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O Partido Novo, uma das cinco legendas que integram a coligação “EnDireita RN”, formada em torno da candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Estado, acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) para pedir que o perfil oficial do também candidato Allyson Bezerra (União) no Instagram seja retirado do ar até 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha eleitoral.

A ação, assinada pelos mesmos advogados que representam Álvaro Dias, foi protocolada na noite desta segunda-feira 27. Na representação, a legenda acusa o candidato da coligação “Esperança e Trabalho” de realizar propaganda antecipada ao promover dois eventos para oficializar a mesma candidatura e utilizar, segundo a acusação, uma rede coordenada de páginas nas redes sociais para ampliar artificialmente sua exposição durante a pré-campanha.

Além da retirada temporária da conta @allysonbezerra.rn, o Novo pede, como medida alternativa, que a Meta remova, no prazo de 24 horas, 16 publicações relacionadas ao evento realizado por Allyson no domingo 26, sob pena de multa diária de R$ 20 mil.

O Partido Novo sustenta que Allyson realizou uma primeira convenção no dia 20 de julho, na sede estadual do União Brasil, ocasião em que foram homologadas as candidaturas de seu grupo político para as eleições de 2026. Na ocasião, a ata foi lida, aprovada e transmitida à Justiça Eleitoral, encerrando formalmente todas as deliberações sobre o tema.

Seis dias depois, no domingo 26, Allyson participou de um novo evento, no Palácio dos Esportes, em Natal, apresentado publicamente como a convenção que oficializaria sua candidatura. Oficialmente, no entanto, o evento foi a convenção do PSD, um dos partidos que integram a coligação de Allyson e que tem como presidente no Estado a senadora Zenaide Maia, candidata à reeleição.

Para o Novo, o segundo encontro não possuía qualquer função partidária e teria sido organizado apenas para ampliar a presença do candidato na imprensa e nas redes sociais antes do período permitido para a campanha.

“Privado de função deliberativa, o evento de 26 de julho não foi, materialmente, uma convenção. Foi um ato de campanha de grandes proporções, dirigido ao público em geral, com estrutura, linguagem e finalidade típicas de comício de lançamento”, afirma a ação. Em outra passagem, a legenda acusa: “Vestiu-se de convenção o que, em substância, era propaganda eleitoral antecipada”.

Novo acusa campanha de fabricar apoio popular

A representação argumenta que a divisão da convenção em dois momentos teria sido planejada previamente. Segundo o Novo, a assessoria de Allyson anunciou ainda em 16 de julho que haveria uma “convenção cartorial” no dia 20 e uma “grande convenção política” no dia 26. Para o partido, isso demonstraria que a segunda mobilização foi concebida desde o início como um ato de lançamento eleitoral, e não como uma reunião destinada a deliberar sobre candidaturas e coligações.

“O resultado foi exatamente o pretendido com a cisão: a imprensa foi conduzida a tratar um único fato, a candidatura já homologada, como se fossem dois acontecimentos autônomos, garantindo ao Representado presença ininterrupta no debate público ao longo de toda uma semana”, acusa o documento.

A ação ressalva que não atribui irregularidade aos veículos de comunicação, mas afirma que a estratégia teria sido planejada para provocar duas ondas de cobertura. “O Representado não manipulou a imprensa; manipulou o fato que a imprensa haveria de cobrir”, diz a petição.

O Novo também acusa Allyson de se beneficiar de uma prática conhecida como “astroturfing eleitoral”, caracterizada pela utilização de perfis aparentemente independentes para simular manifestações espontâneas de apoio. São citadas as páginas @rncomallyson, @timeallyson, @allyson_humorado, @allysondopovo e @allysonarrochado, que, conforme a ação, atuariam de maneira coordenada com o perfil oficial do candidato na divulgação de conteúdos antes, durante e depois dos dois eventos.

“O eleitor é induzido a crer que assiste a um clamor popular genuíno, quando, em verdade, assiste a uma encenação publicitária centralmente dirigida”, afirma a legenda. Para o Novo, a divisão dos eventos e a atuação dos perfis seriam “duas faces de uma mesma engenharia de comunicação”, destinada a fabricar “um fenômeno eleitoral que não existe organicamente”. A petição sustenta que Allyson aparentaria possuir uma mobilização popular incomum, quando, na acusação do partido, o que existiria seria uma “produção industrial de eventos e de engajamento”.

A ação cita quatro processos anteriores envolvendo conteúdos favoráveis a Allyson, nos quais o TRE-RN concedeu medidas liminares, além de uma condenação por propaganda antecipada proferida em 9 de julho. De acordo com o Novo, a repetição das publicações demonstraria que o candidato e os perfis ligados a ele “não se intimidaram com as decisões anteriores, persistindo, e agora escalando, na estratégia de antecipar a campanha e manufaturar apoio popular fictício”.

Segundo o Novo, a retirada temporária do perfil seria necessária porque a conta oficial de Allyson funcionaria como ponto central de uma rede coordenada de páginas usada para ampliar conteúdos de propaganda antecipada e simular apoio popular espontâneo. O partido sustenta que a permanência da conta no ar até o início oficial da campanha permitiria a continuidade da estratégia, aprofundaria o desequilíbrio entre os candidatos e tornaria ineficaz uma eventual decisão posterior da Justiça Eleitoral. Por isso, pede a desativação do perfil até 15 de agosto ou, alternativamente, a remoção das publicações relacionadas à convenção do dia 26.

Partido pede multa máxima

Além da suspensão do perfil ou da remoção das publicações, o Novo pede que a Meta informe o alcance dos conteúdos, a existência de impulsionamento, os pagamentos realizados, as formas de custeio e os administradores das contas envolvidas. O objetivo declarado é apurar se houve impulsionamento pago durante a pré-campanha, prática que, segundo a representação, poderia configurar uma irregularidade autônoma.

O partido também solicita que Allyson seja proibido de republicar, pessoalmente ou por terceiros, os conteúdos questionados. No julgamento definitivo, requer a condenação do candidato por propaganda eleitoral antecipada e a aplicação da multa máxima de R$ 25 mil — ou de valor equivalente ao custo da propaganda, caso seja superior. A legenda aponta como agravantes a suposta reiteração da conduta, o planejamento da divisão dos eventos, o alcance das publicações e a alegada fabricação de apoio popular.

“A cada instante de permanência no ar, aprofunda-se o desequilíbrio na disputa e consolida-se a vantagem indevida do Representado perante os demais pré-candidatos”, afirma a ação ao justificar a urgência do pedido. Até o protocolo da representação, não havia decisão sobre a liminar. As acusações apresentadas pelo Novo ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral, e Allyson Bezerra terá prazo para apresentar defesa.

Agora RN



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