Independência

Independencia banner

O prefeito Silveira Júnior (PSD) anunciou três grandes obras para 2015: a construção do Monumento de Santa Luzia, o Hospital Municipal e a revitalização da Avenida Rio Branco. Foi durante longa conversa no “Cafezinho com César Santos”.
Ele mostrou-se otimista com o ano que está começando, mesmo sabendo que será de aperto das contas e investimentos públicos.
O prefeito fez um balanço do ano de 2014, considerando positivo, apesar das poucas obras realizadas em Mossoró. Ele diz que recebeu uma dívida de R$ 47 milhões e que baixo o passivo para R$ 9 milhões. Além do mais, enumerou ações nas áreas da saúde, educação e segurança pública.
O fato de ter o apoio do governador Robinson Faria (PSD) e do ministro Gilberto Kassab (Cidades) faz o otimismo aumentar.
Na entrevista, Silveira Júnior adianta que pretende fazer a permuta do Estádio Nogueira, a partir de uma Parceria Pública Privada (PPP), que permitirá, por gravidade, a construção do Centro Administrativo.

O SEU primeiro ano à frente dos destinos de Mossoró foi bastante movimentado, principalmente sob o ponto de vista político. Eleições suplementares e eleições gerais centralizaram as atenções. A gestão, porém, parece ter ficado em outro plano. Qual a avaliação que o senhor faz?
SILVEIRA JÚNIOR – Aliado ao que você falou, César, teve ainda a Copa do Mundo no Brasil que centralizaram as atenções, além, claro das dificuldades que é receber uma Prefeitura com orçamento elaborado e aprovado por outro prefeito. Nós recebemos a Prefeitura de Mossoró com muitas dívidas, que somadas chegavam a 47 milhões de reais. Sofremos mais ainda com a queda da economia local, principalmente com a retração dos investimentos da Petrobras. Isso afetou as finanças do município. Mas quero dizer que fechamos o exercício de 2014 reduzindo o passivo para apenas 9 milhões de reais. Foi uma redução de quase cinco vezes da dívida que encontramos. Isso permitiu que, apesar da turbulência, nossa gestão realizasse ações importantes para melhorar a vida das pessoas.

É POSSÍVEL, prefeito, afirmar que o ano de 2014 foi positivo sob o ponto de vista administrativo?
COM certeza. 2014 foi um ano de muitas conquistas no âmbito municipal. Na economia, o Caged de 2013, que é o saldo de contratar e demitir, fechou em 700 empregos, enquanto 2014 ficou acima de 2.400 novos empregos. Na Educação, foi o ano que mais se investiu nessa área, com 3,5 milhões de reais só em infraestrutura, 2 milhões de reais em tecnologia, kits robóticos, mesa digitais, livros, entre outros benefícios importantes. 2014 foi o ano que o município mais contratou professores. Em 2013 foram investidos 27% do orçamento em educação e em 2014 fechamos com 34%, ou seja, um salto de 7%. O resultado foi muito favorável. O Ideb do Estado, que ficou em 2.7, o nosso ficou em 5.2, e a média nacional 4.9. Foi um ano em que a educação de Mossoró mais ganhou medalhas, reconhecimento a nível estadual e nacional. Começamos a reforma de 18 escolas, construção de cinco ginásios, entre outras obras.
MAS, prefeito, outras áreas deixaram a desejar…
NÃO concordo. Veja a segurança, por exemplo. Criamos uma secretaria só para cuidar dessa área. Aumentamos de 180 guardas municiais para 246, já convocamos mais 100, saímos de três para sete viaturas e abrimos mais duas BICs (Base Integrada de Cidadania). Sabemos que 2014 foi um dos anos mais violentos, não só em Mossoró mas em todo o Estado e no País, porém, a maioria dos homicídios envolveu pessoas ligadas às drogas e gangues. Quero afirmar que fizemos a nossa parte para oferecer maior tranquilidade às pessoas, e afirmo que em 2015 faremos mais. Vamos aderir ao programa de combate ao crack, ampliaremos nossas ações, em parceria com o Governo do Estado e outras instituições, para que possamos devolver a paz a nossa população.

PREFEITO, há um clamor por melhor assistência na saúde pública, área que tem castigado a população. O senhor não acha que a saúde do município caiu em qualidade?
REALMENTE a população pede mais saúde, mas afirmo que não houve queda na rede municipal. Pelo contrário, investimos para ampliar e garantir assistência de qualidade.  Abrimos a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Belo Horizonte e dentro dessa unidade implantamos o setor de ortopedia. Essa é a única UPA do Rio Grande do Norte que oferece serviço de ortopedia. Atualmente está atendendo 90 pessoas por dia. Olhe a importância: antes, essas pessoas só tinham o Hospital Regional Tarcísio Maia; agora, com a nova opção, ajudamos a desobstruir o fluxo de pacientes do Tarcísio Maia. Abrimos o plantão odontológico no bairro Santo Antônio. As nossas UPAs funcionam com muita qualidade, não tenha dúvida. Eu, inclusive, desafio qualquer pessoa com um plano de saúde ser atendido mais rápido do que nas UPAs do município. Em qualquer hora do dia, o paciente é atendido em menos de 15 minutos, porque temos quatro médicos de plantão durante as 24 horas do dia.

MAS, por que as reclamações, prefeito?
NÓS conseguimos resolver a questão da emergência e estamos investindo na atenção básica, que é a principal. A gente conseguiu ampliar de 43 para 61 equipes da Saúde da Família (PSF) quando aderimos o Programa Mais Médicos do Governo Federal. Veja como melhoramos nessa área. Em 2013, a nossa avaliação era de apenas 23% positivo e 77% negativo, e fechamos 2014 de forma invertida, com 63% avaliada acima da média e apenas 37% abaixo da média, ou seja, tivemos um avanço de 40%. Sabemos que tem que melhorar muito, porque a saúde está falida a nível de estado e de país e a municipal não é diferente, mas fizemos avanços em muito pouco tempo.
O Senhor, então, faz uma avaliação positiva de sua gestão, apesar das reclamações?
NO TRIPÉ saúde, educação e segurança fizemos muito. Além disso, tiramos do papel obras que eram esperadas há muito tempo, como a erradicação da favela do Tranquilim. Hoje tem mais de 200 casas construídas lá que vamos entregar agora em 2015. São mais de 3.200 unidades habitacionais construídas em 2014 em parceria com o Programa Minha Casa Minha Vida. Esse programa é do Governo Federal, mas nós fomos a Brasília para ampliar o programa em Mossoró. Essas novas unidades iremos entregar em 2015. Realizamos obras de infraestrutura urbana, com a pavimentação de 14 ruas, reformamos 16 praças, implantamos cinco academias de terceira idade e fizemos muitas outras ações. 2014 foi um ano de muitas dificuldades, mas fizemos muito.

EM 2015 o senhor vai executar o orçamento elaborado e aprovado por sua gestão, portanto, com o seu projeto. É possível, então, a população esperar um governo com obras estruturantes?
NÃO tenha dúvida. Já garantimos 41 milhões de reais para o projeto de revitalização da Avenida Rio Branco. O contrato foi assinado com a Caixa Econômica Federal e as obras devem ser iniciadas logo. O nosso Corredor Cultural é bastante atrativo, mas hoje não alcança 20% de sua estrutura urbanizada, então, agora, vamos alcançar os 100% de área estruturada, ligando o Santa Delmira, na zona oeste da cidade, com a BR-304, na zona sul. As ruas serão asfaltadas, construiremos ciclovia com extensão de 12 quilômetros, as praças serão revitalizadas e a área totalmente iluminada. Essa obra será licitada até fevereiro e acredito que a obra terá início no mais tardar em abril. Outra obra que vai sair do papel é o Hospital Municipal. Hoje, a Prefeitura paga aluguel de salas, paga médicos, paga material, quando deveria ter o seu próprio hospital. Nós vamos realizar essa grande obra, até porque além de melhorar a saúde pública, vai representar uma grande economia nas finanças do município.

A PREFEITURA já tem os recursos para essa obra, prefeito?
NÓS já temos 6 milhões de reais alocados no orçamento de 2015 e temos uma emenda do deputado federal Fábio Faria (PSD) no valor de 1,3 milhão de reais para comprar equipamentos. Agora, vamos definir se vamos construir um novo prédio, se vamos comprar um já existente ou se vamos alugar. O certo é que vamos ter um hospital completo para atender todas as especialidades, cirurgias, consultas, enfim, oferecer assistência de qualidade.

PREFEITO, em 2014 o senhor anunciou a construção do Santuário de Santa Luzia para fomentar o turismo religioso.  Esse projeto sairá do papel em 2015?
VAMOS realizar essa importante obra. Temos 8 milhões de reais previstos no orçamento 2015, sendo 6 milhões na Infraestrutura e 2 milhões no Turismo e mais uma emenda parlamentar de Fabio Faria de 2 milhões de reais. Além disso, o governador Robinson Faria assumiu compromisso comigo para apoiar esse projeto. O importante é que conseguimos superar uma dificuldade na comunidade da Serra Mossoró já que alguns moradores eram contra a construção do Monumento de Santa Luzia. Hoje, todas as pessoas que possuem terra na serra são favoráveis ao projeto.
QUAL o valor desse projeto?
EU NÃO posso afirmar agora o valor global porque estamos na fase de elaboração do projeto. Agora em dezembro publicamos a licitação para contratar a empresa que fará o projeto, e só quando o projeto estiver pronto é que saberemos o valor da obra. Acredito que até o meio do ano será possível licitar a obra. O importante é que os recursos estão previstos em orçamento o que assegura a construção do Monumento de Santa Luzia. Essa é uma obra que vai movimentar o turismo religioso. Em Santa Cruz, na região do Trairi, depois da construção do Monumento de Santa Rita de Cássia, a cidade já recebeu de mais de 10 milhões de pessoas. Nossos técnicos fizeram uma visita e constataram esses números no livro de visita. Veja que Santa Cruz é uma cidade pequena em relação a Mossoró, então acreditamos que é uma grande obra para consolidar essa vertente que estamos abrindo para fortalecer o turismo. Imagine os visitantes em Mossoró ocupando a rede hoteleira, os restaurantes, o comércio, isso terá uma importância decisiva para o fortalecimento de nossa economia.

A equipe econômica do governo Dilma Rousseff avisou que 2015 será um ano difícil para a economia, de muito arrocho e que exigirá sacrifícios. Por gravidade, atingirá os estados e municípios. A sua gestão se preparou para enfrentar as dificuldades econômicas?
O ANO de 2014 já foi muito difícil, nós apanhamos muito devido às dificuldades financeiras, consequência das constantes e seguidas quedas de receita. Todas as fontes de arrecadação do município sofreram impacto. Isso nos permitiu um ajuste rigoroso das contas, ou seja, nossa gestão já vem se adequando às dificuldades financeiras. Por isso, apesar do quadro ser de arrocho, de corte de gastos, nós teremos condições de fazer investimentos em obras como o Hospital Municipal, o Monumento de Santa Luzia, a revitalização da Avenida Rio Branco, entre outras. O interessante é que a realização dessas obras também será boa para a nossa economia, uma vez que elas vão gerar emprego e renda e fazer o dinheiro circular na economia local.

O SENHOR agora está contando com o apoio do governador Robinson Faria, que é o presidente estadual do seu partido, o PSD, e tem o ministro Gilberto Kassab (Ministério das Cidades) que é o presidente nacional do partido. É possível acreditar que essa condição política garantirá mais ações para Mossoró?
A EXPECTATIVA é a melhor possível porque finalmente nós vamos passar a contar com mais apoio político-administrativo, o que não contamos no ano passado. Nós passamos a contar, agora, com uma gama de aliados, já que todos meus candidatos saíram vitoriosos das urnas, de deputado estadual a presidente da República. Além disso, nós conseguimos indicar uma pasta importante do governo Robinson Faria, que é a Secretaria de Recursos Hídricos. Mairton França, que era nosso secretário do Desenvolvimento e do Trabalho, fará um grande trabalho no Estado e, em particular, para Mossoró. Temos a questão do nosso rio que precisa ser revitalizado e Mairton tem competência para realizar a grande obra. O ministro Gilberto Kassab, que me chama de ‘prefeitão’, já tive com ele várias vezes e ele disse que o Ministério das Cidades está de portas abertas para Mossoró. Kassab disse que a nossa gestão fizesse os projetos e que dele terá o apoio incondicional. Vamos levar os projetos, bem elaborados, acreditando que faremos uma grande parceria. Então, estamos otimistas, porque também contaremos com o apoio do governador Robinson. Ele já estará em Mossoró na próxima terça-feira (6), para reafirmar o desejo de trabalhar em prol de nossa cidade e do Estado.
O ESTÁDIO Manoel Leonardo Nogueira, o Nogueirão, está sendo municipalizado a partir da iniciativa de sua gestão. O que senhor pretende fazer com a principal praça de esportes da cidade?
EU SEMPRE disse que sou contrário a tirar recursos de outras pastas para investir no Nogueirão. Pelo último levantamento que eu tive acesso, para recuperar o estádio, é preciso um gasto acima de 20 milhões de reais. Não é justo o município tirar recursos próprios, de outras pastas, para fazer esse gasto. Na época em que a Câmara Municipal iniciou um projeto para aprovar a permutar do estádio, havia a previsão de construir um novo estádio de 15 a 20 milhões de reais, mas esse projeto não seguiu adiante. O que é que acontece: nós queremos garantir o calendário do futebol de 2015 e 2016, vamos apoiar a vistoria que será feita pelo Corpo de Bombeiros e fazer o que for preciso para o estádio ser liberado para os jogos de Potiguar e Baraúnas. Mas a nossa ideia principal é conduzir uma PPP (Parceria Pública Privada) para a permuta do Estádio Nogueirão. Nós temos estudos que mostram que com o valor do Nogueirão é possível construir um novo estádio e um centro administrativo no mesmo local. Hoje nós pagamos 280 mil por mês de aluguel, teríamos essa economia com um centro administrativo. Acredito que até o meio do ano iniciaremos esse processo de permuta, com acompanhamento de uma comissão formada por representantes da Câmara Municipal, do Ministério Público, dos clubes de futebol e de entidades representativas da sociedade. Lembrando que só entregaremos o Nogueirão quando o novo estádio estiver construído pronto para sediar os jogos de futebol.

PREFEITO, o Orçamento Geral da União (OGU) 2015 tem aprovada uma emenda de 80 milhões de reais, de autoria da deputada Sandra Rosado (PSB), para a construção de uma arena multiuso em Mossoró, ou seja, um novo estádio. Como o orçamento será impositivo, os recursos estarão assegurados. Isso não inviabiliza a permuta, haja vista que a cidade não precisará de outro estádio?
SE ESSA verba for liberada, e torcemos que seja, não precisaremos fazer a permuta do Nogueirão. Depois, passaríamos a analisar o que fazer com o estádio. Se o Governo Federal liberar esses recursos, consequentemente não precisaremos da permuta. Então, quero afirmar que buscaremos o melhor caminho para o futebol e para a cidade como um todo. O que defendo é que Mossoró tenha um estádio de futebol à altura de sua importância, e que os recursos para essa obra não sejam retirados de outras pastas da administração municipal, como saúde, segurança ou educação. Vamos resolver em definitivo o problema do Nogueirão, isso é o mais importante.
* De Fato

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem

ESCRITA