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“Pelo menos oito em cada dez latino-americanos mudaram seus hábitos de consumo para enfrentar a crise”, escreve economista mosoroense
 
POR ELVIRO REBOUÇAS 

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Elviro Rebouças é economista e empresário


Com o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgando sexta-feira, dia 10 de julho, sua previsão para o crescimento médio do PIB em 2,8% no mundo, em 2015, com destaque para a recuperação dos países ricos, como Estados Unidos, China, Índia, Alemanha e Japão, e a recuperação de vários países europeus, como França, Itália, Espanha e até Portugal, embora a Grécia esteja em desconfiança, é a sofrível a posição brasileira, com a expectativa tida como certa de decesso de 1,5% neste ano em nosso crescimento econômico, que chamou mais a atenção da xerife da economia mundial, a toda poderosa francesa Christine Lagarde , diretora geral do órgão. Esta dissonância foi destaque pelas maiores agências de notícias do mundo, como a Reuters, Bloomberg, New York Times, The Washington Post e o Financial Times. Com os juros crescendo todo o dia no Brasil, a inflação dando mostra que poderá atingir dois dígitos, de janeiro a dezembro, corroendo o poder do real, são, portanto, desconfortáveis as perspectivas da economia no Brasil. O Palácio do Planalto e o Congresso Nacional díspares na linguagem ininteligível, Para 88% dos brasileiros a crise econômica já chegou à sua vida pessoal, levando a um corte de gastos, mudança de hábitos de consumo e à busca por alternativas para aumentar a renda. As conclusões sobre o Brasil fazem parte de um levantamento feito pelo instituto Data Popular, especializado em hábitos de consumo das classes C, D e E, em cinco países da América Latina. O objetivo do trabalho foi descobrir como os latino-americanos estão enfrentando as dificuldades econômicas. Foram entrevistadas 2.644 pessoas em cinco países: Brasil, Argentina, México, Chile e Uruguai, representantes de todas as classes sociais. A margem de erro é de 1,99 ponto percentual. A pesquisa do Data Popular foi divulgada nesta quinta-feira, dia 9, em Madri, durante o XIV Encontro de Jornalistas latino-americanos promovido pelo banco Santander. De acordo com 58% dos entrevistados, a América Latina passa por um momento econômico ruim, sendo que os mexicanos (69% dos entrevistados) e argentinos (60%) são os mais pessimistas. Os brasileiros aparecem em terceiro, com 55% dos entrevistados considerando o momento ruim ou péssimo para a economia. A Venezuela não conta, vive uma guerra civil, O total de pessoas da amostra, nos cinco países, 45% disseram que esta é a pior crise econômica que já atravessaram. Entre os brasileiros, 97% disseram que o país atravessa uma grande crise econômica e 52% desse total avaliaram o momento como a pior crise já vivida no país. Pelo menos 72% dos entrevistados afirmaram ter tomado alguma atitude para aumentar seus rendimentos. Entre os brasileiros, esse percentual é de 71%, atrás de México (75%) e Argentina (72%). No Brasil, 68% dos entrevistados disseram ter feito um trabalho extra para melhorar seus ganhos. Entre as classes econômicas mais baixas, que têm maior peso no estudo, a forma de aumentar a renda foi “fazendo um bico”.


‘AJUSTE FISCAL FEITO PELA DONA DE CASA’

Pelo menos oito em cada dez latino-americanos mudaram seus hábitos de consumo para enfrentar a crise, mostrou o Data Popular. À frente dos demais países, 88% dos entrevistados no Brasil afirmaram ter mudado seu comportamento para reduzir gastos. Pelo menos 90% dos brasileiros entrevistados disseram ter economizado nas contas de casa; 84% deixaram de comprar alguns produtos no supermercado e 84% cortaram gastos com lazer. É o ajuste fiscal feito pela dona de casa, lembrando que 88% dos brasileiros começaram a comprar em supermercados que fazem promoções com preços mais baixos e 83% passaram a consumir marcas mais baratas. Com o ganho de renda, a população que virou classe média ficou mais exigente com a qualidade dos produtos. A troca por uma marca mais barata não significa que essas pessoas estão comprando agora produtos de má qualidade — explica o presidente do Data Popular, alertando que o levantamento mostrou que 88% dos brasileiros entrevistados buscam por melhores preços e 67% se informam sobre produtos mais baratos. O levantamento mostrou que os brasileiros (78% da amostra) são os que mais pechincham na hora da compra, seguidos pelos mexicanos (59%). Dos entrevistados no Brasil, 72% disseram fazer compras a prazo. Entre todos os países pesquisados, 63% dos entrevistados disseram que sem parcelamento não poderiam comprar os produtos a que se acostumaram. A pesquisa mostrou também que 42% dos brasileiros deixaram de pagar uma conta para pagar outra.


TRABALHO POR CONTA PRÓPRIA CRESCE COMO ALTERNATIVA AO DESEMPREGO

Com a piora do mercado de trabalho, o brasileiro está buscando no trabalho por conta própria uma alternativa para se equilibrar em meio à crise econômica. Segundo dados da Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, o número de empregados no setor privado (com e sem carteira) caiu em mais de 1 milhão de pessoas no trimestre entre março e maio, frente aos mesmos três meses do ano passado. No mesmo período, o número de pessoas que trabalham por conta própria ou são empregadores subiu em mais de 1,3 milhão de pessoas. No momento em que começou a apresentar perdas na carteira, começou a haver esse movimento (de aumento do contra própria e do empregador). Proporcionalmente, a maior perda foi no número de empregados sem carteira de trabalho. O grupo foi reduzido de 10,4 milhões de pessoas para 10,1 milhões de pessoas, queda anual de 3%. Já a quantidade de trabalhadores formais foi reduzida em 1,9%, na mesma comparação, passando de 36,7 milhões para 36 milhões de pessoas. Isso mostra que não foi só o emprego com carteira de trabalho que diminuiu, mas, de certa forma, o emprego de uma forma geral. Enquanto isso, o aumento no grupo dos trabalhadores por conta própria aumentou em 4,4%, alcançando 22 milhões de pessoas. Já o conjunto daqueles que são considerados empregadores — ou seja, os que têm negócios que empregam pelo menos um funcionário — aumentou em 8,1%. Em números absolutos, o grupo ainda é pequeno, chegando a 3,9 milhões de pessoas. O IBGE informou que deve divulgar em breve o detalhamento sobre o porte dos empregadores. Atualmente, o grupo engloba tanto as empresas mais estruturadas como os pequenos negócios, que geralmente surgem como alternativa ao desemprego em tempos de crise. Meu caro leitor, o quadro é perigoso. Economia, como ciência humana, merece respeito, nos princípios, no seu planejamento e na sua execução. Estamos, todos, pagando, um elevado preço pelos erros cometidos no primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff.

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