A
forma desconexa, formada por improvisação e imperícia
político-administrativa do Governo Dilma
Rousseff foi tratada por nós, no último domingo, quando firmamos o título
“TRISTEZA E SOLIDÃO NO PODER”. Mas, meu caro leitor, o primarismo, a falta de
substância no trato da coisa pública, aguçando a cada dia no Governo Federal,
clama por um despudor nunca antes visto no Brasil, e veja que, nos últimos
sessenta anos tivemos episódios trágicos e que balançaram os alicerçares da
pátria, como por exemplo, a tragédia do suicídio de Getúlio Vargas, em
24.08.1954; A renúncia abrupta de Jânio Quadros , em 25.08.1961, com os
militares exigindo a forma de governo parlamentarista para o vice-presidente
João Goulart poder assumir à presidência, e o governo sendo comandado pelo incontroverso
mineiro Tancredo Neves, como primeiro ministro; O golpe militar de 31.03.1964,
que dividiu e infelicitou por vinte e um anos a nossa nação, com o arbítrio matando brasileiros
qualificados que se opunham ao regime, perseguições, prisões arbitrárias,
cassações de legítimos mandatos eleitorais, conquistados pelo soberano sufrágio popular,
demissões no serviço público e expulsões de brasileiros notáveis do nosso
território; A doença , hospitalização e
calvário, com o impedimento de tomar
posse à Presidência da República do mesmo inolvidável Tancredo de Almeida Neves, justamente no dia
antecedente à sua posse, que imóvel na quase madrugada, da sala de cirurgia do Hospital de Base, de Brasília, clamava aos
seus médicos em pranto “No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar e tomar posse!” Mas, por um rápido consenso obtido entre políticos e militares, às primeiras
horas do 15 de março de 1985, foi dada ao seu vice-presidente José Sarney; O
impeachment de Fernando Collor de Mello, em 29.09.1992, deixando, novamente, a pátria
com o sentimento de acefalia.
O 11 de
Setembro da Presidente Dilma Rousseff, data trágica para os Estados Unidos da América, com os
ataques e mais de duas mil mortes nas torres gêmeas em Nova York, além de
paralelos atos terroristas em outros pontos do seu território, no ano de 2001, chegou
dois dias antes, quando a Standard & Poor's tirou do Brasil
o selo de bom pagador –atingindo
em cheio as torres política e econômica do atual governo. O que se seguiu foi um show de
improviso ainda maior que o visto desde a segunda posse da presidente. Joaquim
Levy deu duas entrevistas em menos de 24 horas para não anunciar nenhum corte
imediato de gastos do governo federal. Em vez disso, acenou com mais impostos e
uma pauta que depende da não-existente colaboração do Congresso. Foi uma fala
"naive", justamente de quem se espera pulso para comandar a economia.
O ministro repetiu que a sociedade – já pressionada por queda de renda,
desemprego e inflação – não se furtará a uma dose maior de sacrifício para
ajudar o país a atingir o superávit fiscal. Para piorar, o ex-presidente Lula
disparou que a avaliação das agências de risco não vale nada – o oposto de quando
regozijava de as mesmas agências promoverem o Brasil em seu governo– e se
contrapôs ao abatido Levy e a novas medidas de ajuste. E onde está Dilma diante
de tamanha descoordenação? Reuniu sua equipe para pedir "pressa" em
cortes que ninguém sabe quais serão e na reforma administrativa anunciada há
semanas e que até hoje não veio à luz. Alheia à gravidade do quadro, a
presidente negou que a situação seja catastrófica. Seu entorno já não disfarça
que duvida da capacidade da petista de indicar o caminho para contornar as
crises. Mais: resiste em mudar o núcleo político do Palácio do Planalto,
condição exigida tanto por Lula quanto pelo PMDB para continuar a lhe dar
(alguma) sustentação, a esta altura do campeonato, tarefa de muito difícil
operacionalização, continue ou não na Chefia da Casa Civil o autoritário e
boquirroto ministro Aluízio Mercadante. Enquanto isso, no Congresso Nacional,
avança com celeridade a articulação pró-impeachment, com participação de siglas
da base e assistida em silêncio pelo vice Michel Temer, potencial beneficiário
da saída de Dilma, e tendo como comandante das tropas de ataque o todo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo
Cunha, correligionário de Temer e desafeto da Presidente e do PT. Ministros atônitos apostavam no anúncio de
medidas concretas nesta sexta, o 11 de Setembro real. Quais? Em que áreas? Quantos ministérios a menos, já que são estratosféricos
39 atualmente? Quanto vai se economizar em salários graciosos para satisfazer
aliados aturdidos, por já se acharem na zona do rebaixamento do poder? Palacianos
e vizinhos não faziam a menor ideia. O dramático, e novamente traumático, é que
se cristaliza com rapidez nas ruas, pela voz rouca do povo, a que aludia o
brilhante deputado e hoje tão saudoso líder Ulisses Guimarães, na própria base
aliada, na oposição, no Judiciário, no Tribunal de Contas da União, na
OAB-Ordem dos Advogados do Brasil e na própria Procuradoria Geral da República
e no grande empresariado nacional a
convicção de que talvez já seja tarde demais para salvar o edifício
presidencial.
*Por Elviro Rebouças
Empresário e Economista.

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