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Bancários do Rio Grande do Norte aprovaram greve por tempo indeterminado — José Aldenir

Os bancários do Rio Grande do Norte aprovaram, em assembleia geral realizada nesta terça-feira 1º, a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir de 8 de setembro, após o feriado da Independência. A decisão ocorre após novas rodadas de negociação sem acordo entre trabalhadores e bancos durante a Campanha Salarial 2026. Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estão reajuste salarial, aumento do vale-alimentação e de outros benefícios e participação nos lucros e resultados dos bancos. Ao longo da campanha, os trabalhadores também cobraram mudanças no salário de ingresso, cumprimento de normas relacionadas à saúde no trabalho e aumento do número de funcionários nas agências.

Nas rodadas de negociação realizadas nos dias 25 e 26 de agosto, os bancos apresentaram uma proposta de reajuste em torno de 2,57%. O percentual não agradou aos bancários e, diante da falta de acordo, a categoria decidiu em assembleia avançar para a greve a partir da próxima terça-feira 8. A expectativa da categoria é que o movimento alcance outros estados e se estenda pelo País. A decisão desta terça-feira é mais um capítulo da mobilização iniciada em agosto. No dia 20, bancários do Rio Grande do Norte realizaram uma paralisação de 24 horas como parte de um movimento nacional da categoria. A medida havia sido aprovada por unanimidade em assembleia realizada no dia 18 de agosto, na sede do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB/RN).

Na ocasião, os trabalhadores também aprovaram estado de greve a partir de 21 de agosto, após rejeitarem a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A mobilização ocorreu enquanto representantes dos trabalhadores e das instituições financeiras discutiam a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. Entre os pontos contestados naquele momento estavam propostas de reajustes diferenciados conforme as faixas salariais, congelamento do piso de ingresso e diferenciação dos valores dos benefícios de alimentação de acordo com o tamanho das cidades. Após a mobilização, a Fenaban recuou nesses pontos, mas o impasse em torno do reajuste salarial permaneceu.

Durante a campanha salarial, o Sindicato dos Bancários do RN e a Federação Nacional dos Bancários (FNB) defenderam reajuste de 53,58% na Convenção Coletiva de Trabalho. As entidades citaram como argumento os resultados financeiros das instituições e afirmaram que os cinco maiores bancos do País tiveram lucro conjunto de R$ 255 bilhões em 2025. Reajuste Após a paralisação de agosto, as negociações continuaram. Em uma das etapas das discussões, foi apresentada proposta de reajuste correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescido de 0,6%. O Sindicato dos Bancários considerou o percentual insuficiente e defendeu um aumento de, no mínimo, 5% acima do INPC.

O presidente do Sindicato dos Bancários, Alexandre Cândido, já havia afirmado que o impasse poderia resultar em greve. “A situação se afigura para uma greve. Vêm acontecendo várias rodadas de negociações, inclusive, no final de semana, ocorreram rodadas de negociação”, declarou. Segundo Cândido, a discussão não está limitada ao reajuste dos salários. A Convenção Coletiva possui 139 cláusulas que tratam de diferentes condições de trabalho e benefícios da categoria. “Temos outras situações agravantes, não é só uma cláusula, são 139 cláusulas que regem esse acordo coletivo. Não é somente o índice financeiro”, afirmou.

Entre as reivindicações apresentadas ao longo das mobilizações estão ainda a recomposição das perdas salariais, reajustes nos benefícios de alimentação, cumprimento da NR-1, relacionada à segurança e saúde no trabalho, e contratação de mais funcionários para as agências. Durante a paralisação de 24 horas em agosto, Cândido já havia indicado que aquele movimento poderia anteceder uma greve por tempo indeterminado. “Tudo isso é necessário e só vamos extrair do banqueiro se tivermos, sabe o quê? Greve e mobilização nacional. Estamos juntos nessa luta”, afirmou.

O Correio de Hoje



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