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| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil |
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) voltou ao centro do noticiário político em meio a uma sequência de investigações que envolvem Refit, Rioprevidência, Ceperj, Uerj e suspeitas de corrupção, consolidando um quadro de forte desgaste em torno de sua trajetória no comando do estado, destaca Lauro Jardim no jornal O Globo.
Castro foi alvo de ações da Polícia Federal em um intervalo inferior a duas semanas. Em 16 de maio, o foco das apurações estava em suas relações suspeitas com a Refit, apontada como a maior devedora de impostos do Brasil. Agora, o novo eixo de pressão envolve a aplicação de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores públicos fluminenses, em letras financeiras do Banco Master.
A sucessão de casos inclui suspeitas de cargos fantasmas na Ceperj e na Uerj, pagamentos feitos em dinheiro vivo, acusações de abuso de poder eleitoral, investigações sobre programas assistenciais, proximidade com empresários investigados, possível favorecimento à Refit e a ligação entre o Rioprevidência e o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.
Caso Refit é apontado como o mais sensível
Entre os episódios que mais pressionam Castro, o caso Refit aparece como um dos mais graves. A PF sustenta que a estrutura do governo estadual teria sido usada para beneficiar interesses do empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. A empresa é alvo de uma investigação bilionária sobre suspeitas de fraude fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
As apurações citam agentes públicos que, segundo os investigadores, poderiam receber mais de R$ 300 mil por mês para destravar processos de interesse da empresa, incluindo licenças ambientais. Um dos pontos de maior atenção foi a aprovação, durante o governo Castro, de uma lei que autorizou o parcelamento de R$ 9,5 bilhões em dívidas da Refit, com descontos que poderiam chegar a 95% em juros e multas.
Nos bastidores do Rio, a medida passou a ser chamada de “Lei Ricardo Magro”. O caso reforçou o desgaste político do ex-governador e ampliou a lista de suspeitas envolvendo sua administração.
Rioprevidência e Banco Master ampliam crise
Outro ponto de pressão envolve o Rioprevidência. Embora os problemas financeiros da fundação previdenciária tenham origem em gestões anteriores, o caso ganhou nova dimensão durante o governo Castro com a aplicação de quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master.
A operação ocorreu mesmo diante de alertas do TCE sobre riscos associados à aplicação. A PF deflagrou a Operação Barco de Papel, que levou à prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-diretor-presidente do Rioprevidência indicado por Castro. Ele é acusado de obstrução de investigações e ocultação de provas.
A ligação entre o fundo previdenciário dos servidores do Rio e o Banco Master passou a integrar o conjunto de episódios que cercam o ex-governador, somando-se a outras frentes de apuração abertas nos últimos anos.
"Folha secreta" da Ceperj gerou maior desgaste político
O escândalo conhecido como “folha secreta” da Ceperj foi um dos episódios de maior impacto político para Castro. Segundo investigações eleitorais, o governo teria montado uma estrutura paralela de contratações temporárias, com mais de 27 mil postos na Ceperj e outros 18 mil na Uerj.
A suspeita é que essa rede tenha abastecido uma engrenagem de cabos eleitorais na campanha de 2022. O caso ganhou ainda mais repercussão quando vieram à tona informações de que milhares de pagamentos eram feitos em dinheiro vivo, diretamente na boca do caixa.
Foi esse conjunto de suspeitas que levou o caso ao TSE. Castro acabou condenado por abuso de poder político e econômico e ficou inelegível até 2030. Antes da conclusão do julgamento, renunciou ao cargo em uma tentativa de evitar a cassação formal do mandato.
Fundação Leão XIII também entrou no radar
Outro caso que marcou a trajetória de Castro foi a investigação envolvendo a Fundação Leão XIII, instituição do governo do Rio voltada à assistência social e ao atendimento de populações em situação de extrema pobreza.
Delatores acusaram Castro de receber propina em dinheiro vivo para manter contratos ligados a programas sociais quando ainda era vice-governador. O caso acabou encerrado no STF por questões processuais relacionadas ao foro, mas continuou a ter repercussão no ambiente político fluminense.
Em 2023, em um dos desdobramentos da investigação sobre possíveis fraudes em programas assistenciais, Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação de Castro, chegou a ser preso. O episódio se somou à lista de investigações e suspeitas que mantêm o ex-governador sob forte pressão política e judicial.
Brasil 247



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