Do Jornal de Fato
Na tumultuada e tensa reunião da CPMI do INSS, que aprovou o pedido de quebras de sigilo bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), também foi aprovado o pedido de prisão preventiva do político potiguar Abraão Lincoln, ex-candidato a deputado federal e presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).
O pedido de prisão preventiva de Abraão Lincoln afirma que ele é investigado por atuação ligada a descontos indevidos em benefícios do INSS e cita, como elementos, valores arrecadados com descontos e indícios de risco à instrução e à aplicação da lei penal.
Lincoln chegou a ser preso por falso testemunho ao fim de seu depoimento à CPMI do INSS, em novembro de 2025. Depois das arguições dos parlamentares, o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, requereu a prisão em flagrante do depoente.
Segundo o relator, Lincoln mentiu sobre o motivo de sua saída da direção da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) — ele declarara que tinha renunciado ao cargo, quando na verdade tinha sido afastado como medida cautelar — e “negou por meio do silêncio” conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, mas admitiu o vínculo ao responder a outras perguntas.
Lincoln também teria mentido sobre a natureza de sua relação com Gabriel Negreiros, tesoureiro da CBPA, e sobre o alcance da procuração passada a Adelino Rodrigues Junior.
— Adelino tinha amplos poderes para movimentar recursos da CBPA, e, com esses amplos poderes, enviou R$ 59 mil para a esposa do procurador geral do INSS de então, Virgílio Antônio, e R$ 430 mil para João Victor Fernandes em espécie.
Abraão Lincoln é um velho conhecido do noticiário da corrupção. Em 2015, ele foi preso pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul, no âmbito da “Operação Enredados”, acusado de participar de vendas ilegais de permissões para a pesca industrial. Na época, ele era presidente da CNPA e filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB).
Agora, Abraão Lincoln, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, é investigado por suposta participação do esquema criminoso milionário que subtraiu dinheiro dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social.
Entidade de Abraão movimentou R$ 57,8 milhões
A Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), presidida por Abraão Lincoln, está no centro das investigações da Operação Sem Desconto, detonada pela Polícia Federal para desmantelar um esquema de corrupção milionária que enganou aposentados e pensionistas do INSS. A polícia estima que o impacto financeiro superou os R$ 221 milhões.
Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), peça basilar da investigação, é demolidor ao descrever a sede da CBPA como uma ‘pequena sala comercial’, com apenas ‘uma secretária para atendimento’, e concluir que a Confederação ‘não possui infraestrutura para localização, captação, cadastramento e muito menos fornecimento de serviços’ compatíveis com seu universo de 360.632 associados, espalhados por mais de 3.600 municípios.
Abraão Lincoln é apontado ao lado do tesoureiro da CBPA, Gabriel Negreiros, como articulador de um esquema de falsificação de filiações em massa para obter ganhos ilegais com descontos em benefícios previdenciários. Gabriel, que já disputou eleição para vereador em Natal em 2020, aparece no inquérito da Polícia Federal como o braço financeiro da operação.
A Polícia Federal afirma que embora não tivesse filiados em 2022, a CBPA firmou um acordo com o INSS e, já em 2023, contabilizava mais de 340 mil associados, movimentando R$ 57,8 milhões. Apenas nos três primeiros meses de 2024, o número chegou a 445 mil filiados, com faturamento de R$ 41,2 milhões.



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