Manifestantes estavam com arcos e flechas, além de
faixas e cartazes.
Grupo também protestou contra venda de lotes a
estrangeiros.
Portando arcos e flechas, indígenas se reuniram na
entrada do Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira (22) para protestar
contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (antiga PEC 241), que
estabelece um teto para os gastos públicos nos próximos 20 anos, a venda de
lotes para estrangeiros e mudanças na demarcação de terras indígenas. De acordo
com a Polícia Militar do Distrito Federal, 40 servidores negociavam a saída do
grupo do local. Não houve agressão nem danos ao patrimônio.
Os indígenas chegaram a fazer uma roda de dança
típicas nas proximidades da rampa do prédio, onde são recepcionados chefes de
Estado em visitas oficiais à sede da Presidência da República. Representantes
do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais também participaram do ato.
"Somos pescadores e estamos atualmente
impedidos de pescar. Queremos nosso seguro-desemprego, que não saiu
ainda", afirmou uma das manifestantes, que não quis se identificar.Eles
carregavam faixas contra venda de terras a estrangeiros. Os manifestantes
também levavam cartazes com os escritos "PEC 241-55: PEC da Morte" e
"Ruralista e terra pra estrangeiro: tudo a ver".
Pela manhã, o presidente Michel Temer se reuniu com
o governador de Rondônia, Confúcio Moura, os ministros Alexandre de Moraes
(Justiça) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o presidente do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), Leonardo Silva, entre outros, para
discutir conflitos agrários. Às 11h10, encontro ainda não havia acabado nem o
Planalto se pronunciado sobre a manifestação.
A segurança no Planalto foi reforçada com policiais
da Presidência e homens do Exército e, todas as entradas para visitantes,
fechadas. O subprocurador da República, Luciano Maia, conversava com o grupo às
11h38. Os manifestantes foram orientados a não dar declarações à imprensa.
Em nota, o Conselho Indigenista Missionário
informou que lideranças de vários povos do Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e São Paulo participaram do ato. Pescadores artesanais, quilombolas
e quebradeiras de coco também participaram do protesto, afirma a entidade.
Reunião com Temer
Após a reunião com Temer, o presidente do Incra,
Leonardo Goes, afirmou que foi discutida a elaboração de uma Medida Provisória
para simplificar a seleção de famílias beneficiadas e a titulação de
assentamentos. A iniciativa deve ser mandada ao Congresso Nacional ainda neste
ano, disse.
"O novo marco legal do programa de reforma
agrária está praticamente pronto. Passa agora pela análise jurídica da Casa
Civil", falou.
De acordo com Goes, foram entregues 3,5 mil títulos
em todo o país em 2016, dos quais 2,5 mil somente em Rondônia. Com a medida
provisória, para o ano que vem, o governo pretende entregar 70 mil títulos em
todo o território nacional, sendo 35 mil apenas no estado citado.
O governador de Rondônia, Confúncio Moura, declarou
que a União estuda doar terras para o estado a fim de facilitar a reforma
agrária na região, inclusive na faixa de 150 quilômetros a partir das
fronteiras do país.
"Temos muito interesse nelas. Não existe mais
justificativa para a União ainda ter essas terras. [...] Aceitamos as glebas do
tamanho que forem. Falo com tristeza que Rondônia é o estado que mais tem
homicídios no país causados por conflitos agrários. Foram 45 mortes neste ano
dentro e fora dos assentamentos. Devido à Amazônia Legal, precisamos
regularizar essa situação fundiária dramática", disse.
No encontro, ainda ficou estabelecido um grupo de
trabalho para tratar do tema, sob a coordenação da Casa Civil, porém sem
periodicidade definida.
*G1
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