Caminhar pelo centro e por pontos tradicionais de Mossoró tem se tornado um verdadeiro desafio olfativo para quem transita pela cidade. Moradores, comerciantes e transeuntes têm reclamado de forma recorrente do forte odor que toma conta de áreas de grande circulação, transformando vias públicas e praças em locais fétidos.
O problema é antigo e escancara falhas na gestão urbana. Em locais como a Praça da Convivência, imediações do Teatro Municipal Dix-huit Rosado e trechos próximos ao Itaú, o cenário é agravado por canais de escoamento de água da chuva que acumulam dejetos e exalam forte odor, além de problemas recorrentes de limpeza pública.
No entanto, o mau cheiro que sufoca a cidade vai muito além da ineficiência na varrição ou no saneamento. Ele reflete também a incapacidade do poder público em lidar com um grave problema social que se agrava a cada dia: a situação de pessoas em extrema vulnerabilidade que ocupam as ruas de Mossoró sem assistência humanizada ou políticas públicas eficazes de acolhimento.
A combinação entre a falta de manutenção na infraestrutura urbana, o abandono de espaços públicos e a omissão perante esse crescente problema social cria um retrato desolador. Mossoró merece respeito, e a dignidade tanto da cidade quanto de sua população passa, obrigatoriamente, por uma gestão capaz de cuidar das ruas e de cuidar de gente.



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