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Uma manifestação organizada por parlamentares e apoiadores da direita nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, encerrou-se em um violento confronto físico entre manifestantes e estudantes no fim da tarde da última segunda-feira (19). O ato, intitulado “UFRN anti-Lula”, mobilizou faixas, um carro de som e o boneco inflável conhecido como 'Pixuleco' nas imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV.

A convocação do ato contou com a presença de figuras políticas como o deputado federal General Girão (PL), a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL), o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, e lideranças do movimento Direita UFRN. O protesto pautou críticas aos cortes orçamentários, às condições da infraestrutura universitária e a promessas voltadas ao ensino superior.

Choque de narrativas e agressões

A circulação do ato pela universidade gerou imediata reação de um contraprotesto formado por estudantes ligados a pautas progressistas e de esquerda. O acirramento verbal evoluiu para empurrões, socos e chutes junto ao portão do Setor IV, que acabou danificado durante o tumulto.

Estudantes relataram agressões diretas por parte dos integrantes do grupo bolsonarista. O universitário de jornalismo Henrique Neiva afirmou ter sido agredido e teve um dente quebrado durante o conflito.

Em contrapartida, apoiadores do ato alegaram que a confusão teve início após estudantes tentarem impedir a manifestação utilizando pedras e cocos, além de perfurarem o boneco inflável com uma faca. Relatos de assessores e participantes da direita também apontaram tentativas de agressão contra o deputado General Girão, gerando acusações mútuas sobre a responsabilidade pela escalada da violência no campus.

Docentes que tentaram mediar o conflito apontaram a insuficiência de efetivo da vigilância universitária para conter os ânimos no local.

Fiscalização eleitoral e debate jurídico

Após a dispersão dos manifestantes, policiais militares e uma equipe da Justiça Eleitoral compareceram ao local para apurar a situação. O episódio foi alvo de denúncia por meio do aplicativo Pardal, sob a acusação de possível propaganda eleitoral irregular em bem público.

Apesar das restrições previstas no artigo 37 da Lei das Eleições para bens públicos, a jurisprudência consolidada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) resguarda a liberdade de expressão e a livre manifestação de ideias dentro dos recintos universitários, o que impede a configuração automática de ilegalidade apenas pela presença de teor político no espaço acadêmico. Até o momento, nem a administração da UFRN nem o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) emitiram posicionamentos oficiais conclusivos sobre o caso.


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