de Jucuri.

Ao longo da Estrada do Cajueiro outras comunidades sofrem sem a pavimentação dessa rodovia federal. As comunidades de Boa Sorte, Veneza e Baixa Branca (na divisa com o município de Limoeiro do Norte – CE) ficam praticamente incomunicáveis, em razão de que a região possui solos argilosos e nesse período chuvoso o acúmulo de água e lama na superfície da estrada é assustador. Só sabe da dificuldade quem é obrigado a usar a estrada.

Enquanto os nossos parlamentares federais e os senadores não mostram força política para alocar recursos para a tão esperada Estrada do Cajueiro, a população vai perdendo as esperanças e já é muito nítido o abandono das residências ao longo dos 32 km que separam a BR 405 da divisa com o Ceará. No trecho compreendido entre o final da Estrada do Melão (Etapa 3) e a comunidade Km 60 (trecho no Estado do Ceará), há uma manutenção mais cuidadosa e o sofrimento da população é minimizado.

Milho

Após 30 dias de chuvas na região e diante das perspectivas de um inverno regular, não há outra opção para o produtor familiar que não seja cortar a terra e colocar a semente no campo.

Dentro do binômio milho/feijão, a semente do milho está sendo comercializada a preços inacessíveis para o agricultor familiar. Há híbridos cujo preço da semente ultrapassa R$ 50,00 por quilo.

Uma opção é buscar alternativas, mas sempre procurando um material genético (híbrido) com boa performance produtiva e de custo acessível, sem esquecer da segurança da germinação. Nesse sentido, uma empresa produtora de sementes instalada do DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe – Apodi) possui uma híbrida com preço em torno de R$ 7,50 por quilo.

Há, também, outras sementes alternativas que estão sendo comercializadas até a R$ 4,00 por quilo. Nesse caso, o produtor precisa ter muito cuidado com a qualidade da semente, porque os custos de instalar a cultura são elevados e a perda de um talhão pode inviabilizar todo o período chuvoso que ele tem para cultivar o milho.

*Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa



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