Militares da Turquia disseram nesta sexta-feira (15) em comunicado que assumiram o poder no país. O presidente Tayyip Erdogan disse à CNN turca, por telefone, que se trata de uma tentativa de revolta de uma minoria dentro das forças militares, um ato encorajado por uma “estrutura paralela” e que terá a resposta necessária.
Erdogan convocou o povo a ir às ruas. “Iremos superar isso”, afirmou. Ele disse ainda que aqueles que estão tentando um levante irão pagar preços altos na corte e que em um curto período de tempo a situação deve ser resolvida. O presidente disse também que está voltando para Ancara.
Caso a tentativa de derrubada de Erdogan, que governa a Turquia desde 2003, tenha sucesso, seria uma das maiores mudanças de poder no Oriente Médio nos últimos anos.
Segundo a imprensa internacional, o Exército está dividido, e há áreas dele que não apoiam a tentativa de golpe. O comandante das forças especiais da Turquia disse que “um grupo se envolveu em traição, eles não serão bem sucedidos, estamos a serviço do povo”. Ele disse ainda que as forças armadas não concordam com essas ações.
O comunicado dos militares diz que o poder foi tomado “em prol da ordem democrática” e que os direitos humanos vão permanecer. O comunicado diz ainda que todas as relações exteriores existentes vão continuar e que o respeito às leis deve ser prioridade.
O Ministro da Justiça turco diz que integrantes de um movimento que é leal ao clérigo opositor Fethullah Gulen, que mora nos EUA, organizaram a tentativa de golpe. Mas o grupo de Gulen disse condenar qualquer intervenção militar na política doméstica da Turquia.
A agência estatal Anadolu informou que 17 policiais foram mortos no quartel-general das forças especiais em Ancara.
Testemunhas disseram à Reuters que tanques abriram fogo contra o prédio do Parlamento turco e que helicópteros abriram fogo na agência nacional de inteligência. Um tiroteio foi ouvido também no aeroporto de Istambul e um helicóptero militar abriu fogo sobre Ancara.
O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, afirmou à emissora local NTV que o país sofre uma tentativa de golpe militar e que a ação está sendo levada a cabo por um grupo de militares "fora da cadeia de comando", mas que nada vai ameaçar a democracia turca. Ele afirmou que os responsáveis vão pagar "um alto preço".
Yildirim afirmou ainda que forças de segurança estão fazendo o necessário para resolver a situação. Ele pediu calma. “O governo eleito pelo povo continua no comando. Esse governo só sairá quando o povo disser”, disse.
Um pouco mais tarde, ele afirmou que prédios importantes estavam sendo cercados.
A população foi às ruas em várias cidades. Tiros foram ouvidos perto da Ponte do Bósforo, em Istambul (veja abaixo).


Postar um comentário