“O Rio Grande do Norte é o segundo Estado onde tem o maior índice de obesidade do Brasil”. A declaração é da endocrinologista Anna Karina Medeiros. A médica acrescentou que a proporção local supera a média nacional. “A média nacional é 25%, nós temos 42% da nossa população com obesidade”.
A médica afirmou ainda que a obesidade é uma doença complexa e está associada a milhões de mortes no mundo. “Oito milhões de obesos morrem a cada ano no mundo. As pessoas acham que a obesidade é um problema estético. Mas, na realidade, a obesidade é uma doença. É uma doença complexa”, disse ela, em entrevista à 94 FM.
Segundo ela, a condição está relacionada a outras doenças e aumenta o risco de mortalidade. “O paciente obeso, muitas vezes, é um paciente hipertenso. Esse paciente obeso é um paciente que tem diabetes. Muitas vezes, é um paciente que tem colesterol aumentado. Esse paciente obeso é um paciente que aumenta o risco cardiovascular, que é a principal causa de mortalidade, que é o infarto e o AVC isquêmico”.
A médica afirmou que a obesidade central, caracterizada pelo acúmulo de gordura no abdômen, pode ser identificada por uma medida simples. “Você pega uma fita métrica e mede a circunferência do abdômen. Essa medida deve ser feita dentro do umbigo, não é a cintura, é a maior circunferência do abdômen. Se você for homem e tiver uma circunferência maior que 102, ou se você for mulher e tiver uma circunferência maior que 88, você tem que procurar um médico para fazer uma avaliação”.
Ela explicou que esse indicador está associado ao aumento do risco cardiovascular. “Você já tem um aumento de risco cardiovascular e você já tem um maior risco de adoecimento pelo aumento dessa adiposidade central”.
Tratamentos e perda de peso
A endocrinologista disse que a base do tratamento envolve atividade física e alimentação com restrição calórica. “Hoje, a recomendação é que se faça em torno de 300 minutos por semana e que faça também, realmente, uma dieta com restrição calórica. A melhor dieta vai ser a dieta que o paciente vai conseguir fazer”.
Ela afirmou que, em alguns casos, medicamentos podem ser utilizados. “Em relação ao tratamento medicamentoso, que pode, sim, auxiliar esse paciente, principalmente o paciente obeso. Se esse paciente não responder ao tratamento conservador, esse paciente, sim, vai requerer usar uma medicação”.
Sobre o uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, ela disse: “Hoje, os análogos do GLP-1, que o pessoal chama de canetas emagrecedoras, são, realmente, hoje, um grande plus, um grande incremento, uma grande conquista de saúde. Porque são medicamentos que perdem peso, mas com benefícios metabólicos”.
A médica citou resultados de estudos sobre esse tipo de tratamento. “Um estudo feito mostrou que a medicação reduz 20% do risco de ter um evento de infarto”.
Ela destacou que pequenas reduções de peso já trazem efeitos na saúde. “Hoje, a gente sabe que pequenas perdas já correspondem a grandes benefícios para a saúde. Por exemplo, 5% do peso eu posso controlar um diabetes, eu posso controlar uma hipertensão. Um paciente com 10% de peso, muitas vezes, eu posso curar uma apneia do sono. Com 15% de perda de peso, eu posso fazer uma remissão do diabetes.”
Avaliação e equipe multidisciplinar
Anna Karina Medeiros orientou que o primeiro passo para quem busca tratamento é procurar um especialista. “Geralmente, a gente pede para começar primeiro pelo endócrino, porque ele vai fazer uma avaliação geral. O endocrinologista realmente é a especialidade capacitada para tratar esse paciente obeso”.
Ela afirmou que o acompanhamento envolve outros profissionais. “O ideal é que esse paciente obeso seja tratado por uma equipe multidisciplinar. A nutricionista é fundamental no tratamento desse paciente obeso. É importante que esse paciente também seja acompanhado pelo educador físico”.
A médica também explicou o papel da especialidade. “O termo correto é endocrinologia e metabologia, exatamente a parte metabólica que a gente trata, obesidade, essas doenças metabólicas, como diabetes. A gente faz toda a avaliação hormonal e também toda essa avaliação metabólica”.



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