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Renata, Gabriela e Ester. Fotos: cedidas.

Do Portal TCM Notícia

O Dia Internacional das Mulheres é o momento em que destacamos e reforçamos ainda mais as histórias inspiradoras da terra da resistência – através de pioneiras como Celina Guimarães, que marcou a história com o primeiro voto feminino, ou por meio do Motim das Mulheres, na figura de Ana Floriano. As mulheres representam a determinação, mas também a busca por direitos igualitários.  

Desafiando os estereótipos de gênero e promovendo a igualdade e equidade no local de trabalho, uma dessas histórias é a de Renata Carvalho, de 35 anos, que encontrou sua paixão e sucesso no ramo de autopeças, desafiando expectativas e enfrentando o machismo.

Renata iniciou sua jornada no mundo das autopeças em 2010 quando foi convidada pelo atual patrão para integrar a equipe como estoquista. Apesar das dúvidas de muitos sobre sua capacidade de prosperar em um ambiente predominantemente masculino, Renata abraçou a oportunidade com determinação. 

“Ele [o trabalho] foi muito desacreditado perante muitas pessoas; achavam que não daria certo. A cada dia subi um degrau. Observava muito os meninos trabalhando e daí surgiu minha paixão pela mecânica, pela manutenção”, comenta. 

Conforme desenvolvia as atividades, após três meses, Renata foi designada para supervisionar a equipe de mecânicos na parte de manutenção.  A oportunidade, além de gerar responsabilidades, foi enfrentada por Renata com coragem e dedicação. 

Ao longo dos anos, a jornada da mecânica não foi isenta de obstáculos. Renata enfrentou o machismo e o preconceito tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. Ela destaca que teve que lidar com questionamentos sobre sua escolha profissional e até mesmo com a desaprovação de amigos e familiares. 

“Sempre enfrentei muito machismo por eu ser mulher e ter uma profissão denominada pela sociedade como masculina. Na verdade, além do machismo, existe o preconceito que acontece dentro da própria casa, da família, dos colegas de trabalho”, frisa. 

Renata acredita firmemente na capacidade das mulheres de se destacarem em qualquer campo. Para ela, o importante é o comprometimento e a determinação – não o gênero. “Toda atividade que existe, se uma mulher se botar a fazer, ela executa melhor do que o homem, independente de qual área seja”, destaca 

“Me questionavam muito se eu não tinha vergonha. Eu andava suja, de graxa, e eu nunca tive vergonha porque toda atividade que me é lançada na vida, eu tento executá-la com êxito. Pra mim vergonha nunca pagou boleto, então eu sempre enfrentei da melhor forma”.

Renata também dirige caminhão. Foto: cedida.

SER MULHER

Para a publicitária Gabriela Mabel, ser mulher não está relacionado somente ao gênero. Ela explica que “ser mulher é firmar e também encontrar várias versões do meu próprio ser. Ser uma filha, ser uma amiga, uma mulher com deficiência… Tudo isso transfigura e reafirma a mulher que sou”, descreve. 

Por ser uma mulher com deficiência, Gabriela Mabel explica que há dualidade de ser mulher e ter uma deficiência e isso traz desafios únicos, como a preocupação com a segurança pessoal em locais públicos. “Diria que ser mulher com deficiência nesse quadro é uma afirmação da diversidade feminina que existe no nosso mundo”, comenta. 

Para a publicitária, os desafios são diários em espaços que muitas vezes não estão preparados para recebê-la ou dar uma assistência, como rampas. Seja em lojas, bancos ou no período da faculdade – há uma dificuldade em ter acessibilidade suficiente.      

“Por ser mulher com deficiência física, me sinto mais facilmente fragilizada quanto a minha segurança nos locais. Fico com muito receio de sofrer um assédio ou estar em uma situação que por conta de minha deficiência eu não possa reagir devidamente. Creio que seja um desafio grande para todas as mulheres o receio em sofrer algum assédio ou insegurança nos locais desconhecidos, mas como nós mulheres com deficiência somos vistas como pessoas ‘frágeis’ me sinto ainda mais insegura quando saio”, frisa. 

Gabriela Mabel explica que cada um tem uma trajetória e histórias que podem servir de inspiração sem romantizar os desafios que enfrentam por ser mulher e deficiente. Ela deixa um conselho para mulheres e meninas PCDs que enfrentam o processo de aceitação de suas identidades e singularidades.    

“Particularmente tive que me redescobrir como mulher, pois me tornei mulher com deficiência e esse foi um processo que tive que viver em fases de aceitação, mas de não aceitação também. A sociedade apaga bastante as mulheres PCDs. Somos constantemente esquecidas ou excluídas no momento em que vamos num restaurante e não tem nenhuma rampa na entrada do estabelecimento e isso conduz muito a sensação de apagamento, como sentir-se representada sendo excluída desta forma. Mas é preciso a ressignificação, se colocar e dizer: ‘por que não tem rampa aqui?’”, enfatiza.  

“Então o conselho que dou é: se coloque nos espaços, se coloque em meio à sociedade, procure saber sobre as deficiências, estudá-las para entender a sua e a de outras mulheres e entender sobre o capacitismo. Siga outras mulheres com deficiência para se ver também em meio a elas, enxergá-las pode ajudar a se enxergar e se aceitar, foi o que me ajudou a enxergar representação e aceitar minha deficiência. E por fim seja você também uma referência, uma representação”, conclui Gabriela.

Gabriela é formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Foto: cedida.

A estudante de jornalismo, Ester Chagas, destaca que ser mulher é pluralidade – mesmo que cada uma tenha uma personalidade singular. Porém, frisa que também é possível enfrentar uma sociedade que ameaça a existência de mulheres desde a infância. “Você cresce e tem que decidir se acata a sua feminilidade ou a evita em sua vida. Viver como mulher é uma imposição contra as restrições da sociedade”. 

Por ser uma mulher negra que diariamente vem conquistando seu espaço na área da comunicação, a futura jornalista enfatiza que outras mulheres “busquem o seu lugar. Não se adapte aos espaços onde não é bem-vinda, mas sim busque lugares que te acolham. Não vê artistas na TV que pareçam com você? Busque mídias alternativas, ao invés de manter a audiência de um programa não produzido para o seu público. Jornais grandes não falam sobre suas causas? Consuma jornais menores que conversem sobre isso, não reduza a sua importância ao que querem que você acredite”, finaliza. 

Ester é estudante de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Foto: cedida.



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