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Olhar para os números do mercado de trabalho é sempre um excelente exercício para entender para onde a economia local está caminhando. E os dados mais recentes do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, acenderam um sinal amarelo para Mossoró.

Enquanto o Brasil e o próprio estado do Rio Grande do Norte conseguiram respirar aliviados em maio, a nossa capital do oeste fechou o mês no vermelho. Vamos entender o que está por trás desses números e quais setores seguraram a barra?

O Cenário Geral: Demissões superam contratações

Maio não foi um mês fácil para o mercado de trabalho mossoroense. A cidade registrou um total de 2.758 admissões contra 3.137 desligamentos. O resultado? Um saldo negativo de 379 postos de trabalho com carteira assinada extintos em apenas 30 dias.

Para termos uma base de comparação e entender por que o dado chama a atenção:

No Brasil: O país criou mais de 72 mil vagas formais.

No RN: O estado garantiu estabilidade, fechando com um saldo positivo discreto de 109 vagas.

Ou seja, Mossoró acabou nadando contra a corrente da recuperação econômica do mês.

Setor de Serviços: O principal vilão do mês

Se quisermos apontar onde o calo apertou mais forte, a resposta está no setor de Serviços. Tradicionalmente um dos motores da economia local, o segmento sofreu um forte revés: foram 1.017 contratações, mas expressivas 1.290 demissões, gerando um déficit de 273 vagas.

Além dos serviços, a Agropecuária e a Construção Civil também fecharam as portas para mais trabalhadores do que abriram, refletindo um momento de retração ou transição sazonal nessas áreas.

Onde o estado perdeu: No panorama estadual, as maiores baixas ficaram por conta do cultivo de melão (fortíssimo na nossa região) e de obras de infraestrutura e construção de edifícios.

Os heróis da resistência: Comércio e Indústria

Nem tudo foi notícia ruim. Se o tombo não foi maior, devemos agradecer ao Comércio e à Indústria de Mossoró. Ambos os setores conseguiram fechar maio com o saldo positivo, funcionando como um amortecedor para a queda livre dos outros segmentos.

No plano estadual, um levantamento do Instituto Fecomércio RN (IFC) ajuda a clarear o que tem sustentado as contratações: o consumo das famílias e os serviços essenciais. A Saúde liderou disparada a criação de empregos no RN (+275 vagas), seguida por supermercados, comércio de veículos e educação.

E agora? O que esperar para o resto do ano?

Apesar do tropeço em maio, o acumulado dos primeiros cinco meses do ano mostra que o setor produtivo potiguar ainda respira. Juntos, Comércio e Serviços foram responsáveis por criar mais de 5.300 vagas formais entre janeiro e maio no estado.

O resultado de Mossoró em maio serve como um alerta para o empresariado e para o poder público. Resta saber se os próximos meses trarão a reação da Construção Civil e do setor de Serviços ou se o Comércio terá que continuar carregando o piano sozinho.

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