Por João Maria Medeiros

A sociedade atual se tornou um universo de aparências, com as pessoas passando a dar mais importância as questões supérfluas, desnecessárias mesmo, e deixando de lado princípios e valores que se constituem pilares importantes na edificação de um modelo mais equilibrado do ponto de vista psíquico, mais harmonioso no campo das relações interpessoais, mais igualitário sobre direitos e deveres e socialmente mais justo.

Nesse mundo próprio de cada um, o ter ganhou status prioritário. O ser deixou de interessar, e as relações entre as pessoas se tornou um mero jogo em que aspectos como arrogância, busca pela superioridade e a necessidade de estar em evidência é a principal meta, numa disputa de intransigências desmedida. 

Hoje, parece que tem mais valor a quantidade de clicks e/ou os tais joinhas que se recebe numa foto postada, ou até mesmo num prato de comida bem montado por exemplo no instagram, do que o abraço fraterno ou um simples desejo de boa sorte quando estamos prestes a realizar algo que consideramos importante.

Para muitos, essas são atitudes estranhas ou desconexas de um contexto mais acolhedor, são consideradas naturais para esse novo tempo, o que, convenhamos, se trata mesmo de uma enorme deformação: de valores e de pensamentos sobre o que e como se conduzir no ambiente social.

Essas questões ganham força e impacto em discussões as mais diversificadas que possamos imaginar e em todos os ambientes possíveis. Elas estão presentes na música popular, na propaganda, nas novelas da tv, nas mídias sociais, enfim, em tudo o que se relaciona com o modo de viver nesse novo século. Mudanças sutis que vem acontecendo ao longo do tempo e que de uma hora para outra estão ocupando espaços importantes n0 nosso cotidiano.

Ao mesmo tempo, e paradoxalmente, se abrem espaços para a introdução de conceitos e outras esquisitices que valorizam e reforçam a arrogância e a soberba, se esquecendo que a diversidade em toda a sua amplidão é essência da natureza humana e fator preponderante para a construção da harmonia e da paz social.

A partir dessas constatações, entendo que tudo isso deveria estar no centro do debate, na formulação dos preceitos e princípios do que realmente seja efetivo para as relações interpessoais mais harmônicas e que valorizem sempre o ser de cada um e não e tão somente, a imagem refletida do egocentrismo desproporcional em evidencia atualmente.

Mais uma vez abordo essas questões, por perceber e sentir que a chatice em que se tornou viver em sociedade – aspecto que tenho abordado nesse espaço com certa frequência – está nos levando a uma superficialidade nas relações, onde, na maioria das vezes, as pessoas são forçadas a expressar sorrisos falsos apenas para aparecer agradáveis. Outras, preferem o isolamento para evitar o confronto ou até mesmo não se sentirem os estranhos no ninho.


Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem