A artista visual mossoroense Marília Gurgel apresentou, nos Estados Unidos, a vídeoinstalação “Noda de Caju não sai”, obra que investiga os impactos da expansão de empreendimentos de energia eólica sobre comunidades rurais do Nordeste brasileiro. O trabalho integrou o Open Studio da residência artística promovida pela New York Latin American Art Triennial (NYLAAT), em Nova York.
O projeto foi selecionado entre propostas de diferentes países da América Latina e, ao fim da residência, que foi realizada ao longo de dois meses, Marília apresentou ao público o resultado da pesquisa desenvolvida durante o programa.
A obra tem como ponto de partida a expansão dos parques de energia eólica em territórios rurais e seus efeitos sobre populações que vivem próximas aos empreendimentos, reunindo elementos audiovisuais para discutir as transformações provocadas pela instalação dessas estruturas em áreas tradicionalmente ocupadas por agricultores e comunidades tradicionais.
A pesquisa concentra-se em dois territórios: o município de Serra do Mel, no Rio Grande do Norte, um dos principais polos de geração de energia eólica do país, e o Quilombo do Cumbe, localizado no litoral do Ceará. A partir desses locais, a artista constrói uma narrativa sobre as mudanças na relação entre os moradores e o território diante da expansão da chamada indústria da energia renovável.
Natural de Mossoró, Marília Gurgel desenvolveu o projeto a partir da própria vivência em uma região marcada pela presença de ventos constantes e elevada incidência solar, características que fizeram do Nordeste uma das principais áreas de instalação de parques eólicos e solares no Brasil.
A apresentação da obra em Nova York amplia a circulação internacional da produção artística potiguar e leva para um espaço de intercâmbio latino-americano um debate sobre os impactos sociais e ambientais associados à expansão da geração de energia renovável em comunidades rurais brasileiras.
TCM Notícia



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