Nascido no Acre em 1920, ele iniciou sua trajetória política no Pará.
Como ministro, participou da reunião em que foi decretado o AI-5.
O ex-ministro, ex-senador e ex-governador do Pará Jarbas Passarinho morreu na manhã deste domingo (5) aos 96 anos, em Brasília, em decorrência de problemas de saúde devido à idade avançada, segundo nota divulgada pelo governo do Pará.
O velório teve início a partir das 13h na Paróquia Militar do Oratório do Soldado, na capital federal, cidade onde morava havia muitos anos. O enterro, com honras militares, está marcado para as 16h no Campo da Esperança, também em Brasília.
De acordo com o Exército, serão disparados tiros de fuzil e de canhão. O corpo será enterrado ao som da “Canção da Artilharia”, arma do Exército da qual Jarbas Passarinho fez parte durante a carreira militar.
Nascido em Xapuri, no Acre, em 1920, Jarbas Passarinho iniciou sua trajetória política no Pará. Foi oficial do Exército e, na ditadura militar, assumiu em 1964 o governo do Pará, indicado pelo presidente Castelo Branco.
Em 1966 deixou o governo do Pará e foi eleito senador pelo estado pelo partido Aliança Renovadora Nacional (Arena). Durante o mandato, foi convidado por Costa e Silva para assumir, em 1967, o Ministério do Trabalho e Previdência Social. Nesse mesmo ano, passou para a reserva com a patente de coronel.
Em 30 de outubro de 1969, em virtude do agravamento do estado de saúde de Costa e Silva, tomou posse na Presidência da República o general Emílio Garrastazu Médici, que convidou Jarbas Passarinho para o Ministério da Educação.
Ainda durante o regime militar, Jarbas Passarinho voltou ao Senado em 1974, Casa em que foi eleito presidente em 1981. O político foi ainda ministro da Previdência do governo de João Figueiredo, em 1983. Em 1986, foi eleito como senador para a Assembléia Nacional Constituinte, pelo PDS do Pará.
Após a redemocratização do país, foi Ministro da Justiça do governo Fernando Collor, de outubro de 1990 a abril de 1992, quando retornou ao Senado.
Jarbas Passarinho foi casado com Ruth de Castro Gonçalves Passarinho, com quem teve cinco filhos.
Repercussão política
Pelo Twitter, o presidente da República em exercício, Michel Temer, lamentou a morte de Jarbas Passarinho. "Quero expressar meus sentidos pêsames pela perda desse grande brasileiro, Jarbas Passarinho", escreveu em sua conta.
Também pelo Twitter, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que a morte de Passarinho representa uma "grande perda". "Morre Jarbas Passarinho, brilhante homen público deste país. Independentemente de concordarmos ou não com suas posições, é uma grande perda", afirmou.
O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, divulgou uma nota à imprensa em que destacou a "contribuição relevante" dele ao Brasil. "Ao mesmo tempo em que manifesta pesar em razão do falecimento do ex-ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, assinala a contribuição relevante por ele prestada ao país", diz a nota.
Por meio da assessoria de imprensa, o Exército divulgou nota em que “lamenta a perda do coronel Jarbas Passarinho e se solidariza com a família”.
Também por nota, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, disse que o "país perde um grande brasileiro". "Jarbas Passarinho esteve presente nos mais importantes acontecimentos da vida pública do nosso país. Foi governador, ministro e senador e sempre teve cuidado irreparável na administração da coisa pública", afirmou.
Algumas autoridades compareceram ao velório, entre elas o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.
Segundo Marco Aurélio Mello, Passarinho teve “uma passagem na vida pública muito fértil” e atuação “exemplar”. O magistrado também lembrou dos debates entre Jarbas Passarinho, que era da Arena, e o ex-senador Paulo Brossard, do então MDB, em lados opostos: Passarinho a favor do governo militar e Brossard contrário ao regime.

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