| Elviro Rebouças |
Mas a Presidenta Dilma Russeff, aqui no Brasil, apesar de acompanhar as duas coisas, tem problemas de sobra e mais o que fazer aqui mesmo. A constituinte exclusiva não sobreviveu 24 horas e o plebiscito este ano já está fora de cogitação. De concreto, agora, a sugestão de Lula para que a chefe de estado corte alguns ministérios, muitos, todos nós sabíamos no nascedouro, desnecessários. Os manifestantes nas ruas, são um sinal claro da insatisfação que palpita no coração de cada brasileiro, mesmo dos que ficam em casa, pacificamente, e pedem todos (muito acima de reduzir passagens de ônibus em R$.0,20) melhorias concretas na saúde, na educação e na segurança públicas no país, que, diga-se, tanto no Rio Grande do Norte quanto em São Paulo, vão de mal a pior. Mais do que reformas políticas, mais do que plebiscitos ou constituintes, o que o clamor das ruas pede é uma nova postura de nossos homens públicos, uma nova maneira de se relacionar com a coisa pública. Em vez de uma reforma política proposta como a solução mágica para os problemas, o que o povo quer é mais eficiência e transparência no gasto público de todos os que têm mandato.
O buraco de US$ 3 bilhões no comércio exterior, o pior resultado no primeiro semestre nos últimos 18 anos, está aí posto, enquanto o Ministro da Fazenda, cada vez que fala à imprensa precifica dados econômicos que, na prática, não são consistentes. De janeiro a junho, as nossas exportações somaram valor de US$.114,5 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$.117,6 bilhões, segundo o próprio governo, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior- MDICE. A indústria diminui a sua produção, a inflação acelera, o dólar americano ameaça chegar aos R$.2,30, as vendas no varejo mostram arrefecimento,em todos os segmentos, cada dia importamos mais petróleo, ( hoje cerca de 500 mil barris por dia), e lembrar que no final da última década tivemos superávit comercial de US$.48 bilhões, e a unidade da moeda americana valia R$.1,65, parece uma drástica (e dantesca) mudança de cenário.
A receita das vendas externas, de US$ 114,52 bilhões de janeiro a junho, ainda foi 0,7% menor que a dos primeiros seis meses de 2012. Ao mesmo tempo, o gasto com importações, de US$ 117,6 bilhões, foi 8,4% maior que o de um ano antes. Houve alguma reação em junho, mas bem menos notável que a indicada pelos números oficiais. . A erosão do superávit comercial, mais acentuada a partir de 2011, resultou de vários fatores com pesos diferentes em desiguais momentos. A valorização do real encareceu as exportações e barateou as importações. Isso resultou em parte da grande oferta de dólares, mas a inflação acentuou o desajuste cambial. Custos importantes, como o da mão de obra, reduziram o poder de competição dos produtores nacionais.
Embora seja anunciada pelo IBGE uma safra agrícola para o ano de 185 milhões de toneladas, 14% superior a do ano passado, sejamos hoje os maiores produtores mundiais de minério de ferro, de soja, de café, de laranja, de cana de açúcar, e tenhamos um rebanho bovino superior a 230 milhões de cabeças, e extrairmos diariamente 2 milhões de barris de petróleo, mesmo assim, não estamos conseguindo objetivar nossa expansão comercial, no que convenhamos é lamentável. Somos o terceiro maior produtor agrícola do planeta terra, atrás dos EUA e da China. Aqui somos prejudicados por uma carga tributária brutal, e pela falta de infra-estrutura e logística do Governo Federal.
Uma das consequências dos vários erros cometidos pelo governo – na diplomacia e na política interna – foi a dependência crescente das exportações de commodities, isto é, de produtos básicos e semimanufaturados. Neste ano, as vendas desses dois tipos de produtos, embora menores que as de um ano antes, ainda proporcionaram, em conjunto, 60,4% da receita de exportações. As exportações de manufaturados (37,3% do valor total) aumentaram 0,4%,
No mercado financeiro, a projeção mais recente é de um superávit comercial anual de esquálidos US$ 4 bilhões, ou seja, praticamente um quinto do obtido em 2012, de US$ 19,41 bilhões. No começo do ano, projetava-se um saldo de US$ 15 bilhões. Você leitor verificou como no Brasil os números e previsões econômicas são manipulados?
(*) Elviro Rebouças é economista

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