Por João Maria Medeiros 


A cortina de fumaça nada mais é do que a estratégia de atrair atenção para assuntos irrelevantes ou falsos de forma a tirar o foco de pautas centrais e de maior impacto, como resultados positivos para a população. E no campo da política essa é uma estratégia comumente utilizada e que tem causado efeitos no debate político atual, provocando uma inversão geral de conceitos sobre os mais diversos temas, principalmente na gestão pública. A política é cheia de variantes e variáveis. Principalmente quando se trata de apresentar à opinião pública por parte, principalmente de gestores e representantes legislativos, situações em que necessitam parecer bem e produtivos com os resultados das suas ações. Essa deformação sempre existiu na república, mas nos últimos três anos ganhou força e dimensão estratosféricas, como forma de justificativa para a falta de ações concretas do governo federal em benefício da população.

O Brasil virou atualmente o país da cortina de fumaça. O atual governo tem adotado esse estratagema como princípio e levado à sociedade um debate raso, superficial, tirando do centro das atenções graves problemas como o constante aumento dos combustíveis, o desmonte das políticas ambientais, a inflação galopante, o descaso geral com os mais desassistidos e os ataques permanentes as instituições do estado.

Arthur Schopenhauer, no clássico “como vencer um debate mesmo sem ter razão”, exemplifica diversos estratagemas utilizados para distorcer e enganar a população com argumentos normalmente falsos, colocados de forma convincente que leva uma plateia a pensar equivocadamente sobre temas importantes e com isso, desvirtuar a verdade e provocar o caos. É exatamente assim que tem se desenvolvido o debate no Brasil.

Esses estratagemas também chamados de narrativas são distribuídos seguindo um protocolo previamente estabelecido. Normalmente começa com uma fala de alguma autoridade, ganha corpo nas redes sociais via verdadeiras milicias digitais e são repercutidos na mídia, principalmente através do rádio numa onda crescente de desinformação que acaba sempre, estimulando o ódio, o preconceito, se deixando de lado, as discussões do que realmente importa para o País.

Provavelmente teremos, mais uma vez, uma campanha eleitoral, onde os grandes temas e as soluções para a construção de um Brasil mais igualitário, com mais oportunidades não constarão da pauta dos candidatos. Mais uma vez, o eleitor brasileiro se verá obrigado a discutir em cima de uma dicotomia que em nada, absolutamente nada, trará de benefícios. E tudo isso provocado principalmente por essas estruturas montadas a partir de um entendimento de que o País precisa de um salvador da pátria, um messias que afaste as mazelas -sem efetivamente se apresentar essas mazelas – e não de um gestor que recoloque o Brasil nos trilhos do desenvolvimento em todos os seus aspectos. 


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