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Entre as várias homenagens recebidas no país devido a seu centenário de nascimento, o educador Paulo Freire recebeu na quinta-feira (23) o título de cidadão natalense (post mortem) durante sessão solene no plenário da Câmara Municipal de Natal. Na ocasião, a governadora Fátima Bezerra recebeu a comenda em nome da família. A homenagem in memorian foi proposta pelo vereador Pedro Gorki. 

“Paulo Freire quando desenvolveu aqui seu método de alfabetização, junto com sua equipe, conseguiu uma proeza extraordinária, que foi em 40 horas ensinar àqueles homens e mulheres simples, do povo, não apenas a ler e a escrever, mas a compreender o mundo, a partir do momento que essa pedagogia se ampara numa coisa fundamental: a realidade em que estão inseridos”, disse a governadora e professora Fátima Bezerra em seu discurso durante a solenidade. 

A governadora lembrou da recente inauguração, no domingo passado (19), da escultura denominada “Quarenta horas de Angicos”, uma homenagem do Governo do Estado, feita pelo artista visual Guaraci Gabriel, ao pedagogo na cidade de Angicos. Lembrou que teve a honra de conceder o título de cidadão norte-rio-grandense a Paulo Freire em 2010, quando então era deputada. Também reforçou que a melhor forma de homenagear o educador foi com o projeto da Nova Escola Potiguar (PNEP) – que inclui a criação dos Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte, os IERNs. Um investimento de mais de R$ 400 milhões que reúne um conjunto de ações estruturantes que marcarão um novo momento da educação estadual no RN - o que se soma à incansável luta de Fátima Bezerra pela resultante expansão dos IFRNs no estado.

“Freire permanece vivo em cada passo esperançoso que damos rumo a uma sociedade de igualdade e de justiça. Em cada homem e em cada mulher que se levanta contra a miséria, a injustiça, a exclusão, o autoritarismo. Paulo Freire não morreu, vive aqui, dentro de cada um de nós”, discursou o vereador Pedro Gorki, propositor da homenagem.

Na homenagem estava presente a neta de Paulo Freire, a arte-educadora popular Sofia Freire, que representou a família. “Todo o convite ao diálogo que está presente na obra do meu avô Paulo Freire é um convite feito ao amor. É uma forma de estar presente no nosso tempo histórico, se se fazer responsável com nosso momento presente”, afirmou Sofia. “Entender quais são as nossas incompletudes, nossas limitações, nossa realidade e nossas incoerências para poder, a partir daí, estar presente na escuta íntegra do outro. Poder construir, junto com o outro, esse mundo mais igualitário”, disse emocionada.

"As 40 horas de Angicos"

No domingo passado, dia 19 de setembro, foi comemorado o centenário de nascimento de Paulo Freire. O educador é o Patrono da Educação brasileira, e realizou uma experiência no município de Angicos, Rio Grande do Norte, que se tornou referência no mundial como método de alfabetização de adultos de imenso sucesso - as “40 horas de Angicos”. Em 1963, há 58 anos, às margens do rio Pataxó, Paulo Freire alfabetizou 300 trabalhadores e trabalhadoras rurais. O presidente era João Goulart e o governador do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves. 

Freire costumava afirmar que “ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo”. Em sua pedagogia cabe a quem ensina reconhecer, acolher e respeitar o saber de quem aprende, pois acreditava não existir um saber único, absoluto, mas os saberes de cada um, de cada povo, de cada comunidade, de cada indivíduo, empalidecendo a construção do conhecimento como mera transmissão de conhecimento, geralmente feito de cima para baixo. Para ele, o educando não é uma caixinha vazia, mas um sujeito (não um indivíduo) autor de sua história, e capaz de reconhecer seu lugar no mundo – mundo este passível de ser transformado.

Durante o exílio, no período da ditadura militar, Paulo Freire espalhou sua pedagogia crítica pelo mundo. Morreu em 1997. É o terceiro teórico mais citado em trabalhos na área de humanas a nível mundial. É também detentor de mais de 40 títulos de doutor honoris causa. A “Pedagogia do Oprimido”, seu livro mais conhecido, está entre as cem obras mais citadas em língua inglesa, e é a única obra brasileira a aparecer nos 100 mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.


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