A guerra é entre Rússia e Estados Unidos. A invasão da Ucrânia é o 1º conflito “considerável” que estamos vendo no “novo cenário global”: foi assim que o analista e diretor do Centro Carnegie de Moscou, Dimitri Trenin, definiu os conflitos no Leste Europeu.

Também ex-coronel dos serviços do GRU (Departamento Central de Inteligência da Rússia), Trenin participou na 5ª feira (10.mar.2022) de um webinar realizado pela Fundação FHC e pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). 

Durante o evento, o especialista afirmou haver um novo cenário global com 2 blocos opostos. Um é liderado pelos EUA e o outro, pela Rússia com a China. Para Trenin, a Ucrânia seria “um cavalo de Troia”. 

“Isso não é um conflito entre a Rússia e a Ucrânia, não é um caso isolado. A Ucrânia talvez represente um grande avião de guerra controlado pelos Estados Unidos. Temos um cenário global em que não estamos falando de uma crise isolada. Estamos falando de uma crise mundial. E que a China é muito parte disso”, disse. 

O analista diz que o Ocidente não levou a sério as demandas do presidente russo, Vladimir Putin, sobre as “ameaças existenciais” a segurança da Rússia. Um delas sendo a entrada da Ucrânia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a outra, a presença de tropas da aliança no Leste Europeu.

Segundo o ex-coronel, a concentração de militares russos nas fronteiras era uma forma de a Rússia fazer valer suas demandas de segurança. Apontou ainda que, antes da invasão do dia 24 de fevereiro, havia sinais de que a diplomacia ainda funcionava. 

“A Rússia insiste em ter uma zona tampão desmilitarizada em suas fronteiras e o Ocidente não concorda com isso, essa é a questão”, disse Trenin. 

Dessa forma, o especialista afirma que “pela lógica de Putin, a via militar é a única possível quando a diplomacia não traz resultados”. “Ele poderia ter seguido com as conversas se percebesse que um acordo estava próximo, mas acabou vendo as portas se fechando”, completou. 

O PAPEL DA CHINA

De acordo com Dimitri Trenin, a China está pela 1ª vez tomando partido em questões de segurança relacionadas à Europa. O especialista disse que Pequim “apoiou as demandas da Rússia para os Estados Unidos”.

Ele afirmou ainda que, embora não tenha apoiado militarmente, a China disse que a não aceitação dos EUA às demandas russas era um motivo “plausível” para os ataques contra a Ucrânia.

Para o ex-coronel, a Rússia e a China têm uma “relação bem sólida” e “em muitos aspectos” estão contra os Estados Unidos. Perguntado sobre a criação de uma aliança militar entre os países, Trenin afirmou que isso é algo que já está sendo visto. Mas que a cooperação de Moscou e Pequim será “bem diferente”.

“Quando falamos de uma aliança militar, estamos falando de algo como a Otan, por exemplo. Há 40 anos poderíamos falar sobre a Otan e o que era a União Soviética. Eu acho que vai haver uma aliança, mas será uma relação diferente".

Poder 360



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