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Uma avaliação incisiva sobre a situação do Brasil por quem entende do assunto 

Por Elviro Rebouças 
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Elviro Rebouças é economista e empresário

Nunca, na história republicana brasileira, um Presidente da República eleito pelo voto popular, com apenas sessenta dias depois de empossado, (a Presidente Dilma Rousseff já foi reeleita), trouxe tanta desesperança aos seus próprios apoiadores e eleitores, quanto a atual Chefe de Estado. E tivemos aí figuras exóticas como Jânio Quadros, com uma vassoura na mão e, dentro da sua loucura, com suas forças ocultas nunca esclarecidas, e o fantasmagórico Fernando Collor de Mello, que injustamente, na eleição de 1989, fez crer que Lula eleito confiscaria a poupança popular, quando ele próprio, de forma pirotécnica, insana e cruel, já estava preparado para fazê-lo. Mas Alagoas, que já foi chamada de terra dos marechais e que nos deu figuras expressivas como Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, depois do impeachment do inimigo dos marajás já o brindou com dois mandatos, de oito anos cada , como seu Senador da República. Talvez hoje os mais animados correligionários da Presidente, fora da área do Partido dos Trabalhadores, sejam Renan Calheiros e Eduardo Cunha, os Presidentes das duas casas legislativas.

INFLAÇÃO DE DILMA CHEGA A 30,80%-
Em quatro anos e dois meses de mandato, a inflação pelo IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE – acumula 30,80%, a maior para 50 meses consecutivos, desde a implantação do Plano Real, em 01.07.1994. Em fevereiro último foi de 1,22%, e de março de 2014 a fevereiro de 2015, chega a 7,7%, extrapolando o teto da meta do próprio governo.

ATIVIDADE ECONÔMICA EM QUEDA -0,40% DO PIB-
A economia brasileira encolheu cerca de 0,40% em 2014, é a precificação do próprio Ministro da Fazenda Joaquim Levy, embora o IBGE só oficialize o percentual no final de março. A desaceleração da indústria ocorre desde o ano passado, mas começou a apertar o passo este ano, com a retração mais intensa dos consumidores e fim de incentivos tributários concedidos pelo governo e que eram condicionados a compromissos de manutenção de empregos no setor. A indústria brasileira de veículos produziu 200,1 mil veículos em fevereiro, um recuo de 28,9% na comparação com o mesmo mês de 2014, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nesta última quinta-feira. Na comparação com janeiro a retração foi menor: 2,3%. Com o resultado, o setor acumula perda de produção de 22% em relação ao acumulado do primeiro bimestre do ano passado, a 404,9 mil unidades. A ANFAVEA comunicou ao governo que espera uma retração superior a 15% para este ano, em relação a 2014.

DÓLAR JÁ CUSTA R$3,051 – AUMENTO DE 83,54% –
Em 31.12.2010, último dia do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar americano valia R$.1,665. Nesta última sexta-feira (dia 06), ele chegou a R$.3,056, uma estúpida elevação de 83,54% nos cinquenta meses do governo de Dilma Rousseff. Com um profundo agravante, hoje o Brasil tem sucessivos déficits na balança comercial, já que estamos importando muito mais do que exportamos, reversão que aniquila as perspectivas do nosso crescimento. A melhor maneira de aferir a saúde de uma moeda é analisando a evolução de sua taxa de câmbio em relação às outras moedas do mundo. A taxa de câmbio é um preço formado instantaneamente pela interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo. Se esses bilhões de agentes econômicos acreditam que a inflação de preços no seu país será baixa, sua moeda irá se valorizar. Se eles acreditam que a inflação está alta ou que ela será alta, sua moeda irá se desvalorizar. Grosso modo, a taxa de câmbio representa, em tempo real, a razão entre o nível geral de preços vigentes em dois países distintos. A taxa de câmbio entre dois países é igual à razão de seus níveis de preços relativos. Sendo assim, a evolução da taxa de câmbio é uma narrativa da evolução do poder de compra atual de sua moeda em relação a todas as outras. A conclusão, portanto, é que com a taxa de câmbio não há segredo: se ela está se desvalorizando por muito tempo, então é porque o país está em rota inflacionária. Se ela está se valorizando com o tempo, então é porque o país está em rota sadia. Não há mensurador mais confiável e mais acurado do que esse. O Real é a segunda moeda mais desvalorizada este ano frente ao dólar, já derreteu 14,75%, só perde para o bolívar venezuelano. Caso o leitor faça uma avaliação de que as notícias econômicas são todas ruins, eu tenho a dizer que, no momento, não vemos nenhuma favorável a pinçar. O próprio Banco Central do Brasil acaba de elevar a taxa SELIC – base de juros da economia nacional – para 12,75% ao ano, a maior dos últimos seis anos – desde janeiro de 2009. Portanto, infelizmente, nada a comemorar.

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