A Catedral de Santa Luzia vai fechar a partir do dia 1º de junho para implantar o novo projeto de sua arquitetura sacra. No período de obras, as missas serão realizadas na quadra de esportes do Colégio das Irmãs (aos domingos) e na Igreja Sagrado Coração de Jesus (durante a semana).

A igreja matriz da padroeira dos mossoroense passará por uma completa repaginada em sua estrutura. Uma das novidades será a construção de uma cripta (capela no subsolo), como as que existem em edifícios de funções sagradas de todo o mundo. Trata-se de um projeto que vem sendo pensado pela Diocese de Mossoró há algum tempo e que agora deve ser executado.

O projeto foi elaborado pelo Apostolado Litúrgico Arquitetura das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, em São Paulo. É o mais famoso escritório de arquitetura sacra do país, especializado em projetos arquitetônicos de construção, reforma, interiores e vitrais, bem como o desenho e execução de painéis artísticos.

O Jornal de Fato noticiou a ampla reforma em 2019, mas, em razão da pandemia da Covid-19, a Diocese de Mossoró teve que retardar o início das obras.

Como se trata de uma obra que demandará recursos de valores elevados, a Diocese vai executar por etapa. A sequência dependerá do orçamento de cada etapa. O calendário será elaborado de uma forma que a catedral não passe tanto tempo fechada, devendo, inclusive, ser reaberta ao final de cada fase do projeto.

Na reportagem de 2019, o padre Flávio Augusto Forte Melo, vigário-geral da Diocese de Mossoró e pároco da Catedral de Santa Luzia, disse que a ideia inicial é promover uma repaginada bastante significativa, principalmente na parte interna da catedral. Além da cripta, a igreja ganhará novos vitrais, piso, portas, bancos, climatização e o uso de energia solar.

Padre Flávio entende como necessária a mudança e vê importância em mudar a arquitetura da catedral de Santa Luzia. “Entendemos que a catedral precisa ganhar cara para alguém que entre e queira rezar, quando sair, tenha o sentimento da dimensão da Diocese de Mossoró”, explicou, ao ressaltar que “a mudança terá importância sob o ponto de vista simbólico”.

As reformas como todo projeto de construção, decoração de interiores, seguem as diretrizes elaboradas pelo Concílio Vaticano II, de acordo com as quais a arte sacra deve visar a beleza nobre, mais que a suntuosidade e que as novas igrejas devem ser apropriadas às celebrações litúrgicas com a participação dos fiéis.

A capela de Santa Luzia é datada de 5 de agosto de 1772. Conta a história que o sargento-mor da ribeira de Mossoró, Antônio de Souza Machado, e sua esposa Rosa Fernandes foram autorizados a construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade.

Décadas depois, em 1801, Rosa Fernandes, já viúva, doou o patrimônio da capela de Santa Luzia. Em 1830, foi feita uma reforma na capela, que recebeu uma imagem de Santa Luzia de Mossoró, em madeira, esculpida em Portugal.

A capela era ligada à freguesia do Apodi até 1842, ano em que foi elevada à categoria de igreja matriz. Com o crescimento de Mossoró, a capela ficou pequena para atender às necessidades da população. Foi quando, em 24 de março de 1858, iniciou-se a sua reconstrução no mesmo local. A obra demorou dez anos e a igreja foi reinaugurada ainda sem a conclusão das torres, que só ficariam prontas em 1910.

Em 28 de julho de 1934, com a criação da Diocese de Mossoró, a igreja de Santa Luzia foi elevada à categoria de catedral diocesana.

Coluna César Santos / Jornal De Fato



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