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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta 3ª feira (23.nov.2o21) que sua conta no exterior é “absolutamente legal”. Disse que não entrou no governo por oportunismo, para ter acesso a informações privilegiadas, e sim para contribuir com o crescimento do país.

Guedes afirmou ainda que sempre buscou a independência do Banco Central para que a autoridade monetária tivesse independência nas decisões que impactam o dólar. “Eu estou aqui porque acredito em um Brasil melhor”, afirmou.

A declaração foi na Câmara dos Deputados. O ministro foi ao local prestar esclarecimentos sobre sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.

“Offshore é um veículo de investimento absolutamente legal. É absolutamente legal. Por razões sucessórias, se comprar ações de empresas, se tiver uma conta em nome da pessoa física, se você falecer, 46%, 47% é expropriado pelo governo americano. Tendo uma conta em pessoa física, todo seu trabalho de vida, ao invés de deixar para herdeiros, vira imposto sobre herança. Então o melhor é usar offshore, que está fora do continente”, disse.

O caso foi revelado pelo Pandora Papers, investigação do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, na sigla em inglês) em parceria com o Poder360 e 149 veículos sobre finanças internacionais e paraísos fiscais. A reportagem que mostrou que Paulo Guedes possui uma offshore ativa nas Ilhas Virgens Britânicas foi publicada em 3 de outubro.

“A offshore é como se fosse uma ferramenta, uma faca, pode usar para o mal, para matar alguém, ou para o bem, para descascar uma laranja. Eu fiz um depósito lá fora, em 2014 e 2015, e nunca mais tive saco de trazer para o Brasil. Não houve mais depósitos ou remessas ao Brasil. São recursos que foram e fazem parte da sucessão familiar.”

O ministro explicou que a administração dos recursos é terceirizada para um “blind trust”, uma empresa privada no exterior. Disse que não há interferência de sua família.

“São recursos da família que estão lá, estacionados. Nenhuma operação com empresas brasileiras listadas em bolsas, que estão fazendo IPOS, índices brasileiros, não tem nada disso. São fundos de longo prazo, recursos da família, transparentes, registrados no BC, com origem, declarados à Receita Federal todos anos”, disse.

O ministro afirmou ainda que as acusações de que ele teria omitido a participação de sua filha e mulher são “narrativa política, covardia, desrespeito aos fatos”.

Segundo ele, é óbvio que seus familiares estão na empresa porque é “uma obviedade” que elas ficaram em seu lugar. Mas negou conflito de interesses. “Os órgãos competentes sabem porque está lá nos registros da empresa.”

INVESTIMENTOS

O ministro afirmou que construiu seu patrimônio com sua carreira como economista. Citou a fundação do Banco Pactual e de outras empresas da qual foi sócio.

Citou ainda que abriu a maior escola de ensino básico brasileiro, na Abril Educação, no Ibmec e no Insper, além de ter iniciado os cursos de MBA (Master Business Administration), um treinamento para executivos, no Brasil.

“Eu fiz muitos investimentos e criei muitas oportunidades empresariais para muita gente. Eu tenho muitos ex-sócios que podem dizer quem sou eu, de onde eu vim e o que eu consegui. Meu patrimônio tem origem”, disse Guedes.

“Quando entrei no governo, desinvesti com prejuízo. Quando abri mão de 9 anos de trabalho, desinvestindo a preço de investimento. Tudo o que a minha mão alcance, tudo o que estou fazendo há oito, nove anos, vendo e abro mão dos rendimentos de capital. Não vou ter esse ganho. É um investimento para o país”, declarou.

“Quanto ao câmbio, ninguém lutou mais por um BC independente do eu eu. Se quisesse manipular o câmbio, mantinha o BC sob meu comando. Agradeço à Câmara por ter aprovado o BC independente, pois tira o espaço de atuação do Ministério da Economia. É a despolitização da moeda.”

GUEDES E PINOCHET

O ministro usou sua fala para rebater críticas que recebe por ter concordado em dar aulas na Universidade do Chile nos anos 1980. Naquela época, a instituição e o país andino estavam sob intervenção da ditadura militar liderada pelo general Augusto Pinochet.

“Um professor pode ser culpado por um regime militar no Chile e tinha um regime militar no Brasil! Entre aspas “duas ditaduras”. O professor em vez de trabalhar no Brasil e trabalhar por 6 meses no Chile trabalhou no Brasil? Eu não trabalhei pra ninguém. Eu nunca vi o Pinochet na vida, nem sei do que se trata. A minha politização é tardia”, afirmou. “A minha paixão sempre foi a economia”.

CONVOCAÇÕES

De lá para cá, Guedes foi alvo de 3 convocações na Câmara. A da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço foi em 5 de outubro, 2 dias depois da publicação da reportagem. A da Comissão de Fisc foi em 6 de outubro.

Os requerimentos de convocação foram dos deputados Kim Kataguiri (DEM-SP) e Paulo Ramos (PDT-RJ). O ministro também foi convocado pelo plenário da Câmara em 6 de outubro.

Poder 360



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