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Deputada estadual anuncia que vai comandar um programa de rádio e que seu grupo está aberto para conversas com Rosalba e Fafá 
Por César Santos 
Deputada Larissa Rosado (PSB) a data de 31 de janeiro, quando a senhora conclui o mandato na Assembleia Legislativa, será um adeus ou um até já?
A pergunta feita à parlamentar, no “Cafezinho com César Santos”, teve na resposta a certeza que Larissa está mais do que viva para a sucessão municipal de Mossoró de 2016:
“Não é um adeus, nem um até já, porque vamos continuar a nossa luta em prol das pessoas.”
Larissa Rosado ficará sem mandato depois de 12 anos na Assembleia Legislativa. Isso, porém, não assusta a parlamentar. Para trabalhar pela população, diz, não é preciso ocupar mandato, mas, sim, ter vontade de servir às pessoas. O ensinamento, segundo ela, herdou do avô, deputado Vingt Rosado, transmitido pela mãe, deputada federal Sandra Rosado (PSB).
Nesta entrevista, Larissa Rosado faz uma avaliação dos seus três mandatos na Assembleia Legislativa, reconhece que o seu grupo político atravessa um momento de adversidade, mas garante que está inteiro para futuras disputas. No caso da sucessão mossoroense, a deputada manda o aviso:
“Vamos dialogar com os políticos, com os partidos e com a sociedade.”
A senhora vai ficar sem mandato a partir do dia 31 de janeiro, depois 12 anos na Assembleia Legislativa. Evidentemente, é uma mudança na sua vida pessoal e política. A senhora já definiu o que vai fazer a partir daí?
Primeiro, quero dizer que os nossos mandatos na Assembleia Legislativa foram bastante produtivos, principalmente em benefício para Mossoró e para toda nossa região. Tivemos uma atuação bem focada nos direitos das minorias, tivemos uma preocupação com a nossa economia, com a saúde, com habitação, com a educação. Através de nossa voz na Assembleia o clamor do povo chegou ao conhecimento das autoridades e assim fortalecemos a luta pela justiça social. Portanto, me sinto realizada pelo trabalho que fizemos e acredito que a população reconhece esse nosso trabalho, o que nos deixa com a sensação do dever cumprido.

E daqui pra frente, deputada?
Olha, César, embora eu tenha a consciência de que o nosso grupo passa por um momento de adversidade, quero afirmar que nós, tanto eu como a deputada Sandra Rosado, vamos continuar servindo ao povo de Mossoró. A deputada Sandra é assistente social, é advogada e com certeza continuará uma voz importante em defesa das pessoas. Cada um tem sempre um papel a desempenhar na sociedade e, para isso, não precisa de cargo político, por isso afirmo, o fato de ficar sem mandato não vai diminuir o nosso trabalho em prol de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Então, tem muita coisa a ser feita, temos projetos que serão colocados em prática em breve e esses projetos vão mostrar que a nossa voz vai continuar firme em defesa de nossa cidade e do nosso estado.
Que projetos são esses?
Vou citar um exemplo de nossa participação no dia a dia da sociedade mossoroense. Nós temos em vista para logo após o nosso mandato a apresentação de um programa de rádio que terá o caráter social e com participação popular. Através do programa daremos a oportunidade da população se expressar, apresentar as suas reivindicações, reclamar do que está errado e elogiar o que é certo. Então, mesmo a nossa voz não estando mais na Assembleia Legislativa durante um período, porque da política não vamos desistir, estaremos através do programa de rádio trabalhando em prol das pessoas, da nossa cidade e do nosso estado.

A senhora falou que a voz não estará na Assembleia Legislativa durante um período. É o indicativo de que pretende voltar?
Não estou aqui afirmando que serei candidata, nem é o momento para falar sobre isso. Quero apenas dizer que para trabalhar pelas pessoas não é preciso ter mandato, mas sim o interesse da coletividade. Então, através do programa de rádio, a nossa voz continuará a missão de defender os interesses da população. Tenho gratidão pelos mandatos que o povo a mim conferiu e tenho muita fé e coragem para continuar a nossa caminhada, seja através de um programa de rádio ou de um trabalho social. Vamos continuar trabalhando pelas pessoas, isso é uma certeza.

A senhora disputou as últimas quatro eleições pela Prefeitura de Mossoró, sem sucesso, mas sempre deixou claro que não iria desistir do projeto político. É certo afirmar que a senhora tentará outra vez em 2016?
Olha, César, é natural que você me pergunte isso, é natural que se especule isso, principalmente por parte dos jornalistas que escrevem sobre política ou das pessoas que gostam de conversar sobre política. E isso não me incomoda, pelo contrário. É certo que o nosso grupo participará da disputa municipal do próximo ano, mas seria precipitado dizer aqui e agora que temos o candidato escolhido. Nós vamos, naturalmente, apresentar um candidato no momento certo. Veja bem, embora não tenhamos alcançado êxito nas eleições de 2014, a nossa votação em Mossoró foi expressiva, fomos a mais votada na cidade para a Assembleia Legislativa. Por isso, acredito que essa aceitação dos mossoroenses nos coloca sempre na lista de possíveis candidatos. Mas quero dizer que nesse momento não estamos pensando nas eleições, até porque ainda é certo e muita coisa tem para acontecer.

A senhora recebeu mais de 25 mil votos e superou em votação candidatos que foram eleitos por força da regra eleitoral. Essa votação, apesar de a senhora não ter sido reeleita, lhe garantirá a candidatura em 2016?
A votação que recebi principalmente em Mossoró nos deixou muito felizes, porque é a certeza de que as pessoas aprovaram o nosso mandato na Assembleia Legislativa. A nossa votação realmente foi expressiva em nossa cidade. Se você observar os números das últimas eleições vai ver que nenhum deputado eleito teve uma concentração de votos em uma cidade como eu tive em Mossoró. Guardadas as devidas proporções, quem chega mais perto é o deputado Fernando Mineiro (PT) que foi bem votado em Natal, mas menos votos do que eu na cidade de Mossoró. Isso, porém, não significa dizer que serei candidata em 2016. A discussão de um nome para disputar a Prefeitura vai ficar um pouco mais pra frente e envolverá todos os políticos e partidos que estejam abertos ao diálogo. Essa abertura de diálogo, quero aqui dizer, não se limitará apenas a quem tem mandato ou aos partidos políticos, mas à toda sociedade que esteja à disposição para discutir um projeto para Mossoró.

Nas eleições municipais de 2008 e 2012 a senhora teve a companhia do PT, inclusive, compondo chapa com o candidato a vice-prefeito. Hoje, o PT faz parte do atual governo municipal. Outros grupos, como o da ex-governadora Rosalba Ciarlini e da ex-prefeita Fafá Rosado estão distantes do seu grupo. Como é que a senhora vai costurar apoios para a sucessão de 2016?
Quando chegarmos mais próximos a 2016 nós vamos ter conversa com todos os partidos e grupos que queiram dialogar com o nosso grupo. Não vejo dificuldade de conversa com qualquer partido, até porque fazemos política dialogando. Hoje, é verdade, o PT ocupa um espaço no governo do prefeito Silveira Júnior (PSD), tendo a vice-prefeitura com Luiz Carlos Martins, mas não sei se até 2016 eles estarão fechados para conversa. A política é dinâmica e o quadro muda de acordo com o momento. O certo é que nós estaremos abertos para dialogar com nossos parceiros políticos e futuros aliados. Poderemos, por exemplo, dialogar com a ex-governadora Rosalba Ciarlini. Imagino que a dinâmica da política mossoroense, exposta nos últimos processos eleitorais, hoje todo mundo pode conversar com todo mundo. Assistimos recentemente mudanças em curto tempo e isso acabou formando um novo quadro.

Como assim, deputada?
Nas eleições de 2014, por exemplo, Rosalba Ciarlini declarou apoio à deputada federal do PT Fátima Bezerra para o Senado. Quem acreditaria nisso no passado recente? Então, da mesma maneira que Rosalba, até então filiada ao Democratas, que é adversário histórico do PT, deu esse apoio a Fátima, nós também estamos abertos a conversar com novos parceiros políticos. Mas vou repetir: nós vamos procurar tanto os partidos políticos que tenham a legitimidade de participar do processo eleitoral, como abriremos diálogo com a população. Vamos ouvir as pessoas porque elas é que vão dizer qual será a nossa posição política.

Essa abertura de diálogo que a senhora defende inclui o grupo da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), com quem o seu grupo briga, no sentido político, desde 2003?
É possível sim. Não vamos fechar portas para nenhum grupo político. Agora, não sei qual é a disposição e o que eles pensam para o futuro. O fato é que o nosso grupo, formado por nossa militância, amigos e dois vereadores (Lairinho Rosado e Vingt-un Neto, irmão e primo de Larissa, ambos do PSB), estará aberto para as conversas com vista às eleições do próximo ano.
Deputada, o seu grupo político estará fragilizado em termos de mandato a partir do dia 1º de fevereiro. Sem a cadeira na Câmara dos Deputados, que tinha há mais de cinco décadas, desde o mandato do seu avô Vingt Rosado, sem a vaga na Assembleia Legislativa, que era exercida desde 1986 com o mandato do seu pai, Laíre Rosado. Como o grupo pretende se reerguer na política do RN?
Eu não partiria do ponto que o nosso grupo se resume a mandatos, porque embora não tenhamos os mandatos, nós vamos continuar a nossa atuação, a nossa luta em defesa das pessoas. Eu vou lembrar uma passagem importante do meu avô Vingt Rosado: No momento que ele estava com muita dificuldade de saúde e já não exercia mais o mandato de deputado federal, ele recebeu uma visita do então governador Garibaldi Filho (PMDB) e, naquele momento, ao invés de lamentar dos problemas de saúde que enfrentava, ele entregou um papelzinho anotado o que Mossoró precisava; ele já estava reivindicando ao governador benefícios para a nossa cidade. Então, baseado no exemplo do meu Vingt Rosado, nós vamos continuar trabalhando pelas pessoas, e a nossa representatividade está legitimada pela grande quantidade de votos que tivemos em Mossoró e no Estado. Eu tenho certeza de que quando precisarmos falar com o governador Robinson Faria (PSD) ou precisar fazer uma reivindicação ao prefeito de Mossoró, eles não vão se negar a receber, porque nós vamos levar o desejo do povo de nossa cidade e do nosso Estado. É esse trabalho incansável que sempre realizamos e vamos continuar realizando. Isso vai fazer com que o nosso grupo permaneça grande.

Mas, deputada, embora a votação da senhora tenha sido expressiva em Mossoró, o eleitor de modo geral não renovou o seu mandato e o mandato de sua mãe deputada Sandra Rosado. Isso não sugere uma avaliação mais profunda?
Veja só, César, você está falando da decisão do eleitor, mas observe que existem vários deputados eleitos que não atingiram a nossa votação, mas foram eleitos por força da legislação eleitoral. Reconhecemos que houve uma mudança muito grande, porque a partir de agora Mossoró terá apenas um deputado federal em Brasília. Eu espero que Betinho Rosado (PP) possa ter um bom desempenho, que honre o mandato e lute por Mossoró como o deputado Betinho, o pai, e a deputada Sandra fizeram até aqui. Da nossa parte, afirmo, a deputada Sandra, mesmo depois do mandato, vai continuar o trabalho que ele vinha desempenhando desde o mandato de deputada estadual e em Brasília. Agora, é verdade que Mossoró perde em representação porque a deputada Sandra sempre foi aguerrida e sempre lutou com todas as suas forças em defesa de Mossoró. Se você fizer um levantamento de emendas parlamentares que beneficiaram a cidade, encontrará com facilidade o DNA da deputada Sandra. Também encontrará o DNA de Betinho Rosado, que sempre colocou o seu mandato à disposição de Mossoró. Entendo que sem os nossos deputados a cidade perdeu, isso é fato. Não estou fazendo críticas a outros parlamentares, mas apenas constando o que é fato e verdade. Agora, entendemos que o momento nos sugere uma reflexão e a certeza de que devemos continuar ainda mais próximos do nosso povo, que é quem nos ampara.
Como a senhora está acompanhando a gestão do prefeito Silveira Júnior?
Eu vou colocar aqui não apenas a minha avaliação, mas o que temos ouvido das pessoas: não está bom. Uma servidora pública municipal me fez um relato que não havia recebido o salário em sua totalidade. Isso mostra a falta de compromisso da gestão municipal com os servidores. Se aconteceu com essa servidora que me procurou, certamente acontece com outros. Quando nós andamos nas ruas da cidade, ouvimos as reclamações da precariedade da mobilidade urbana, que vai desde ruas esburacadas até o sistema do transporte coletivo caótico. São reclamações ligadas à saúde pública, feitas por pessoas que procuram atendimento e não são devidamente assistidas porque o sistema de saúde do município não está funcionando bem. O que a gente pode observar da gestão atual é que muita promessa feita e pouca promessa cumprida.

Mas, deputada, o prefeito Silveira Júnior tem recebido o respaldo, através do voto, em todas as disputas eleitorais que se envolveu até aqui. Isso não é aprovação popular?
Não tenho exatamente essa visão de que o voto dado a esse ou aquele candidato é o atendimento a uma pessoa. O eleitor tem a oportunidade de escolher. Vamos dar uma exemplo: a senadora diplomada Fátima Bezerra, que recebeu o apoio do prefeito, mas foi bem votada e eleita pelo desejo da população de uma maneira geral. Quando nós estamos na política temos que ter a compreensão de que existem os momentos da derrota e da vitória, mas também existem as formas como essas derrotas ou vitórias acontecem. Não vejo que as vitórias dos candidatos do prefeito sejam um julgamento mais puro da realidade que vive hoje Mossoró.

Esse não é o discurso de quem vai enfrentar o prefeito nas eleições de 2016?
Não. Esse é o sentimento que eu encontro na cidade. O sentimento da falta do compromisso, da falta de assistência às pessoas no dia a dia. Dos questionamentos do que estão sendo feitos e de como são aplicadas as verbas públicas, qual o grande projeto para Mossoró. Pode ser que daqui a poucos dias eu faça outra avaliação, reconhecendo que melhorou ou que alguma obra feita pelo prefeito foi interessante, mas hoje eu não vejo isso nas ruas da cidade de Mossoró. Eu não tenho nenhum problema como cidadã, como política, como mãe que sonha com uma sociedade mais justa para as famílias, fazer o reconhecimento de uma boa ação seja de uma pessoa ou de um gestor público. Mas não vamos antecipar 2016. Não estou fazendo discurso, apenas constando uma realidade.
Qual é o recado que a senhora manda para o seu eleitor, deputada?
Quero fazer um agradecimento não só ao nosso eleitor, mas à população como um todo: a nossa votação em Mossoró nos emocionou, nos fortaleceu para continuarmos na vida pública, independente de um mandato ou não. É com esse abraço, é com esse aperto de mão, é com a fé que foi depositada em mim nas ruas, que nós vamos continuar a nossa luta em prol da sociedade. Meu recado é de gratidão.

Para concluir, deputada, 31 de janeiro será uma despedida ou um até já?
Não será um adeus, também não será um até já, porque não haverá interrupção do nosso trabalho em prol das pessoas. A nossa posição é de continuidade.

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