O dia
dos pais tem calendário diversificado em mais de uma centena de países do
mundo. No Brasil, é comemorado no segundo domingo do mês
de agosto. No país a implementação da data é atribuída ao grande e saudoso
jornalista Roberto
Marinho, para
incentivar as vendas do comércio e, por conseguinte, o faturamento de seu
jornal e grande conglomerado de mídia. A
data escolhida foi o dia de São
Joaquim, sendo
festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953. Com o passar do tempo, ganhou amplitude sempre
resplandecente, perdendo, entretanto, para o segundo domingo de maio, dia da
rainha do lar, a figura inolvidável da mãe. Embora as mulheres, com justificativo direito,
estejam no mesmo patamar basilar da casa, o pai continua sendo a cabeça de cada
família. Deveres, obrigações na manutenção do ninho, experiência adquirida com
a labuta da vida, geralmente palavra final a ser ouvida para qualquer decisão,
enfim cabe ao pai, mesmo com a evolução da equidade, o papel de líder do clã.
O meu querido e saudoso pai, a quem hoje mais
uma vez peço licença ao leitor para reverenciar, Genésio Xavier Rebouças, nasceu
em Mossoró em 26 de agosto de 1919, filho de Elviro Amâncio Rebouças e Josefa
Xavier Rebouças, sendo o primogênito de uma prole de três irmãos, vieram ainda
Elvídio (Bibi) e Elvira, esta hoje nonagenária, lúcida e viúva do empresário
mossoroense Álvaro Paula da Costa, do grupo empresarial Paula Irmãos. O meu
pai, permita meu leitor esta imodéstia, foi um homem padrão de honestidade que conheci,
desde os meus primeiros passos e perenemente até a sua morte, com apenas 53
anos de idade, no dia 01 de fevereiro de 1973, abatido por um câncer que foi
diagnosticado, quarenta dias antes. Não
logrou grandes estudos, pobre de bens materiais, o salário só lhe dava o
suficiente para suprir as necessidades básicas de sua família, para onde
carreava o todo seu soldo, não nos faltando o básico, mas era inteligente,
sério, bom filho, excelente esposo e pai, tinha poucos amigos aos quais
dedicava fidedigna lealdade, modelo tão diferente dos tempos atuais. A palavra para ele valia como um documento, temperamento
dócil, respeitador e de um caráter de elevada fibra. Eram atributos próprios e
verdadeiros dele, e dos quais nunca abriu mão.
Milhares que o conheceram, e continuam vivos ainda podem testemunhar o
que aqui digo. Mais de quarenta anos
depois, tenho ainda hoje tanta saudade de qualidades importantes como essas,
que o tempo não conseguiu apagar em minha memória. Foi combatente, como pracinha, na segunda
guerra mundial, era humilde ao extremo, recatado, de casa para o trabalho, em
S.A. Mercantil Tertuliano Fernandes, chegando ao posto de gerente da fábrica de
óleo vegetal e resíduos do caroço de algodão, empresa à qual serviu por
contínuos 30 anos, inicialmente como agente em Apodi-RN., levado pelo seu
concunhado (e para mim uma figura notável e inesquecível) Francisco Xavier de
Queiróz, da qual era o Diretor Superintendente. Papai, matrimoniado com a minha querida mãe
Dolores, proporcionou na união o nascimento de seis filhos, eu, Everardo,
Evaldo, Tânia, Evônio e Tércia Maria. Ele teve o seu primeiro baque com o
acidente de Tânia, aos 14 anos de idade, em 23/01/1964 em Tibáu, com o
desabamento de um morro, sobrecarregado de água da chuva, sobre o seu pequeno
corpo, causando a fratura em duas vértebras de
sua coluna cervical, com perda de
parte da medula óssea. Com a ajuda da empresa, meu pai fez de tudo que lhe era possível, inicialmente em Recife, no Hospital Português, e, posteriormente, em São Paulo, no afamado Hospital das Clínicas, mas a medicina, até
hoje, não encontrou solução para tais casos. Em 23/01/1966, mesmo dia, mesmo
mês, dois anos depois, meu pai perdeu os últimos resquícios de brilho que ainda
lhe restavam nos olhos sofridos e desapareceram por completo os escassos
sorrisos dos lábios, com a tragédia batendo de novo à nossa porta, com a morte de Evaldo, por acidente de automóvel, na
estrada , chegando em Tibáu. Quantas coincidências? Continuou sendo amado, respeitado e apoiado pelos
cinco filhos sobreviventes, e em união perfeita com a minha querida mãe
Dolores, e a sempre fraterna participação dos seus parentes e amigos. Mas o seu
coração, extremamente ferido e sem a mínima felicidade, ainda bateu por sete
anos e nove dias, faltando a vida plena, prazerosa, que, na prática, lhe foi ceifada pelos dois infaustos episódios. O meu pai teve a
sabedoria de um mestre e a sinceridade de um verdadeiro amigo. Eu hoje, no Dia
dos Pais, ou em qualquer dia da minha vida, tenho tido muito orgulho dele!
Elviro Rebouças
economista e empresário


Postar um comentário