O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), afirmou que está disposto a negociar até mesmo com deputados do PL, principal partido de oposição ao PT, para construir uma base de sustentação na Assembleia Legislativa. A meta é reunir 16 dos 24 parlamentares, número suficiente para aprovar emendas à Constituição Estadual e assegurar maior estabilidade ao futuro governo.
“Eu tenho conversado com todo mundo que tem interesse de formar a nossa base, independentemente de partido, até do PL”, declarou o governador eleito. Segundo ele, as negociações não significam uma mudança de posicionamento ideológico, mas fazem parte da necessidade de construir uma maioria parlamentar capaz de dar sustentação às propostas do Executivo. “Eu não abro mão das minhas convicções, do que me trouxe até aqui. A gente tem que conversar com todo mundo”, acrescentou.
Cadu registrou que, neste momento, tem uma base inicial de 10 deputados, formada por 7 parlamentares da federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB) e 3 do PSDB. Para alcançar a meta de 16 parlamentares, será necessário atrair pelo menos outros seis deputados, ampliando a articulação para partidos que não integraram originalmente sua coligação eleitoral. “A gente tem que ampliar esse grupo, até para dar sustentabilidade ao governo e, naturalmente, se formar uma maioria”, afirmou. Em seguida, estabeleceu o tamanho da bancada que considera ideal para a próxima administração: “Eu quero ter 16 deputados e deputadas na nossa base. Eu acho que é o número que permite fazer emendas à Constituição”.
O PL, que lançou Álvaro Dias ao Governo do Estado, elegeu 7 deputados, todos parlamentares que fizeram críticas à administração do PT durante a campanha. Já a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, elegeu 6 parlamentares, enquanto o MDB conquistou 1 cadeira. Essas três legendas apoiaram Allyson Bezerra (União).
Ao comentar o cenário vivido pela governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu mencionou disputas decididas na Assembleia Legislativa por margens estreitas, com placares de 13 a 11 e até empates de 12 a 12, resolvidos pelo voto de desempate da presidência. Para ele, a formação de uma maioria mais consistente deverá ser acompanhada de uma composição política mais abrangente dentro do próprio governo.
Relação com Ezequiel e eleição da Assembleia
A articulação para formar a base governista também passa pela relação com o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que apoiou Cadu na reta final da campanha eleitoral. O governador eleito fez questão de reconhecer a importância da adesão de Ezequiel ao seu projeto, destacando a participação do parlamentar na aproximação de lideranças municipais e grupos políticos que contribuíram para a vitória no segundo turno.
Cadu citou, entre os apoios recebidos, o ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) e a deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB), além de lideranças municipais articuladas por Ezequiel. “Ezequiel foi importante nesse processo da nossa eleição”, reconheceu. O governador eleito, entretanto, evitou associar automaticamente esse apoio à definição de quem deverá comandar o Legislativo na próxima legislatura.
Questionado sobre a eleição para a presidência da Assembleia, afirmou que a escolha caberá aos deputados, embora tenha admitido que o futuro governo acompanhará diretamente as negociações. “Essa pauta da eleição legislativa é uma pauta deles, dos parlamentares”, declarou. Na sequência, reconheceu que o Executivo tem interesse no resultado. “Claro que nós temos interesse. A gente quer a governabilidade”, afirmou.
Para Cadu, a prioridade inicial deve ser a organização de um grupo parlamentar comprometido com a sustentação do governo. Somente depois dessa definição, segundo ele, deverão avançar as negociações sobre a composição da Mesa Diretora e a escolha de seu presidente. “Essa pauta de presidência é uma pauta que vai ser discutida no tempo certo pelos parlamentares. Nossa prioridade nesse momento é formar um grupo e, naturalmente, esse grupo, isso vai ser uma consequência”, declarou.
Secretariado terá espaço para aliados políticos
A ampliação da base na Assembleia deverá ter reflexos na formação do primeiro escalão da administração estadual. Cadu admitiu que a necessidade de garantir sustentação parlamentar exigirá uma participação política mais ampla no governo, inclusive com a possibilidade de indicações de nomes por deputados e lideranças que venham a integrar seu grupo.
“A gente vai ter que ter uma participação no governo de forma mais ampla”, afirmou o governador eleito, ao relacionar a formação da maioria parlamentar à organização da futura administração. Ao defender a possibilidade de conciliar indicações políticas com critérios administrativos, acrescentou: “Só precisa ser técnico, honesto e ter sensibilidade social, porque você é um ator político”.
O governador eleito mencionou Ezequiel Ferreira e outras lideranças como exemplos de políticos que poderiam apresentar indicações para a administração. O argumento foi o de que a origem partidária de um nome não deve representar impedimento para sua nomeação, desde que o indicado reúna as qualificações exigidas. Cadu, contudo, não anunciou convites nem confirmou a permanência de integrantes do atual secretariado.
Palanques desarmados
O governador eleito também adotou um discurso de conciliação ao ser questionado sobre o tratamento que pretende dar a prefeitos, candidatos e lideranças que se afastaram do grupo governista durante as eleições. “Passou a página. Página virada. A eleição acabou”, declarou. Em seguida, reforçou a disposição de superar as divisões políticas: “Página virada. Vamos trabalhar pelo povo. Palanques desarmados”.
Cadu ressaltou, no entanto, que as indicações políticas deverão respeitar critérios que considera indispensáveis para a escolha dos auxiliares. “Eu não abro mão do perfil dos secretários serem pessoas honestas. Essa pauta foi muito presente na campanha e é compromisso de vida meu e da governadora”, declarou, em referência a Fátima Bezerra.
O governador eleito também deixou claro que não pretende concentrar as primeiras discussões de seu mandato em futuras disputas eleitorais. Ao comentar especulações sobre a eleição municipal de 2028, criticou a antecipação do debate político poucos dias depois da votação estadual. “Acabou de terminar uma eleição. Como é que a gente já vai começar a falar em 2028?”, questionou. Em seguida, resumiu a prioridade que pretende estabelecer para o início da gestão: “O povo quer trabalho”.
O Correio De Hoje



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