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De volta à Casa Branca como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump passou a autopromover como um ator central na mediação dos principais conflitos armados em curso, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio. Paralelamente a esse discurso diplomático, porém, o governo norte-americano ampliou significativamente o uso da força militar, promovendo ataques em ao menos sete países ao longo de 12 meses, destaca o Metrópoles.

Foram alvos de bombardeios norte-americanos Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália, em ações justificadas por Washington como parte do combate ao terrorismo internacional e ao narcotráfico.

A ofensiva mais recente e de maior impacto ocorreu na Venezuela, com ataques diretos à capital, Caracas. A operação resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3). Trump confirmou publicamente a ação, que marcou o ponto mais alto de uma escalada de tensões na América Latina e no Caribe iniciada meses antes.

Desde julho, forças militares norte-americanas vinham atuando na região sob o argumento de combater supostos grupos classificados como narcoterroristas. Nesse contexto, mais de 20 embarcações foram bombardeadas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, em operações que, segundo dados divulgados, deixaram mais de 100 mortos. A Casa Branca afirmou que as vítimas integrariam organizações criminosas, mas não apresentou provas públicas que sustentassem as acusações.

O governo dos Estados Unidos passou a apontar Nicolás Maduro como principal alvo das ações após acusá-lo de liderar o chamado Cartel de los Soles, grupo recentemente incluído por Washington na lista de organizações terroristas internacionais. Caracas, por sua vez, nega as acusações e denuncia as operações como violações de soberania.

Além da Venezuela, outras frentes militares foram abertas ao longo do ano. Em dezembro de 2025, Trump anunciou um ataque descrito como “poderoso e mortal” contra posições do Estado Islâmico (Isis) na Nigéria. No mesmo mês, forças norte-americanas bombardearam a Síria em resposta a uma ação atribuída ao grupo extremista que matou dois militares dos EUA. A ofensiva, batizada de operação Ataque Hawkeye, teve como objetivo eliminar jihadistas e destruir estruturas e depósitos de armas.

Ainda sob o argumento de combater o Isis, os Estados Unidos realizaram ataques na Somália em fevereiro de 2025, que, segundo Trump, resultaram na morte de um dos líderes do grupo e de outros integrantes. No Iêmen, bombardeios atingiram em abril o porto de Ras Isa, no norte da província de Hodeidah, considerado estratégico para o escoamento de petróleo. A ação deixou 84 mortos, e os ataques na região se estenderam ao longo do ano.

No Iraque, operações aéreas na província de Al-Anbar culminaram na morte de um integrante de alto escalão do Isis. Já durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares em Teerã. Apesar da participação direta na ofensiva, Israel e Irã aceitaram um cessar-fogo posteriormente anunciado pelo presidente norte-americano. No conjunto, essas agressões resultaram em ao menos 634 mortos, além de um número não especificado de feridos.

Ao mesmo tempo em que autorizava essas operações, Trump intensificou sua atuação diplomática. Em outubro, após conversas telefônicas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e negociações sobre a situação humanitária em Gaza, o presidente dos Estados Unidos anunciou o fim das ofensivas na Faixa de Gaza e apresentou um plano com 20 pontos para a paz, embora os confrontos não tenham sido totalmente interrompidos.

No front europeu, Trump também buscou protagonismo ao tentar intermediar um acordo entre Ucrânia e Rússia. No início de seu segundo mandato, afirmou que uma solução seria “fácil”, citando sua relação com o presidente russo, Vladimir Putin. Um ano depois, entretanto, os combates seguem ativos no leste europeu. Autoridades norte-americanas e ucranianas chegaram a se reunir na Flórida, em dezembro, para discutir novas propostas diplomáticas.

Brasil 247

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