Fotografia: Fernando Nícolas
O clima nos bastidores da Arena Deodete Dias é de euforia. Uma energia única se espalha no compasso da zabumba e nos passos de dança dos brincantes. Parece que o sentimento de competição se alinha ao de alegria ao estar presente naquele local. Nervosismo é claro que existe, é necessário para manter a disputa entre as quadrilhas, mas em alguns momentos a única coisa que passa na cabeça das pessoas é fazer bonito para a multidão que lota as arquibancadas.
Fruto de dezenas de ensaios, é no palco retangular da Arena que os sonhos de um ano inteiro viram realidade. A cada batida emitida pelos instrumentos, cada rima cantada e exaltada pelos gritos da plateia em êxtase, os sorrisos vão se espalhando na área destinada a competição. É zabumba, triângulo, acordeon, tudo junto formando uma sinfonia única entre música e o movimento dos quadrilheiros, que em um só ritmo, vão dando sentido e vida as estruturas montadas no meio do Corredor Cultural.
O São João ganha formas e cores a cada tema escolhido pelas quadrilhas que disputam os prêmios todas as noites, mantendo a tradição cultural da festa junina em Mossoró.
Heloisa Araújo, noiva do Arraiá da Pimenta, que está no grupo há 5 anos, destaca que o grupo começou a ensaiar em outubro. A emoção de se apresentarem em Mossoró é enorme, e segundo ela é uma dos eventos mais esperados. “Tudo aqui está muito organizado, achei melhor do que no ginásio e a decoração está muito linda”, disse. Sobre a apresentação, ela demonstrou muito otimismo. “O que posso dizer é que dei o meu melhor, independente do resultado, eu gostei do trabalho que fizemos aqui”.
Erica Daiane, rainha do Arraiá Esplendor, de Assu, e Andra Lauany, princesa da Explosão Junina, depois de uma preparação de seis meses, afirmou que alegria de se apresentarem no Festival de Quadrilhas de Mossoró é enorme, principalmente, numa arena que lhes permitem sentirem o calor, estarem mais próximos e interagir melhor com o público.
O coreógrafo e figurinista da Explosão Junina, Roson Lima, conta que para a apresentação deste ano trouxe como tema: “Baú da Imaginação”, e a expectativa é de manter o título de atual campeã do festival. “São seis meses de trabalho! A gente pega pessoas pobres, pessoas carentes, tiramos das periferias e os transformamos em um sonho. É tanto que eles amam dançar quadrilha, então, a gente trabalha visando isso, é na quadrilha que a gente consegue tirar eles do caminho do mal e sempre fazer coisas do bem”, disse.
Presidente da quadrilha Padre Piná há 21 anos, Sebastião Junior preza muito a iniciativa do festival, que é o de manter viva a tradição da cultura nordestina, por parte das quadrilhas tradicionais. “Isso aqui é o símbolo do São João de Mossoró… A emoção é sem igual, quando você está nessa arena é como um toureiro entrando na arena da Espanha para tourear! A quadrilha quando entra aqui é com todo o fervor, sangue na pele”, encerra.
Jurados
O jurado Salvador Marcelo Raposo é responsável pelas categorias de coreografia, evolução e marcador. “As categorias de evolução estão até legais, mas o que ando percebendo é que a as quadrilhas estão perdendo muito do seu tradicional, estão sendo muito estilizadas, o que acaba perdendo a essência” diz ele. Já Alex Peteca, jurado responsável pelas categorias de casamento, repertório e tema, diz está havendo um progresso a cada ano. “A gente está conseguindo ver uma evolução ao decorrer dos anos, e uma evolução positiva”.
Plateia
Gisele Carla, manicure e que está na platéia, conta sua preferência pelo evento na Arena Deodete Dias: “Achei melhor as apresentações nesse local esse ano, porque temos mais contato com o público. Gostei bastante da apresentação do grupo Esplendor, mas estou ansiosa para a do grupo Explosão Junina, que é o da minha cidade”.
Cultura
Muito mais que uma simples dança, as quadrilhas tradicionais fazem parte dos nossos costumes e enaltecem a nossa cultura. É tradição mantida viva no coração dos quadrilheiros, encantando os olhares do público, que vibra a cada apresentação, e faz sorrir na esperança de que a festa pulse a cada movimento dos brincantes.
Texto: Amanda Veríssimo, Fernando Nícolas e Jorge Amâncio



Postar um comentário