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Fotos: José Aldenir/Agora RN e Andressa Anholete / Senado

O ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) acusou o senador Rogério Marinho (PL) de ter “comprado” o mandato nas eleições de 2022. Em entrevista à rádio 98 FM, Rafael afirmou que a vitória de Marinho naquele pleito foi facilitada pela injeção de recursos do Governo Federal em municípios potiguares.

“Rogério simplesmente despejou bilhões de reais aqui no Rio Grande do Norte. Basicamente, comprou o mandato de forma completamente atabalhoada. Foi, assim, um trator, realmente, que saiu arrasando o Estado”, declarou.

Em 2022, Rogério Marinho era ministro do Desenvolvimento Regional no governo do então presidente Jair Bolsonaro e deixou o cargo para disputar o Senado pelo Rio Grande do Norte. Foi eleito com 41,85% dos votos válidos em uma disputa contra o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, que obteve 33,4%, e contra Rafael Motta, que à época era deputado federal e acabou com 22,76%.

Questionado pelos entrevistadores se estava afirmando que o senador havia comprado o mandato, o ex-deputado reafirmou sua posição. “Sim. Com as minhas emendas, eu mandava uma emenda de um trator, por exemplo, para um prefeito, ao passo de que ele (Rogério Marinho) mandava um trator para um suplente de vereador. Então, é uma disputa completamente desleal. Do meu ponto de vista, é isso, sim. É uma compra de votos, indireta que seja”, disse.

Durante a entrevista, Rafael Motta reconheceu que a fragmentação do campo progressista contribuiu para o resultado e fez uma autocrítica. Na ocasião, o PT apoiava Carlos Eduardo, enquanto Rafael decidiu seguir em uma candidatura própria. “Eu posso hoje, sim, fazer um mea culpa, sem problema algum, em relação ao que aconteceu”, afirmou.

Ele revelou, inclusive, ter recebido uma reprimenda da governadora Fátima Bezerra (PT). “Fatinha puxou minha orelha demais naquele dia (quando ele anunciou que seria candidato em 2022). Ave Maria! Nunca vi ela tão brava”, afirmou. “Mas ela entende. Essa inquietude da juventude… Naquele momento, eu era um cara bem teimoso. Teimoso no sentido de exigir o que a gente acha que é o correto”, declarou.

Apesar do episódio, o ex-deputado enfatizou que a relação foi restabelecida. “Esse ponto é pacífico já. Eu já tive vários encontros com Fátima”, concluiu.

Sobre 2022, o ex-parlamentar ponderou, contudo, que a simples soma dos seus votos com os que Carlos Eduardo recebeu não garantiria a vitória de um candidato de esquerda. “Analisar um resultado após a eleição é muito fácil. Mas não é tão simples somar os percentuais e dizer que aquele nicho de votos iria para um único candidato”, observou.

Ele também destacou fatores políticos que, em sua avaliação, influenciaram o pleito. “Provavelmente, os votos da política, do meu ponto de vista, migrariam para o candidato Rogério”, acrescentou, avaliando o cenário em que ele não fosse candidato.

Rafael ainda ressaltou que disputou o Senado em condições adversas. “Naquele momento, eu fui candidato basicamente sozinho. Eu tinha 16 prefeituras, alguns vereadores, não tinha governo federal, era oposição ao governo federal, não tinha senador, não tinha deputado federal, não tinha deputado estadual, não tinha basicamente prefeito de grandes capitais votando em mim”, afirmou.

Apesar da derrota, avaliou positivamente sua trajetória na disputa. “Nem sempre quando você perde, é uma derrota. Eu acho que saí grande, respeitado. Fiz a minha campanha com sorriso no rosto, com muita alegria”, declarou.

Em 2026, o PT e Rafael Motta se reaproximaram. O ex-deputado federal disputa com o ex-senador Jean Paul Prates a indicação do PDT para a disputa do Senado. O nome que vencer a disputa interna fará uma dobradinha com a candidatura da vereadora de Natal Samanda Alves (PT), com apoio de Fátima Bezerra.

Agora RN



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