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A dívida do Rio Grande do Norte foi a que mais cresceu entre os estados brasileiros ao longo de 2025. De acordo com dados reunidos pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a alta no endividamento foi de 35% no período, saindo de R$ 7,2 bilhões em 2024 para R$ 9,7 bilhões no fim do ano passado.

Os números foram divulgados nesta terça-feira 24 pela STN dentro do boletim RREO em Foco. A nova edição do documento traz as principais informações sobre a execução orçamentária dos estados registradas no fim de 2025 (6º bimestre).

Das 27 unidades da federação, a dívida cresceu em 17. Além do RN, que lidera o ranking, as maiores evoluções aconteceram no Maranhão (+33%), em Roraima (+27%) e na Paraíba (+20%). Na outra ponta do ranking, as principais reduções ocorreram em Sergipe (-15%), no Mato Grosso (-14%) e no Acre (-11%).

Em um café da manhã com jornalistas no dia 11 de fevereiro, o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, afirmou que cerca de 60% da dívida consolidada atual do Estado é composta por precatórios originados em outras gestões. Precatórios são dívidas que o Estado tem após perder ações na Justiça.

De acordo com ele, tirando os precatórios, a dívida consolidada do Estado está na casa dos R$ 3,7 bilhões, representando 19,06% da receita corrente líquida (RCL). Cadu afirma que, em 2018, antes de a governadora Fátima Bezerra (PT) assumir a gestão, a dívida estava em R$ 3,3 bilhões, mas a proporção sobre a receita era de 36,77%.

Ou seja: segundo a análise da Sefaz, em sete anos, a dívida aumentou, porém em um ritmo significativamente menor do que a evolução da receita.


Despesa é a maior do País e a poupança é a segunda pior

Os dados mais atualizados indicam que a situação fiscal do Rio Grande do Norte está entre as mais críticas do País. Além do crescimento da dívida, o RREO em Foco mostra que o RN é o Estado do País com o maior nível de despesa e, consequentemente, menor disponibilidade de receita para investimentos.

Segundo a STN, as despesas com pessoal e encargos abocanharam 75% da receita em 2025. Os gastos com custeio representaram 21% e os serviços da dívida consumiram 2%. Sobraram apenas 4% para investimentos — o menor valor do País. A título de comparação, o estado vizinho da Paraíba teve o seguinte perfil de execução orçamentária: 57% de despesa com pessoal e encargos, 28% de custeio, 1% de serviços da dívida e 13% para investimentos (6º maior percentual do País).

Vale ressaltar que o cálculo da despesa com pessoal do RREO em Foco é diferente do Relatório de Gestão Fiscal (RGF), cujos dados é que são os válidos para fins de verificação do cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Outro dado apresentado no estudo divulgado nesta terça-feira é o da poupança corrente em relação à receita. O número refere-se ao valor das receitas correntes menos as despesas correntes empenhadas: é indicador da autonomia para realizar investimentos com recursos próprios.

Nesse indicador, o Rio Grande do Norte é o vice-lanterna, com apenas 3,1% de poupança. A pior unidade da federação é o Distrito Federal, com 2,8%. No estado vizinho da Paraíba, a poupança corrente é de 11% — segundo melhor estado do País, atrás somente do Maranhão (17,8%).

Parte da explicação para esse índice está no gasto com Previdência. O RN tem a maior despesa com essa função no País: 34% de toda a despesa. O segundo lugar está bem atrás: o Rio de Janeiro, com 24%.

Ainda segundo o levantamento, o Rio Grande do Norte é o 2º pior estado do País no ranking das obrigações financeiras pendentes. O índice fechou o ano em 8%, perdendo só para o Amapá (13%). Nesse valor, estão restos a pagar e despesas liquidadas, porém não pagas. Na Paraíba, esse índice está em 3%.

RN no cheque especial

Além disso, reportagem publicada pelo AGORA RN na última sexta-feira 20 mostrou que o Estado encerrou o ano de 2025 com saldo negativo no caixa, uma espécie de “cheque especial”. Segundo o RGF divulgado pelo Governo do Estado, a disponibilidade de recursos fechou negativa em pouco mais de R$ 3 bilhões. Esse é o valor que faltava, em 31 de dezembro, para que o Estado pudesse efetivamente honrar suas obrigações já empenhadas.

A disponibilidade de caixa negativa indica que parte das despesas empenhadas não tem cobertura de caixa. O RN teve o 2º pior resultado do País, ficando atrás apenas de Minas Gerais, que terminou 2025 com saldo negativo em R$ 11,3 bilhões.

RN em Números

Dívida consolidada

Crescimento: +35% (maior alta do País)

2024: R$ 7,2 bilhões

2025: R$ 9,7 bilhões

Segundo o governo: 60% são precatórios

Despesa sobre a receita (RREO em Foco)

Pessoal e encargos: 75%

Custeio: 21%

Serviço da dívida: 2%

Investimentos: 4% (menor do País)

Poupança corrente

3,1% da receita (2ª pior do Brasil)

Previdência

Representa 34% de toda a despesa estadual

Maior percentual do País

Obrigações pendentes

Índice de 8% (2º pior do Brasil)

Disponibilidade de caixa

Saldo negativo de R$ 3 bilhões

2º pior resultado do País (atrás de MG)

Tiago Rebolo/Agora RN


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