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foto: Lúcio Bernardo Júnior/Câmara dos Deputados)


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), promete realizar na próxima segunda-feira a leitura em plenário do relatório que recomenda a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No entanto, admitiu que pode deixar a votação da perda de mandato para depois da apreciação do impeachment de Dilma Rousseff, porque afirmou que pretende levar tal recomendação ao plenário até as eleições municipais de outubro.

Como a decisão definitiva do impeachment está prevista para acontecer até o final de agosto, a tendência é a cassação de Cunha ser discutida depois, o que é um escândalo, porque o processo está pronto para ser votado, as acusações são graves e um adiamento só se explica pelo temor de contrariar o ex-presidente da Câmara antes da votação do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.
Cunha tem feito ameaças ao governo, ao PMDB e a um conjunto de deputados e senadores de outros partidos. Apesar de negar publicamente que pretenda retaliar, porque isso atrapalharia seu plano de tentar evitar a cassação, esse é o recado que aliados dele transmitem nos bastidores.
Deixar a votação da cassação do mandato de Cunha para depois da decisão sobre o impeachment de Dilma vai reforçar a versão histórica de um golpe parlamentar dado debaixo das barbas do Supremo Tribunal Federal. Cunha crê que teria mais chance de escapar da cassação após o provável impeachment de Dilma, beneficiado por um clima econômico melhor e pelo medo de que possa fazer revelações que reacendam o pavio da crise.
Como fez com Dilma, chantageando e tirando o pino da granada quando ficou sem saída, só ingenuidade para achar que ele não fará o mesmo no futuro. Afinal, na Justiça e na Lava Jato, ele não terá a compaixão que obtém no governo e no Congresso.  (Kennedy Alencar)

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