Luiz Gonzaga já cantava alto e em bom som que "no Ceará não tem disso,
não". E, ao que parece, no estado vizinho as coisas são diferentes
daquelas do nosso Rio Grande do Norte. Quando o município de Luís Gomes
passou quase um ano sem receber água, os políticos da região diziam que
estava faltando vontade política da governadora para resolver o
problema. As dificuldades foram aumentando, os reservatórios diminuindo
os volumes e o racionamento sendo determinado pela Caern, atingindo
vários outros municípios. Hoje, todos estão nas mãos de São Pedro, sem
saber se a falta d’água comprometerá o abastecimento de outras
localidades ou se o racionamento será suspenso, ou se a água chegará a
Luís Gomes. Mas, no Ceará, a situação é diferente. Mais diferente de
todos, porque está levando água daqui para Paracuru, CE.
Quando em 1993 a população de Fortaleza esteve ameaçada de ficar sem água, o governador Ciro Gomes inventou o Canal do Trabalhador. Foi um canal artificial, com 113km de extensão, captando águas do rio Jaguaribe, provenientes do Açude Orós. Despejando as águas no Açude Pacajus, estava garantido o abastecimento de água de toda a região. O canal foi construído em tempo recorde, três meses, com sua construção compartilhada por 12 empresas. Durante a década de 1990, falava-se em racionamento de água em diversas capitais. Mesmo não chegando a esse ponto, o estado do Ceará se planejou de uma maneira tal, tanto no gerenciamento dos recursos hídricos como no planejamento de obras, que podemos afirmar que, atualmente, Fortaleza é uma das capitais com melhor segurança hídrica no Nordeste.
O problema da falta d’água assusta os norte-rio-grandenses, daí a surpresa em ver publicado no jornal O Povo, do Ceará, a manchete "A Petrobras está buscando água em Mossoró (RN) para suas operações em Paracuru (CE)". O recurso hídrico "viaja" 300 quilômetros, de navio, mas a produto não falta às atividades da Petrobras em Paracuru. A água é levada de Mossoró porque, no Ceará, a estatal está desautorizada a utilizar a água da Lagoa Grande, que abastece Paracuru. Motivo, está sendo aplicada a premissa do uso prioritário da água para o consumo humano e a dessedentação de animais, conforme a Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos. Por isso que se diz que no Ceará não tem disso, não. Faltou água em seu território, vem buscar em Mossoró.
É difícil aceitar que a Petrobras transporte água de Mossoró, em navios, num percurso de 300km e municípios bem mais próximos aos nossos reservatórios não tenham água suficiente para consumo humano e para uso dos animais. Não defendo o radicalismo da política "a água é nossa", como houve com o petróleo. Questiono o governo estadual não haver procurado uma solução para atender "os irmãos e irmãs", como diz Rosalba em seus discursos. Pode-se dizer que não haverá tempo suficiente para uma política de oferta d´água, com apenas 10 meses para terminar o seu governo. Discordo, mais uma vez. A convivência com os longos períodos de estiagem deve obedecer a uma política permanente, pois seus efeitos sempre estarão presentes no semiárido potiguar. Vamos fazer como o Ceará, pois lá não tem disso, não.
*Por Laire Rosado
Quando em 1993 a população de Fortaleza esteve ameaçada de ficar sem água, o governador Ciro Gomes inventou o Canal do Trabalhador. Foi um canal artificial, com 113km de extensão, captando águas do rio Jaguaribe, provenientes do Açude Orós. Despejando as águas no Açude Pacajus, estava garantido o abastecimento de água de toda a região. O canal foi construído em tempo recorde, três meses, com sua construção compartilhada por 12 empresas. Durante a década de 1990, falava-se em racionamento de água em diversas capitais. Mesmo não chegando a esse ponto, o estado do Ceará se planejou de uma maneira tal, tanto no gerenciamento dos recursos hídricos como no planejamento de obras, que podemos afirmar que, atualmente, Fortaleza é uma das capitais com melhor segurança hídrica no Nordeste.
O problema da falta d’água assusta os norte-rio-grandenses, daí a surpresa em ver publicado no jornal O Povo, do Ceará, a manchete "A Petrobras está buscando água em Mossoró (RN) para suas operações em Paracuru (CE)". O recurso hídrico "viaja" 300 quilômetros, de navio, mas a produto não falta às atividades da Petrobras em Paracuru. A água é levada de Mossoró porque, no Ceará, a estatal está desautorizada a utilizar a água da Lagoa Grande, que abastece Paracuru. Motivo, está sendo aplicada a premissa do uso prioritário da água para o consumo humano e a dessedentação de animais, conforme a Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos. Por isso que se diz que no Ceará não tem disso, não. Faltou água em seu território, vem buscar em Mossoró.
É difícil aceitar que a Petrobras transporte água de Mossoró, em navios, num percurso de 300km e municípios bem mais próximos aos nossos reservatórios não tenham água suficiente para consumo humano e para uso dos animais. Não defendo o radicalismo da política "a água é nossa", como houve com o petróleo. Questiono o governo estadual não haver procurado uma solução para atender "os irmãos e irmãs", como diz Rosalba em seus discursos. Pode-se dizer que não haverá tempo suficiente para uma política de oferta d´água, com apenas 10 meses para terminar o seu governo. Discordo, mais uma vez. A convivência com os longos períodos de estiagem deve obedecer a uma política permanente, pois seus efeitos sempre estarão presentes no semiárido potiguar. Vamos fazer como o Ceará, pois lá não tem disso, não.
*Por Laire Rosado

Postar um comentário