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O ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou “extremamente grave” a decisão do Comando do Exército brasileiro de não punir o general Eduardo Pazuello. Para Amorim, o Exército e as Forças Armadas são a espinha dorsal do respeito à Constituição, às leis e normas. Com a iniciativa, “deixou de ser confiável”.

“Temo que essa espinha dorsal tenha sido quebrada”, afirmou ao Poder360 Amorim, ministro da Defesa entre 2011 e 2014. “Do ponto de vista da ameaça ao processo democrático e ao Estado de Direito, este é o episódio mais grave desde a ditadura. Não sabemos quais serão os desdobramentos disso.”

O ex-ministro da Saúde Pazuello tornou-se passível de punição pelo comando do Exército devido a sua participação em ato político do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, em 23 de maio. O episódio gerou reação forte entre os generais da ativa e da reserva, entre os quais de Hamilton Mourão, vice-presidente da República.

“A regra tem que ser aplicada para evitar que a anarquia se instaure dentro das Forças. Porque assim como tem gente que é simpática ao governo, tem gente que não é. Então, cada um tem que permanecer dentro da linha que as Forças Armadas têm que adotar“, disse Mourão à imprensa em 24 de maio.

“Estou com Mourão”, declarou Amorim, para acrescentar em seguida que o regulamento do Exército é claríssimo ao vedar a participação de oficiais da ativa em atos políticos. Considerar a decisão da força como “normal”, em sua opinião, significa tirar do Exército sua condição de instituição de Estado.

“O Exército passa a ser instituição do governo em curso”, afirmou.

Como explicou, essa mudança de perfil significa que o Exército deixa de ser a instituição à qual os 3 Poderes podem recorrer, em última instância, em caso de ameaça à democracia. Amorim tomou como exemplo a invasão ao Congresso dos Estados Unidos por uma turba contrária à oficialização da vitória eleitoral de Joe Biden, em janeiro. Em situação equivalente, no Brasil, as Forças Armadas seriam chamadas a defender a instituição. Em especial, o Exército.

De acordo com o ex-ministro da Defesa, a decisão tem origem no episódio da demissão do general Edson Pujol, ex-comandante do Exército e um “claro defensor da integridade da força”, por ordem do presidente Jair Bolsonaro, em março. “Imagine agora que um general de direita e um de extrema-direita poderão subir em palanques diferentes nas eleições de 2022.”

Poder 360



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