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| Foto: Brasil 247 |
As autoridades da Argentina emitiram um alerta nacional após o desaparecimento de uma cápsula contendo césio-137, substância radioativa utilizada em procedimentos de medicina nuclear. O material estava armazenado em um instituto médico localizado no centro da cidade de Rosário e seu sumiço desencadeou uma ampla investigação sobre as circunstâncias do caso.
De acordo com informações publicadas pelo jornal argentino La Nacion, reproduzidas pela Folha de S.Paulo, a cápsula era mantida em um recipiente blindado de chumbo, projetado especificamente para impedir a dispersão de radiação no ambiente. O desaparecimento do material acendeu um sinal de alerta entre as autoridades devido aos potenciais riscos associados ao manuseio inadequado da substância.
O césio-137 era empregado em atividades técnicas relacionadas à calibração e ao funcionamento de equipamentos especializados de medicina nuclear. Até o momento, não há informações sobre quando a cápsula deixou o local nem sobre quem poderia ter retirado o material.
Investigação busca esclarecer desaparecimento
As autoridades argentinas trabalham para reconstruir os últimos movimentos da cápsula e identificar possíveis falhas nos protocolos de segurança da instituição. Segundo o La Nacion, os investigadores analisam registros internos e controles de acesso à área onde o material era armazenado.
O espaço em que a cápsula permanecia guardada possuía acesso restrito e apenas quatro pessoas tinham autorização para entrar no local. Esse dado é considerado um dos principais pontos da investigação, que busca determinar a cadeia de responsabilidades e o momento exato em que ocorreu o desaparecimento.
A ausência do material foi descoberta quando técnicos do instituto precisaram utilizar a cápsula em um procedimento de calibração. Ao procurarem o equipamento radioativo, constataram que ele não estava mais no compartimento onde deveria permanecer armazenado.
Riscos associados ao césio-137 preocupam autoridades
O caso ganhou repercussão nacional devido à natureza do material desaparecido. O césio-137 é um isótopo radioativo amplamente utilizado em aplicações médicas, científicas e industriais, exigindo rigorosos protocolos de armazenamento, transporte e monitoramento.
Especialistas consultados pelo La Nacion afirmam que, enquanto a cápsula permanecer protegida pelo recipiente adequado, o risco para a população é considerado reduzido. Ainda assim, as autoridades demonstram preocupação com a possibilidade de o objeto ser encontrado por pessoas sem conhecimento sobre sua periculosidade.
A exposição indevida ao césio-137 pode provocar sérios danos à saúde. Entre os riscos estão queimaduras causadas pela radiação, lesões em órgãos internos e aumento da probabilidade de desenvolvimento de câncer e outras doenças graves.
Acidente de Goiânia permanece como referência
O desaparecimento da cápsula também despertou comparações com o acidente radiológico ocorrido em Goiânia, em 1987, considerado um dos mais graves do mundo envolvendo material radioativo fora de instalações nucleares.
Na ocasião, uma cápsula contendo césio-137 foi retirada de um equipamento médico abandonado em um hospital desativado. Sem compreender os riscos envolvidos, pessoas abriram o dispositivo em um ferro-velho, espalhando o material radioativo entre familiares, amigos e vizinhos.
O episódio resultou na contaminação de centenas de pessoas e provocou quatro mortes diretamente relacionadas à exposição à radiação. Quase quatro décadas depois, cerca de 1.300 vítimas ainda convivem com consequências da contaminação e seguem em acompanhamento médico, segundo entidades que representam os afetados pelo acidente.



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