Por João Maria Medeiros

A política é, indiscutivelmente, a arte da conversa, do bom diálogo, do embate das ideias. Pelo menos, esses são os princípios que devem direcionar essa atividade tão importante para a sustentação de uma sociedade civilizada, ordeira e estável. É isso o que se espera da política e dos políticos.

No Brasil atual, e mais precisamente a partir de 2016, esses preceitos foram sendo deixados de lado e uma onda de beligerâncias ganhou corpo até chegarmos aos extremismos que descambou para a intolerância generalizada, onde tudo e todos se misturam num caldeirão repugnável, que mais tem confundido a população de uma maneira geral do que efetivamente contribuído para a melhora do país. Em, e sob todos os aspectos. 

A política brasileira, que desde o princípio da república se mostrou um verdadeiro balaio de gatos, com as elites dominando os espaços e alijando do processo as minorias, sempre se manteve com a força das oligarquias, das forças econômicas e mais recentemente com grupos da sociedade como evangélicos e até o crime organizado. Todos compõem o que atualmente conhecemos como forças democráticas da política brasileira.

Esse cadeirão ou balaio, muito pouco tem construído caminhos para o desenvolvimento do País e do fim, verdadeiramente eficaz, das desigualdades sociais que nos reina do Oiapoque ao Chuí. E ainda mais grave é que a sustentação desse modelo atual da política é estruturada meramente na retórica, com a construção de narrativas e o uso abusivo das mídias sociais como fonte de propagação das verdades de cada um. O mais impressionante disso tudo é que o bom combate deixou de existir e passou a dar lugar aos xingamentos, as palavras vazias, a disseminação do ódio e ao discurso raso.

O que vemos da maior parte dos “nossos representantes políticos” são verdadeiros festivais de atrocidades como os casos recentes de deputados e deputadas de arma em punho, num flagrante incentivo a violência, contestando um infeliz discurso de seu oponente. Lamentável atitude. Não se constrói representatividade e respeito com uma arma em punho. Não é esse exemplo que esperamos. Não é esse tipo de discurso que a maioria dos brasileiros de bem quer ouvir.

O extremismo na política está em todos os espectros. O que temos visto são exemplos abusivos numa distorção da realidade. É como combater a corrupção, botando os corruptos para tomar conta do orçamento, por exemplo. Na falta de políticas públicas que nos levem ao desenvolvimento, vem o discurso vazio. No contraponto a incompetência do governo, mais discursos vazios e o incentivo a balburdia. Uma via danosa para a nossa democracia.

Tratar a política brasileira como uma ação meramente maniqueísta só prova o quanto estamos carentes. Na verdade, órfãos de verdadeiros líderes; daqueles que nos apontem caminhos para um futuro mais digno e melhor para todos. Sem exceções. É disso que o Brasil precisa.



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