A seleção brasileira de futebol é campeã olímpica dos Jogos Rio 2016. O ouro foi conquistado nos penalties, após o empate tenso de 1 a 1 nos 120 minutos de duração da partida. O título veio na quinta bola chutada por Neymar, após o goleiro Weverton ter defendido o penalty cobrado pelo jogador alemão.
O Brasil abriu o placar com o gol de Neymar, aos 26 minutos de jogo, em cobrança de falta. Em comemoração, Neymar repetiu o gesto de imitar um raio do jamaicano tricampeão olímpico de atletismo, Usain Bolt, presente no estádio. Bolt vibrou com o gol de Neymar.

A vitória dramática colocou fim ao trauma brasileiro de sempre bater na trave em Olimpíadas. E, se o título não apaga o vexame do 7 a 1, certamente ameniza a dor da derrota do Mineirão em 2014 – e deixa com a Alemanha a decepção de não ter um título olímpico. De quebra, o Brasil superou a extinta Iugoslávia e se tornou o país com mais medalhas olímpicas na história do futebol: seis, duas de bronze (Atlanta-1996 e Pequim-2008), três de prata (Los Angeles-1984, Seul-1988, Londres-2012) e a medalha dourada conquistada em casa.
Neymar, tão criticado nas primeira partidas, saiu consagrado. Com um golaço de falta que fez lembrar Zico, arrancou aplausos até mesmo de Usain Bolt, o mito jamaicano que pulou como um pentacampeão nas arquibancadas. O camisa 10 ainda fez o que craques como Romário, Ronaldo e Ronaldinho não conseguiram: subir ao mais alto do pódio. Depois, em entrevista à Rede Globo, parafraseou Zagallo ao responder os críticos. “Vocês vão ter que me engolir.”
Mais importante do que a medalha dourada, a Rio-2016 deixa uma herança importante para o futebol brasileiro: o time de Rogério Micale apresentou uma filosofia de jogo definida, voltada ao ataque, algo que há anos o Brasil se ressentia. Ainda é cedo para se empolgar, mas Tite, que estava no estádio certamente irá se aproveitar na equipe adulta da semente plantada por Micale. Gol do Brasil.
Euforia – O arrepiante momento do hino nacional, cantado por 70.000 vozes, foi o prenúncio da bela festa que se daria durante os 90 minutos de bola rolando. O novo canto “pula sai do chão, quem é pentacampeão” balançou o Maracanã e deu ainda mais incentivo aos times, que entraram bastante ligados. A Alemanha teve a primeira chance clara. Brandt recebeu na entrada da área e bateu colocado, mas a bola explodiu no travessão de Weverton, gelando o Maracanã. O Brasil, porém, era melhor na partida, preciso nos desarmes e com mais lucidez na frente. A pressão brasileira empurrou a Alemanha para trás e Renato Augusto, mais uma vez excelente na função de segundo volante, quase marcou após cobrança de escanteio.
Aos 25 minutos, a apoteose no Maracanã: Neymar sofreu falta da entrada da área e, empurrado pela torcida que gritava seu nome, viveu seu momento de Zico, com uma cobrança magistral que ainda bateu no travessão antes de encontrar as redes. Neymar celebrou com o tradicional gesto de Usain Bolt, que estava na arquibancada e vibrou com o espetáculo, e com uma frase eternizada por Cristiano Ronaldo: ‘Eu estou aqui”.

Neymar faz gesto para Usain Bolt após marcar gol de de falta sobre a Alemanha, na final do futebol masculino nas Olimpíadas Rio 2016 (Ivan Pacheco/VEJA.com)


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