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Em seu 2º depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta 3ª feira (8.jun.2021) que há a tendência de o Brasil viver uma nova aceleração das mortes pela doença, sem, no entanto, admitir a iminência de uma 3ª onda de contágio. Ele reforçou que o chamado tratamento precoce com remédios como cloroquina e ivermectina não tem eficácia e declarou ter foco exclusivo na ampliação da campanha de vacinação.

“Para mim, ainda não está caracterizada uma terceira onda. Eu acho que estamos ainda nessa segunda onda e num platô elevado de casos. E a minha esperança para conter isso é a vacina”, declarou o ministro.

Senadores independentes e de oposição ao governo federal, que formam maioria na comissão, tentaram pressionar Queiroga com questionamentos sobre a suposta existência de um gabinete das sombras para aconselhamento paralelo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sobre a real autonomia que o ministro tem para comandar o enfrentamento à pandemia.

O ex-presidente da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) afirmou desconhecer a atuação de um grupo paralelo a sua pasta, como sugeriu o virologista Paolo Zanotto em um encontro de profissionais da saúde com Bolsonaro, em setembro de 2020.

O ministro admitiu conversar eventualmente com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), apontado naquela reunião como “padrinho” do grupo, mas disse que o parlamentar nunca lhe falou do “tratamento precoce” para pacientes de covid-19 com medicamentos sem comprovação de eficácia, como cloroquina e ivermectina.

“O presidente me deu autonomia para eu conduzir o Ministério da Saúde. Isso não significa uma carta branca para fazer tudo que quer, não existe isso. O regime é presidencialista. Até o momento, não houve nenhum ponto que me fizesse sentir desprestigiado à frente do Ministério da Saúde”, declarou Queiroga.

SECRETÁRIA POR 10 DIAS

Na última 4ª feira (2.jun), a infectologista Luana Araújo havia dito que trabalhou durante 10 dias na estruturação de uma secretaria extraordinária de enfrentamento à covid-19 a convite de Queiroga, mas ouviu do próprio ministro que sua nomeação não seria concretizada.

Questionado sobre esse episódio, o cardiologista negou que a indicação da médica tivesse encontrado obstáculo na Casa Civil nem tampouco na Segov (Secretaria de Governo da Presidência).

Os senadores inferiram, então, que a não nomeação da médica foi por motivos políticos. Repetiram diversas vezes as mesmas perguntas sobre o tema. Queiroga respondeu sempre na mesma linha, de que teria sido decisão dele.

“Já disse aqui que não houve nenhum óbice formal dessas duas instâncias. Eu desisti do nome da Dra. Luana porque eu vi que o nome dela não estava suscitando o consenso que eu desejava”, relatou.

COPA AMÉRICA

Sobre a realização da Copa América no Brasil, Queiroga repetiu o discurso de que a competição não tem grandes dimensões e os integrantes das delegações serão testados para covid-19 a cada 48 horas, sem, no entanto, a obrigação de que todos sejam vacinados.

Ele também evitou avaliar os episódios em que a conduta de Bolsonaro vai na contramão das medidas não farmacológicas atualmente recomendadas pelo Ministério da Saúde, como o uso de máscara e o distanciamento social.

Poder 360


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